PROFISSIONAIS DO HOSPITAL SANTA MARIA REVELAM OS BASTIDORES DO ATENDIMENTO àS VÍTIMAS DO MASSACRE
O jornal Oi Diário revela em matéria especial o atendimento e auxílio gratuito prestados pelo Hospital Santa Maria aos alunos que foram vítimas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil, que ocorreu no dia 13 de março/ Foto: Glaucia Paulino/Oi Diário

O massacre que teve repercussão mundial fez dezenas de funcionários do hospital local e região se locomoverem para prestarem socorros aos atingidos pelas armas de fogos e artefatos usados pelos atiradores.

O hospital que atua com atendimento privado, foi um dos únicos a tomar a iniciativa e que abriu as portas para acolher todos os alunos gratuitamente que entraram em estado de pânico, fisicamente e psicologicamente machucados.

As vítimas que recorreram ao Hospital Santa Maria foram recepcionadas com um vasto atendimento conduzidos por profissionais de todos os setores (manutenção, recepção, auxiliares, seguranças, entre outros) que foram acionados rapidamente para realizar o suporte de maneira mais eficiente e adequada possível.

“Os alunos chegaram muito assustados, gritando que era para todos recuarem, fechar as portas e se abaixar, dizendo que os atiradores estavam vindo. Foi uma cena de guerra total. Não estávamos entendo nada, não sabíamos o que fazer. A todo momento chegavam alunos em estado emocional muito abalado. Buscamos manter uma triagem para verificar a necessidade de cada um e separar quem deveria ter atendimento psicológico ou primeiros socorros.” afirma a gerente de Enfermagem Fernanda Reple.

A médica Débora Nogueira que estava no hospital no momento do evento, afirma que sete alunos em estado grave procuraram o Hospital Santa Maria. O primeiro aluno chegou no local com uma machadinha cravada no tórax do lado direito, foi atendido imediatamente e encaminhado ao centro cirúrgico.

Ela afirma também que é uma situação atípica e que é gratificante para ela saber que ajudou a salvar as vidas das vítimas em um cenário tão histórico.

“Não é uma situação habitual que estamos acostumados a ver no Brasil. Apesar de ter um impacto muito grande, é muito gratificante ver que os pacientes que passaram conosco estão bem. Ficamos muito felizes em poder ajudar. Nós conseguimos fazer a diferença na vida dessas crianças.” relava a médica.

Para o gestor executivo no Hospital Santa Maria, Paulo Fascina, o importante para o hospital era priorizar as vítimas de caso mais graves e assegurar que em momento algum pensaram na remuneração dos atendimentos prestados.

“A missão do hospital é atender a saúde das pessoas. A prioridade é a vida. Nossa preocupação inicial foi salvar a vida daquelas pessoas. Não nos preocupamos com a receita”.

Acácio Yutaka, diretor clínico, relata que lembra da movimentação quase incontrolável dentro das dependências do hospital. A demanda foi maior do que os funcionários poderiam auxiliar, por tanto, vieram médicos de outros hospitais para dar apoio aos pacientes e ele próprio teve que realizar uma das cirurgias.

“Inicialmente nós não sabíamos quem estava mais grave, não havia um corpo médico e de enfermagem suficiente para atender todo mundo. Tivemos médicos da região que vieram nos auxiliarem. Eu tive que abandonar a coordenação para ir operar no centro cirúrgico”.

O diretor ressalta ainda que os familiares das vítimas também foram observados e acompanhados e os alunos que ficaram internados no hospital receberam acompanhamento médico até que os ferimentos se cicatrizem e ressalta que não houve nenhuma remuneração. Tudo foi por amor e respeito ao próximo.

“Os familiares que sofreram estresse emocional e ansiedade, também foram recebidos. Mas demos prioridade aos que estavam em estado mais graves. A orientação é para que eles façam repouso, terapia e acompanhamento ambulatorial que nós mesmo faremos gratuitamente. Até a fase de cicatrização ficará tudo por nossa conta. Em nenhum instante nós não pensamos em remuneração. A vida é mais importante”.

Paulo Fascina informa que todos os pacientes que passaram pelo Hospital Santa Maria estão estáveis e passam bem. Segundo Fascina, a mãe de uma das vítimas que recebeu os primeiros socorros no hospital e foi encaminhado para o Hospital da Clinicas em São Paulo, entrou em contato para agradecer a todos que ofereceram atendimentos imediato, pois se a vítima não tivesse a devida atenção, certamente viria a óbito.

Diante desses agradecimentos, o gestor executivo afirma com total certeza de que o sentimento de um todo do Hospital Santa Maria é de satisfação e gratidão e ainda exalta a qualidade da equipe.

“O principal objetivo nosso era que os pacientes saíssem bem daqui do hospital. Eu como gestor, fico muito contente, porque nós temos ótimos profissionais, pessoas comprometidas. Prestei minha solidariedade, mas não podia ajudar em muita coisa, mas estive do lado a todo momento. Todos os funcionários do hospital, manutenção, segurança, RH, auxiliares, absolutamente todos se prontificaram para ajudar no que fosse preciso por conta do lado humano. E além de termos profissionais que tem esse lado humano, somos todos capacitados. Esse sentimento de gratidão é que vale a pena e nos faz ter vontade de vir trabalhar todos os dias”.

Homenagem no hospital para as vítimas

Na manhã dessa quarta-feira, 20, os profissionais do Hospital Santa Maria prestaram homenagem a todas as vítimas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil.

Os funcionários soltaram balões brancos em frente ao hospital e aplaudiram em memória de todo o esforço que a equipe teve durante e depois do massacre.

O ato era mostra a solidariedade e respeito aos alunos e seus familiares que foram prejudicados.