Setembro Amarelo I
Para cada suicídio, há muito mais pessoas que tentam o suicídio a cada ano. A tentativa prévia é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral/ Foto: Divulgação
Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde

Por: Carlos Fernando Foganholi

Segundo dados da OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde e da OMS – Organização Mundial da Saúde, cerca de 800 mil pessoas morrem vitimadas por suicídio todos os anos.

Para cada suicídio, há muito mais pessoas que tentam o suicídio a cada ano. A tentativa prévia é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral.

O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda e a ingestão de pesticidas, enforcamento e armas de fogo estão entre os métodos mais comuns de suicídio em nível global.

Fatores de risco associados ao suicídio, como perda de emprego, pobreza, dívidas, traumas ou abusos, transtornos mentais e de uso de substâncias e barreiras ao acesso a cuidados de saúde, que já eram significativos, aumentaram ainda mais depois da pandemia de COVID-19.

Um ano após o início da pandemia, mais da metade das pessoas pesquisadas no Chile, Brasil, Peru e Canadá relataram que sua saúde mental havia piorado.

O suicídio converteu-se em um grave problema de saúde pública; no entanto, os suicídios podem ser evitados em tempo oportuno, com base em evidências e com intervenções de baixo custo.

Para uma efetiva prevenção, as respostas nacionais necessitam de uma ampla estratégia multissetorial.

As principais medidas de prevenção ao suicídio baseadas em evidências incluem:

Restrição do acesso a meios para o suicídio (por exemplo, um duro e rígido controle no que tange a aquisição de posse e porte de armas de fogo, destruição imediata de armas de fogo apreendidas por autoridades, oriundas do mercado clandestino, e um forte controle sobre a venda e comercialização de pesticidas);

Políticas Públicas voltadas à saúde mental e sua prevenção e redução ao consumo de álcool; Cobertura responsável da mídia sobre casos de suicídio.

A estigmatização social e a falta de consciência continuam a ser as principais barreiras para a busca de ajuda, destacando a necessidade cada vez maior de campanhas de conscientização e anti-estigmatização.

Desde o ano de 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o “Setembro Amarelo”, com o objetivo de ser uma frente de combate ao suicídio, focada em prevenir, esclarecer e reduzir números de suicídios ocorridos. A campanha cresceu e hoje se espalha pelo Brasil inteiro sendo o dia 10 deste mês é, oficialmente, o “Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio”.

Uma pergunta que sempre me fazem é: o que eu, cidadão comum posso fazer para ajudar? MUITA coisa, você pode ser muito importante na vida de alguém que está passando por um processo depressivo, sabendo identificar alguns sinais de alerta que podem ser cruciais na prevenção ao suicídio e, agindo.

Pessoas que cultivam pensamentos remoídos de forma obsessiva, sem esperança, foco e concentração, que enxergam a vida como algo sem sentido ou propósito, devem ser observadas, bem com as portadoras de alterações extremas de rotina, comportamento e humor.

Excesso de raiva, sentimento de vingança, ansiedade, irritabilidade e sentimentos intensos de culpa ou vergonha são sinais aos quais você deve ficar atento.

O suicídio não se dá de uma hora para outra. A pessoa dá sinais.

Frases como “a vida não vale a pena”, “estou tão sozinho que queria morrer” ou “você vai sentir a minha falta” estão diretamente ligadas a pensamentos sobre a morte.

Melhoras súbitas e repentinas também são um sintoma clássico. Geralmente a ideia de suicídio está ligada a um sentimento de que a pessoa está no fundo poço. A felicidade súbita pode ser um sinal de que a pessoa tomou a decisão de encerrar a própria vida.

Atitudes irresponsáveis e perigosas, sem filtro de consequências, como uso excessivo de álcool, drogas e tabaco, direção perigosa e imprudente e sexo promíscuo sem proteção são indícios de que a pessoa não dá importância a própria vida.

Então, aja: escute a pessoa, não a julgue, tenha empatia, respeite suas opiniões e valores, demonstre afeto, preocupação e cuidado e, caso veja que você não é a pessoa certa para essa posição, a oriente a buscar atendimento especializado e fale com seus familiares.

Carlos Fernando Foganholi, médico, ativista social e articulista político.