Precisa de inspiração para trabalhar, vencer e ter sucesso? Siga as dicas do multicampeão Ricardo Navajas
Sem exageros, nesta entrevista com Navajas podemos afirmar que trata-se de uma consultoria para quem sonha em construir uma carreira bem-sucedida e de sucesso/ Foto: Divulgação
Prefeitura de Guararema

Multicampeão como técnico do time de vôlei de Suzano na década de 1990 e início dos anos 2000 e atualmente na função de diretor-técnico do Vôlei Taubaté, Ricardo Navajas conversou com a reportagem do Jornal Oi.

O esportista falou sobre inspiração, estratégias, resultados e sucesso profissional. Sem exageros, podemos afirmar que trata-se de uma consultoria para quem sonha em construir uma carreira bem-sucedida e de sucesso. Confira:

Jornal Oi – Ricardo Navajas, obrigado por atender a reportagem do Jornal Oi e ajudar a inspirar pessoas em um momento tão complicado. Por favor, fale um pouco sobre sua trajetória como técnico e diretor esportivo. Avalia que a sua trajetória e os resultados que alcançou  podem inspirar outras pessoas a evoluírem especialmente na área profissional ou pode acontecer o contrário com gente achando que tais resultados para elas seriam impossíveis?

Ricardo Navajas: Em primeiro lugar é preciso que aquela pessoa que se propõe a ter sucesso e ser bem-sucedida em sua atividade profissional precisa colocar o seu objetivo em primeiro lugar.

Família, amigos, lazer e distrações devem ficar em segundo plano e temos de correr atrás de nossas metas, sem se importar muito com eventuais tropeços e fracassos que podem acontecer no início de uma jornada profissional.

Na verdade não tem muito segredo quando a gente foca no objetivo de forma consciente e deixa todo o resto em segundo plano.

Agora, é preciso destacar que é muito difícil colocar o objetivo profissional acima da família, dos amigos e da rotina diária.

Mas temos de fechar os olhos para essas questões se o objetivo é ser protagonista. Por esse aspecto ter sucesso é bastante difícil e representa um grande desafio.

Quantos estão dispostos a deixar tudo de lado e fazer o que for preciso para ser o melhor no que se propõe a fazer e conquistar resultados que comprovem o seu sucesso?

Sobre inspirar as pessoas, não me considero um grande influenciador. Construí minha trajetória observando as pessoas e estratégias que davam certo. E se posso dar um conselho, seria esse: copiar e fazer igual aquilo que está dando certo.

Podemos acrescentar e dar um toque pessoal, mas o meu conselho no campo profissional é esse: sigam aqueles que estão no caminho certo, que estão tendo resultados e sucesso; buscando sempre fazer o melhor possível.

Jornal Oi – Na infância e adolescência e no início da carreira profissional quais foram às principais inspirações para o Ricardo Navajas?

Jornal Oi – Em que momento sentiu que poderia liderar um projeto como acabou ocorrendo em relação ao vôlei ou você meteu as caras para ver o que ia dar e acabou dando tudo certo?

Ricardo Navajas: Na infância e adolescência tive como inspiração meus professores de educação física, eram bons educadores que destacavam a importância da atividade esportiva para a formação de bons cidadãos e das possibilidades que o esporte oferecia como atividade profissional.

Em casa também sempre tive total apoio para praticar esportes. Joguei vôlei, futebol, fiz natação.

Meus irmãos também tiveram total apoio de nossos pais para praticar esportes e esse apoio foi bastante inspirador.

Em relação ao vôlei, quando comecei a jogar Suzano já tinha tradição no esporte e comecei a desenvolver um trabalho com os melhores profissionais que poderia ter dentro das poucas condições  (financeiras e de patrocínio) que tinham em mãos.

Liderar aquele projeto foi, até certo ponto, simples. Tínhamos de vencer para sobreviver. Depois buscar o sucesso. No caso conquistar títulos e depois sermos bem-sucedidos, inclusive financeiramente. E deu certo.

Jornal Oi – Como você explicaria um líder? A inspiração que você passou para todos que trabalharam com você era um dom natural?

Jornal Oi – Para inspirar outras pessoas você avalia que o líder precisa ter logo de início grandes resultados ou precisa ter conhecimento e convicção?

Ricardo Navajas: Avalio que o poder de liderança vem da família, das referências e da forma como lidamos com as situações desde pequenos.

Não diria que liderança é algo que se aprende, é algo que já vem com a gente. Vivenciei isso (liderança, poder de iniciativa, cobranças) com os meus pais.

Vi e vivi dentro da minha casa, também com os meus avós. Não acho que a gente pode aprender a liderar. Sinto que existe um instinto de liderança.

Nunca fui um jogador excelente, mas sempre liderei os times em que joguei. Sempre fui o capitão. Sempre tive essa tendência de liderar e nunca pensei muito se iria fracassar ou ter sucesso a frente da equipe. O objetivo sempre era apontar a direção, aprender com os erros e avançar.

Para ter liderança é preciso ter a convicção do que estamos fazendo e para ter convicção é preciso ter conhecimento aliado ao trabalho que produz os resultados e o sucesso. Convicção e conhecimento são fundamentais para se liderar um projeto de sucesso.

Jornal Oi – Dá para ser líder e inspirar na base no grito? O cara que é inspirador na vida profissional, automaticamente consegue inspirar em casa, na família e na sociedade também ou são situações e lideranças distintas?

Ricardo Navajas: Não se lidera na base do grito. É preciso conhecimento. Não existe uma filosofia, uma receita sobre o que seria a melhor forma de liderar. Minha regra básica era treinar cada vez mais e ganhar a qualquer custo. Ponto. Para isso era preciso conhecimento.

Tive problemas por causa do meu jeito de liderar. Era e sou muito exigente. Cobro sempre o máximo. Tem pessoas que lideram falando,  outras lideram gritando e todos alcançam resultados. Não tem uma fórmula certa.

Reconheço que não era ou não sou do time dos bonzinhos. Sou competitivo e sempre achei que os que lutam mais, que não desistem nunca, que não aceitam outro resultado a não ser a vitória e transmitem essa intensidade para todos podem ser mais vitoriosos em bem sucedido.

Não faço nada que não seja para ganhar. Sobre liderar em casa, na atividade profissional ou em outro lugar, acho que existem diferenças. São situações diferentes, se bem que em relação a minha filha o nível de exigência foi praticamente igual ao que apliquei aos atletas e times que dirigi.

Ela decidiu ser médica e apoiei a decisão dela, mas cobrei dedicação. Desde o início ela sabia que teria de estudar muito.

De levantar cedo e dormir tarde para estudar. Que não teria baladas, que não teria finais de semana. Eu jamais seria um médico, não conseguiria ficar estudando.

Eu não gostava de estudar. Não conseguiria nunca ser médico. Ela fez opção e teve de se dedicar ao máximo para alcançar seus objetivos e se tornar a melhor médica possível.

Jornal Oi – Aos 61 anos, quais são as pessoas e lideranças que mais o inspiram?

Jornal Oi – Hoje  o que inspira o Ricardo Navajas a seguir para diante principalmente na vida profissional?

Jornal Oi – No atual momento de que forma o Navajas gostaria de influenciar as pessoas?

Jornal Oi – Olhando para a sua trajetória, como você define o sucesso?

Jornal Oi – Sucesso foram os títulos? Foi o dinheiro que você ganhou? Foram as amizades? Foram os profissionais que você ajudou a formar? Tudo isso junto ou o sucesso são outras coisas?

Ricardo Navajas: Vou completar 62 anos em setembro deste ano e falar de pessoas que me inspiram é falar de pessoas que fizeram e fazem de tudo para ganhar. São as pessoas competitivas e vencedoras. Por causa da quarentena estou assistindo a muitos documentários e vale à pena destacar o documentário do ex-jogador Michael Jordan.

Quando ele jogava muita gente achava que ele era um cara gente boa, que era um gênio das quadras e tudo bem.

Agora o documentário mostra a outra face de um cara que fazia de tudo para ganhar. Que cobrava os companheiros, que exigia o máximo de todos e que não aceitava perder.

Ele sempre trabalhava mais que os outros para ter os melhores resultados e conseguiu o que almejava. O Ayrton Senna é outra referência.

Em público era bonzinho, mas quando se tratava de competir ele não media esforços para ganhar. Não tinha parceiro, não tinha companheiro de equipe. Tinha que vencer.

Gosto de pessoas com esse perfil como o Felipão, o Vanderlei Luxemburgo, o Bebeto de Freitas.

Nunca fui um Zé Roberto. Sou mais um Bernardinho, mas isso não quer dizer que o Zé Roberto não seja um vencedor. A verdade é que nunca me identifiquei com os ‘bonzinhos’ e minha geração não era muito de conversa. Era na base da porrada, da exigência da disciplina.

Hoje esse tipo de líder é um pouco rejeitado, mudou-se muito e o politicamente correto prevalece.

Mas é por isso que não se formam mais bons técnicos, bons jogadores e nem bons líderes. Isso muito menos.

Gosto de dizer que não tenho uma forma para o sucesso, mas a fórmula certa para o fracasso é querer agradar a todos ao mesmo tempo. Nunca tive essa preocupação. O que me inspira agora (perto de completar 62 anos) é o que me inspirou sempre: vencer.

Não consigo mais fazer algo profissionalmente que não seja para vencer. O que me inspira é ter objetivos de preferência difíceis para ser alcançados. Como eu gostaria de influenciar hoje? Não me preocupo muito com isso, mas se tivesse esse poder gostaria de influenciar (nossas lideranças políticas) a colocar as pessoas com conhecimento técnico nos lugares certos para que os objetivos sejam alcançados.

Infelizmente as pessoas com conhecimento técnico têm perdido espaço e gostaria de inspirar nossas lideranças a fazerem isso.

O sucesso pode ser definido de muitas formas, mas para mim o essencial foram os títulos. Não existe essa de que o treinador bonzinho e seu time fizeram uma boa participação no campeonato.

A gente deve medir o sucesso pelos títulos conquistados. Pergunte para quem trabalhou comigo em Suzano e a resposta será: o sucesso foram os títulos conquistados.

Mesmo quando a gente ainda não tinha patrocínio, a meta era o titulo que trouxe patrocínio, reconhecimento profissional, sucesso e retorno financeiro.

Os atletas que ajudei a formar, os poucos amigos que conquistei e o dinheiro que ganhei, aliás, acho que deveríamos ter ganhado muito mais (dinheiro) pelos resultados que conquistamos. Tudo isso pode ser traduzido como sucesso, mas os títulos foram à base de todo o sucesso.

Tenho orgulho de ser reconhecido até hoje como o Ricardo Navajas de Suzano em razão de tudo o que fizemos e conquistamos e sigo com a gana de competir e ganhar.

Essa é minha inspiração e pretendo ainda realizar a base de muito trabalho, suor, lágrimas e vitórias um novo projeto (de vôlei) vencedor em minha terra que é a cidade de Suzano.