A inspiradora Silvia da AAMAE, entidade que já fez um milhão de atendimentos, fala de suas inspirações para a vida e o trabalho
Sua dedicação para as ações sociais, a disposição de aprender e evoluir sempre e os resultados do seu trabalho são, efetivamente, inspiradores/ Foto: Divulgação
Tenda Atacado

Silvia Aparecida do Carmo Rangel, fundadora e gestora da Associação de Assistência à Mulher ao Adolescente e a Criança (AAMAE) é o destaque da reportagem especial sobre Líderes que Inspiram desta edição do Jornal Oi.

Na conversa com o Oi ela revela suas principais fontes de inspiração para fazer cerca de quatro mil atendimentos por mês.

Sua dedicação para as ações sociais, a disposição de aprender e evoluir sempre e os resultados do seu trabalho são, efetivamente, inspiradores.

Confira a reportagem que foi elaborada com o apoio do jovem repórter Gabriel Souza.

Jornal Oi – Para quem ainda não a conhece quem é a Silvia da AAMAE, onde nasceu, e quais os momentos mais marcantes da infância e da adolescência?

Silvia Aparecida do Carmo Rangel: Nasci em São Paulo no dia 13 de fevereiro de 1971, filha de Hélio e Creusa Lopes do Carmo, passou a infância em Ribeirão Preto e na adolescência veio para Suzano, onde iniciou sua trajetória de vida social, envolvendo-se desde os 13 anos em ações voluntárias.

Apaixonada pelos livros viajava em cada obra, sempre sonhando com um mundo mais humano, onde principalmente as crianças fossem acolhidas e tivessem seus direitos garantidos, sendo os momentos mais marcantes da infância os que brincavam com a lousa e o giz, sonhando com a sala de aula, ensinando que a vida digna é um direito de todos.
Casada com Celso Rangel e mãe de três filhos: Andressa, Amanda e Henrique Rangel e avó da pequena Giovanna Garcia.

Graduada em Direito pela Universidade Braz Cubas (UBC), pós-graduada em Desenvolvimento Social pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

É professora universitária nos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito e Pedagogia, sendo pesquisadora Científica em Tecnologia e Empoderamento Social.

Conhecimento amplo em Legislação e Administração do Terceiro Setor, criança e adolescente, e Políticas Sociais; vários artigos científicos nas áreas do Empreendedorismo Comunitário, Redes Sociais, Administração, Implantação, Monitoramento e Avaliação de Projetos e Programas Sociais.

Jornal Oi – Na infância e adolescência e na fase adulta quais foram as suas principais inspirações (pessoas, fatos ou situações) para a vida, quando começou sua história na AAMAE e o que faz a instituição?

Silvia: Sempre tive duas paixões. As crianças e a sala de aula. Construí uma carreira profissional na área de gestão de pessoas, voltada sempre à temática da educação e da assistência e desenvolvimento social, com uma busca constante por uma vida com propósito e assim direcionei minha profissão a missão de vida tendo Jesus Cristo como minha maior inspiração. “Ama a Deus sobre todas as coisas, e ao teu próximo como a ti mesmo”.

Cheguei à consolidação dos meus sonhos em uma pequena sala, reunimos mulheres para uma mudança de vida quando então entendi que não mudava a vida de ninguém, que quando queria oferecer na verdade recebia.

Em 1.999 iniciei uma jornada que se chama AAMAE, lugar de benção que faz parte da minha história e de muitas outras pessoas.

Hoje com média de 4.000 atendimentos ao mês, possui os projetos do SCFV Mentes Brilhantes, Creche Comunitária Sementinhas da AAMAE, CDI Centro Dia do Idoso, CRAVI Centro de Referencia e Atendimento a Vítima/Suzano, contando com uma equipe de 50 funcionários.

Estando a frente também do Instituto Thadeu José de Moraes como gestora social e desenvolvendo ações de educação, social e cultura.

Jornal Oi – O que inspirou no começo e o que inspira hoje a atuação e as ações sociais da AMAE?

Jornal Oi – Qual foi o momento mais difícil na história da AMAE e como ele foi enfrentado e superado?

Silvia: O que me inspira? Somos responsáveis pelas marcas que deixamos em cada pessoa que passa em nossas vidas. Temos o poder de ser a diferença. Começa em cada um de nós o processo de mudança.Sempre me pergunto: a vida de quem você melhorou hoje?

E de pronto a resposta deveria ser: hoje melhorei a “minha vida” mais um pouquinho. Porque é vida com dignidade ter escolha sobre o caminho que desejo seguir. Apenas nos cabe auxiliar para que as pessoas planejem a viagem e o percurso a seguir.

O momento mais difícil da AAMAE foi quando alguém me disse que fazia contabilidade em papel de pão. Ali entendi que não bastava amor e dedicação. Era preciso conhecimento técnico em múltiplas áreas.

Não se faz projeto social com excelência apenas de boa vontade. O profissionalismo é fundamental. A pior fase da AAMAE me ensinou a importância de valorizar os diferentes saberes.

Neste contexto entendemos uma boa gestão como um tripé: Social x Administração x Contabilidade e o resultado é a transparência e eficiência.

Jornal Oi – E o que inspira a senhora a manter a AAMAE em ação?

Jornal Oi – Desde o início de suas atividades quantas pessoas foram alcançadas pelas campanhas e atividades da Associação?

Silvia: Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar, frase de Aristóteles que me acompanha.

Comecei minha busca na adolescência por uma vida com propósito e na área social e encontrei minha missão.

Pelos dados levantados mais de um milhão de pessoas passaram pelos atendimentos. Entre universitários, bolsistas, voluntários e usuários.

Cada um com uma história, deixando suas marcas. É extraordinário poder compartilhar com meus alunos o dia a dia da instituição e mostrar na prática que é possível sonhar e realizar.

Jornal Oi – Estamos enfrentando uma pandemia e crise na economia. Neste momento tão complexo de que forma a AAMAE e a senhora querem inspirar as pessoas e as entidades da sociedade civil a seguirem em frente?

Silvia: Enfrentamos um momento de crise que nos leva a reflexão. Nos vemos absolutamente limitados, não podemos nem nos despedir dos nossos mortos. E nos foge a visão do amanhã.

A invisibilidade do vírus nos trouxe a incerteza e a solidão. Acompanhamos um aumento considerável nas crises familiares, na instabilidade emocional, a automutilação e ideias suicidas entre os adolescentes se tornaram mais freqüentes.

Neste contexto precisamos uns dos outros. Reaprendendo a acolher mesmo que a distância. Cuidar em palavras, o silêncio deu lugar à voz.

Nas crises surgem as oportunidades. Estamos em um momento de viver e cuidar de gente. De nos aproximar. De dizer o quanto nossa família é importante. Nossos pais e filhos nos fazem falta e o quanto precisamos uns dos outros.

As instituições são espaços de acolhimento e cuidado e devem realizar uma atuação planejada, com diagnóstico individualizado.

Na visão de que somos únicos, cada qual com sua dor, com seus anseios e lutando pelos seus sonhos.

A Sílvia, filha, mãe e esposa do Celso Rangel acredita que na busca por sucesso devemos valorizar o simples e principalmente as pessoas que caminham conosco.

E nada teria conquistado se não houvesse em sua vida uma família que está sempre presente. E sua netinha Giovanna para inspirar ainda mais sua luta pelas crianças e que todas recebam amor e cuidado.