Será que as mulheres empoderadas pela política em Suzano e região vão fechar os olhos para a pobreza menstrual?
Prefeitas, vereadoras, vice-prefeitas e secretárias municipais têm a obrigação moral e social de cobrar das deputadas federais (e dos deputados também) que assegurem, por meio do SUS, a doação dos produtos necessários à higienização/ Foto: Divulgação
Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde

A pobreza menstrual no Brasil que é uma realidade de longa data nas periferias e nos confins do País ganhou destaque na imprensa e nas redes sociais pelo pior dos motivos: uma decisão do presidente Jair Bolsonaro que vetou trechos do Projeto de Lei 4.968/2019 que cria o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual.

O texto prevê ações para o combate à precariedade menstrual, porém, a distribuição gratuita de absorventes femininos foi vetada.

Pegou muito mal (obviamente) a decisão do presidente que depois da repercussão negativa tenta argumentar que vai procurar uma solução, mas como estamos no Brasil e no caso de o Congresso não cumprir com a sua parte (de derrubar o veto), existe uma grande e infeliz chance de o assunto cair no esquecimento com milhares de brasileiras condenadas a sofrer com a pobreza menstrual.

Essa situação escancara o abismo social que afeta especialmente às mulheres e representa um grande desafio às mulheres empoderadas pela política em todo Brasil e também no Alto Tietê.

As mulheres não vivem discursando que precisam de protagonismo na política, que insistem campanha após campanha que podem fazer mais e melhor que os homens em razão de suas sensibilidades aguçadas?

Pois bem, a pobreza menstrual deve ser combatida com todas as energias pelas mulheres empoderadas da política em Suzano e região.

O que estranha é que até o momento não temos nenhuma manifestação pública consistente das prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras e deputadas que representem as cidades do Alto Tietê que receberam muitos votos por aqui em 2018.

Nunca na história o Alto Tietê teve tantas mulheres no comando das prefeituras. São duas prefeitas e quatro ou cinco vice-prefeitas.

Temos vereadoras (só em Mogi das Cruzes são três representantes do povo mulheres).

A Câmara Técnica dos Fundos Sociais do Alto Tietê também é liderada por uma mulher.

Temos também ‘um monte’ de Secretarias Municipais – devidamente empoderadas na região.

Todas essas mulheres têm poder e condições de fazer muito mais que a arrecadação de alguns absorventes nas praças das cidades para eventuais doações.

Prefeitas, vereadoras, vice-prefeitas e secretárias municipais têm a obrigação moral e social de cobrar das deputadas federais (e dos deputados também) que assegurem, por meio do SUS, a doação dos produtos necessários à higienização.

Caso a solução via SUS demore, essas lideranças, que no momento curtem a riqueza menstrual, que tomem outras medidas administrativas e políticas para tirar milhares de mulheres da região dessa constrangedora situação.

Essa é mais uma oportunidade de trocar o discurso pela ação, tá ok?