Saiba como o Plano de Governo de Caio Cunha pode ser considerado ousado e progressista para Mogi e isso será muito bom para os mogianos
Um dos motivos mais importantes para a vitória de Caio Cunha e de sua vice, a professora Priscila Yamagami Kähler é sem dúvida alguma o seu plano de governo/Foto: Divulgação
Tenda Atacado

Já se falou e se escreveu muita coisa em Mogi das Cruzes e região sobre a surpreendente vitória do vereador Caio Cunha (Podemos) no segundo turno da eleição para prefeito.

Ele derrotou o atual prefeito Marcus Melo (PSDB) e um grupo político (com perfil mais conservador) que nunca tinha perdido uma eleição na prefeitura da maior cidade do Alto Tietê.

Um dos motivos mais importantes para a vitória de Caio Cunha e de sua vice, a professora Priscila Yamagami Kähler (e que ainda não foi discutido com a profundidade que exige e merece), é sem dúvida alguma o seu plano de governo.

Plano esse que será detalhado e esmiuçado em cada uma de suas linhas nos próximos dias e semanas pelo Jornal Oi.

Trata-se de um plano de governo com características claramente progressistas e isso poderá (caso o plano seja implementado com sucesso) ser muito bom para Mogi e para os mogianos. E o que seria o progressismo?

De acordo com o Politize, “progressismo/progressista é a doutrina segundo a qual certas medidas econômicas e sociais – impulsionadas, sobretudo pela ciência e tecnologia – são imprescindíveis para a melhoria da condição humana. Também está relacionado à ruptura de padrões sociais tradicionais, que por sua vez promoveriam valores como liberdade e igualdade”.

A parte ou capitulo do plano de governo do novo prefeito de Mogi (plano esse que foi registrado e protocolado na Justiça Eleitoral) que trata de Diversidade e Cidadania é o que deixa mais clara a pretensão de Caio Cunha de fazer um governo de desenvolvimento social e inclusão; algo inédito na história de Mogi e de certo modo também na região.

Nesta primeira reportagem especial sobre o plano de governo progressista (e isso é muito bom para Mogi) do novo prefeito, vamos destacar o diagnóstico preciso em relação da Diversidade e Cidadania.

DIAGNÓSTICO DE CAIO CUNHA

O Brasil, há anos, passa por uma crise intensa cujos reflexos são baixa geração de emprego e aumento do número de pessoas em situação de pobreza ou extrema pobreza. Entre 2016 e 2017, o IBGE identificou que o número de pessoas pobres passou de 52,8 milhões para 54,8 milhões.

Com a crise da COVID-19, isso se intensificará mais ainda. Para ficar claro: estas pessoas vivem com menos de R$ 406 reais por mês.

Em Mogi das Cruzes, de 2018 para 2019, houve um aumento de 8 mil pessoas cadastradas no Cadastro Único, sistema do governo federal para acompanhamento de pessoas passando por alguma dificuldade.

Porém, não observamos o devido apoio para estas pessoas por parte da Prefeitura Municipal. Um exemplo disso é que no mesmo período, de 2018 para 2019, menos famílias receberam o Bolsa Família.

Mesmo sendo este benefício um programa federal, é responsabilidade do município prestar apoio às famílias para que elas consigam quebrar o ciclo de dificuldades e superar a situação de pobreza.

Quando olhamos para as pautas de diversidade, também somos obrigados a voltar a discussão para a desigualdade. Garantir uma discussão aprofundada com base em dados e abrindo espaços de diálogo é importante para chegarmos nas soluções que por vezes parecem, por vezes, distantes.

As pluralidades existentes na sociedade precisam ser reconhecidas e entendidas para que as fragilidades sejam combatidas. Esse é um dos papéis que a administração municipal precisa desempenhar na busca por uma sociedade com igualdade e respeito a qualquer pessoa, independente de seu credo, gênero, orientação sexual, raça, idade.

A população negra no Brasil é a maioria e representa 53,6% dos brasileiros. Dentre os 10% da população mais pobre, três em cada quatro são pretas ou pardas. Isso significa dizer que dos 13,5 milhões vivendo em extrema pobreza, mais de 10 milhões são pretos ou pardos.

Outra minoria é a comunidade LGBT+, estimada em 17,9 milhões de pessoas, mas que segundo estudos comparativos entre países é uma das que mais sofre violência física por discriminação.

Por exemplo, no Brasil uma morte por homofobia é registrada a cada 16 horas. Quando olhamos para as mulheres, apesar de representarem a maioria da população, ainda são consideras como minoria, principalmente pelos casos de feminicídio. Estes cresceram 7% em 2018, totalizando 4 mil vidas perdidas.

Vale ressaltar ainda que a média de ganho salarial das mulheres ainda é de 20,5% a menos que os homens no país, de acordo com pesquisa realizada em 2018. Por tudo isso, entendemos que três pilares precisam nortear nossa gestão, de forma a garantir os direitos a todas as minorias que sofrem algum tipo de discriminação.

Esses três pilares: Conscientização, Proteção e Inclusão e Empoderamento, podem garantir que o Município tenha uma atenção especial e focada nos temas relacionados a essas minorias. Implementar as ações necessárias e garantir que manutenção das mesmas é um de nossos desafios.

Entendemos que a melhor forma de garantir uma discussão democrática sobre estes assuntos é criando e fortalecendo as coordenadorias especializadas em cada um dos segmentos: Mulher e Diversidade, Infância e Juventude, População Negra, Idoso e PCD, para que as pautas destes segmentos sejam ouvidas e ações implementadas.

GARANTIR RENDA A PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE 

  • Garantir condições e acompanhamento para famílias em extremo risco social obterem o apoio do Programa Bolsa Família
  • implantar serviços de Proteção Social Básica no Domicílio
  • implantar Unidade Móvel de Assistência Social
  • Desenvolver programas de capacitação profissional e geração de renda para trabalhadores e trabalhadoras em risco social
  • articulações com o Governo do Estado de São Paulo e as demais Secretarias Municipais para implementar o Programa Frente de Trabalho
  • implementar o programa “Ambulante Legal”, revendo a forma de tratamento destes empreendedores, atualizando o cadastramento e fornecendo suporte técnico para potencializar suas atividades, garantindo a conformidade com as posturas municipais
  • Garantir que cada programa de capacitação profissionalizante oferecido atenda aos critérios mínimos de diversidade
  • Tornar o serviço Emprega Mogi mais ativo e socialmente responsável
  • discutir e implantar programa de priorização das contratações públicas, através do Selo Empresa Responsável e Inclusiva, para empresas que tenham políticas de recrutamento e desenvolvimento para pessoas em situação de vunerabilidade
  • implantar os serviços de atendimento e apoio específico no Emprega Mogi para pessoas em situação de vulnerabilidade. Na próxima reportagem o Oi vai destacar  as propostas ousadas do novo prefeito para garantir, em Mogi, o respeito a diversidade.