Jornal OI faz uma viagem ao futuro da Mogi
Oi apresenta um raio-X do programa integrado que investirá U$70 milhões de dólares no futuro de Mogi das Cruzes/ Foto: Divulgação
Governo do Estado de São Paulo

Mogi das Cruzes vai completar 460 anos no próximo dia 1º e, nesta data, é provável que a maior cidade do Alto Tietê já tenha publicado alguma das concorrências públicas para obras e investimentos que poderão acelerar a chegada do futuro à cidade.

A ferramenta que irá nos levar ao futuro de Mogi é o ambicioso Programa +Mogi Ecotietê.

Oi apresenta um raio-X do programa integrado de ações que investirá quase U$ 70 milhões de dólares no futuro de Mogi

Na semana passada o Senado Federal autorizou o município de Mogi das Cruzes a contratar a operação de crédito externo, com garantia da República Federativa do Brasil, com a Corporação Andina de Fomento (CAF), no valor de até US$ 69.439.000,00 (sessenta e nove milhões, quatrocentos e trinta e nove mil dólares dos Estados Unidos da América).

O pedido para autorização deste empréstimo foi feito pelo governo de Mogi com a finalidade de garantir a execução das três etapas do Programa +Mogi Ecotietê.

Este projeto começou a ser elaborado pelo governo do prefeito Marcus Melo (PSDB) faz dois anos e a fase atual (de aprovação e autorização pelo Senado da República) pode ser considerada a mais importante, antes, do início, execução e entrega das obras propriamente ditas.

Após a autorização do Senado (assunto que foi amplamente destacado na imprensa de Mogi e da região) o Jornal Oi questionou o governo do prefeito mogiano sobre o que acontecerá a partir de agora.

Em entrevista exclusiva concedida para a reportagem do Oi, o secretário de Planejamento e Urbanismo da prefeitura de Mogi, Cláudio de Faria Rodrigues, revelou os detalhes das próximas etapas do programa que tem o objetivo de ampliar o processo de desenvolvimento social e econômico da chamada região Leste de Mogi (que compreende as regiões do Rodeio, Cesar de Souza chegando até o Botujuru).

Importante destacar que em meados da década passada (cerca de 15 anos passados) já se falava nos bastidores do governo de Mogi no surgimento de ‘uma nova cidade’ dentro da velha Mogi.

Essa nova cidade seria erguida exatamente na região do Rodeio e incluiria investimentos do Poder Púbico e da iniciativa privada.

De acordo com o secretário de Planejamento e Urbanismo do governo de Mogi a execução +MogiEcotietê representa/representará mais uma etapa da construção dessa nova cidade que, na teoria e na prática, garantirá mais desenvolvimento para toda o município que completará 460 anos em meio a bastante turbulência (política/econômica e de saúde – em razão da pandemia de Covid-19), mas que não abre mão de seguir em frente.

Compromisso com futuro: “O que normalmente se faria em 25 anos, vamos executar em cinco anos”, destaca secretário

“Após essa autorização do Senado Federal, o próximo passo será a definição nos próximos 15 ou 20 dias de algumas questões administrativas para em seguida a prefeitura de Mogi assinar (com a Corporação Andina de Fomento (CAF), no valor de até US$ 69.439.000,00) o contrato. Depois da assinatura do contrato a prefeitura de Mogi poderá utilizar os recursos dessa operação de crédito externo para a execução das obras do programa +MogiEcotietê”, explica o secretário de Planejamento e Urbanismo da prefeitura de Mogi, Cláudio de Faria.

Faria há dois anos monitora cada movimentação desse programa até a autorização concedida (para o financiamento) no último dia 23 pela presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM).

Uma prova da complexidade dessa operação de crédito está no fato de que é o governo federal quem assume o delicado papel de fiador da prefeitura de Mogi neste empréstimo como destaca a resolução do Senado que trata do assunto (III – garantidor: República Federativa do Brasil).

“Essa autorização é mais uma prova da saúde financeira da prefeitura. Ela revela também que o governo de Mogi não ficou esperando para levantar os recursos de que a cidade precisa para construir o seu futuro, o atual governo foi atrás deste investimento”.

“Por outro lado, devemos destacar uma característica importante desse programa que é o seu caráter de integração de diversas frentes relacionadas ao desenvolvimento sustentável das cidades. Tradicionalmente os governos municipais buscam recursos para problemas de saneamento, mobilidade infraestrutura de forma separada”.

“Este programa integra três ações e dessa forma o que poderia levar 25 anos para ser executado, será feito em cinco anos”, argumenta o secretário de Planejamento que não descarta a possibilidade de o contrato internacional ser assinado já nos primeiros dias deste mês de julho.

“Depois da assinatura do contrato para publicar os editais das licitações para a contratação da obras”, acrescenta Faria.

Eixo socioambiental será o primeiro a ser licitado: região Leste da cidade ganhará dois nos parques até 2022

Como já foi amplamente divulgado o Programa + Mogi Ecotietê está dividida em três eixos: socioambiental, saneamento básico e mobilidade e desenvolvimento urbano.

E, de acordo com o secretário de Planejamento e Urbanismo de Mogi, os investimentos serão iniciados pelo eixo socioambiental que prevê a construção de dois novos parques (localizados na rua Antonio de Almeida e na avenida Francisco Rodrigues Filho), além da ampliação do Parque Centenário e da recuperação das áreas verdes próximas ao rio Tietê.

O investimento total poderá chegar aos R$ 22 milhões, segundo destacou o secretário.

“A nossa expectativa é de entregar o primeiro parque que será instalado na avenida Francisco Rodrigues Filho em um prazo de nove meses. O outro parque ( projetado para a região da rua Antônio de Almeida) deverá ficar pronto e dois anos”, detalhou o secretário que chamou a atenção para o fato de o contrato internacional prevê quando deverá ser investido em cada ano pela prefeitura de Mogi.

“Esse ano já teremos de fazer os primeiros investimentos, sendo que volume de recursos aplicados será consideravelmente ampliado (conforme o contrato) em 2021”, acrescentou o principal assessor do prefeito Marcus Melo para a área de Planejamento e Urbanismo.

Confira como serão feitos os desembolsos a partir deste ano para Mogi

O cronograma estimativo de desembolsos do +MogiEcotietê prevê o seguinte: US$ 7.291.095,00 (sete milhões, duzentos e noventa e um mil e noventa e cinco dólares dos Estados Unidos da América) em 2020; US$ 23.262.065,00 (vinte e três milhões, duzentos e sessenta e dois mil e sessenta e cinco dólares dos Estados Unidos da América) em 2021; US$ 20.137.310,00 (vinte milhões, cento e trinta e sete mil e trezentos e dez dólares dos Estados Unidos da América) em 2022; US$ 12.499.020,00 (doze milhões, quatrocentos e noventa e nove mil e vinte dólares dos Estados Unidos da América) em 2023 e US$ 6.249.510,00 (seis milhões, duzentos e quarenta e nove mil e quinhentos e dez dólares dos Estados Unidos da América) em 2024.

Obras de mobilidade e para a ampliação do saneamento também serão licitadas e vão gerar até 250 empregos diretos em 2021

O governo de Mogi das Cruzes também irá licitar neste segundo semestre de 2020, obras dos outros dois eixos que integram o programa que terá de ser finalizado, de acordo com o contrato a ser assinado, até o ano de 2024.

O eixo de mobilidade e desenvolvimento urbano inclui a construção da avenida Parque (Corredor Ambiental Ecológico Sustentável – CAES), sistema de vias e intervenção urbanística em Cezar de Souza.

Outra ação será a implantação de 30 quilômetros de ciclovias interligando os parques e o Corredor Ambiental Ecológico Sustentável, bem como a construção de uma passarela sobre o rio Tietê.

No total, serão 6,2 km de CAES, 3 novas transposições e ciclovias, com um investimento de R$ 143,9 milhões.

Na área de saneamento básico, o Programa + Mogi Ecotietê prevê a ampliação da capacidade da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Cezar de Souza, que passará de 142 para 460 litros por segundo.

Também serão implantadas redes de abastecimento de água e de coleta de esgoto em Cezar de Souza, além do saneamento ambiental do Córrego Lavapés e Córrego dos Corvos.

“Avaliamos que em 2021 já atingiremos o pico das obras, pois teremos frentes (de trabalho) em obras dos três eixos do projeto. No auge das obras (que deverá acontecer em 2021 e se estender para 2022) pelo menos 250 empregos diretos serão gerados e sabemos que para cada emprego direto, são criados ao menos três ou quatro indiretos”, destacou o secretário Cláudio de Faria.

Ele ressaltou que este grande pacote de obras pretende fazer frente ao grande crescimento que a região do Rodeio e de Cesar de Souza tem experimentado ao longo dos últimos anos e que deverá ter continuidade nesta década.

Trem da CPTM até Cesar de Souza e uma (mais uma) nova cidade ao longo da avenida das Orquídeas

A proposta ou o desejo de muitos mogianos de levar os trens da CPTM até o distrito de Cesar de Souza não chega a ser uma novidade.

Desde o inicio do século (especialmente por ocasião do lançamento de novos empreendimentos imobiliários) esse sonho/projeto foi resgatado.

Mas, dessa vez, quando a ideia ou sonho de se estender os trens de passageiros da estação Estudantes (perto do shopping) até César de Souza o distrito já estará em outro patamar (se comparado com o que o distrito era no final do século passado e nos primeiros anos deste século) e, portanto, o pedido/cobrança para a linha da CPTM seja estendida será vista com outros (bons) olhos pelo governo do Estado e a própria CPTM.

Essa é a expectativa do secretário de Planejamento e Urbanismo de Mogi, Cláudio de Faria Rodrigues.

Na conversa com a reportagem do Jornal Oi, o secretário observou que as obras Programa + Mogi Ecotietê darão um novo impulso ao distrito uma vez que o acesso viário será ampliado e a região também será beneficiada com os efeitos dos investimentos socioambientais.

No caso com a construção dos dois parques que serão licitados nas próximas semanas.

Além disso, destacou o secretário, a região de Cesar de Souza é um dos vetores de crescimento da cidade, conforme prevê o Plano Diretor da cidade que acaba de ser revisado.

Neste contexto a confluência de investimentos públicos e privados (leia-se da incorporadora Helbor em especial) vão dar consistência e viabilidade para que o velho sonho de muitos mogianos (que é levar o trem até Cesar de Souza) poderá se materializar.

Se a expectativa gerada no início do século para o surgimento de uma nova cidade no perímetro compreendido entre o Rodeio e Cezar de Souza está se consolidando, a abertura da avenida das Orquídeas (que liga os distritos de Jundiapeba e Braz Cubas com Suzano pela parte Leste das duas cidades) já faz Mogi projetar uma ‘outra cidade’ que será erguida ao longo dessa década no entorno e na extensão da avenida das Orquídeas.

“O Plano Diretor de Mogi prevê para essa região o que os especialistas chamam de MasterPlan onde poderão ser erguidos prédios mistos para moradia e atividades comerciais”.

“A prefeitura ainda não recebeu nenhum projeto que contemple essa nova cidade que estamos planejando para essa região, mas o perfil e a vocação dessa parte da cidade já estão definidos e a avenida (inaugurada em 2019) é a base desse novo vetor de crescimento e desenvolvimento”, disse o secretário.

Nesse final de semana o prefeito Marcus Melo reforçou a importância da avenida das Orquídeas.

“Jundiapeba tinha um problema grave de mobilidade. Seus moradores tinham dificuldades de chegar ao centro de Mogi e também para acessar as outras cidades da região pela antiga SP-66”.

“Em determinados horários, o trânsito fica completamente travado. A avenida das Orquídeas não apenas melhorou a mobilidade da população, mas também criou um novo vetor de crescimento econômico. Em alguns anos, toda aquela imensa área estará ocupada por novos empreendimentos que vão gerar muitos empregos”.

Em meio à tempestade perfeita o prefeito Marcus Melo, ao garantir o desenvolvimento de Mogi, prova que é o gestor esperado

Nos 15 anos (compreendidos entre os anos de 2000 e 2015) os governos dos ex-prefeitos Junji Abe e Marco Bertaiolli (cada um deles cumpriu dois mandatos consecutivos) demonstraram muita competência para surfar a onda do ‘desenvolvimentismo progressista tupiniquim’ promovido pelos governos do PT.

Apesar de serem escandalosamente criticados e atacados e terem promovido muitos investimentos pelo País afora (no Alto Tietê, Mogi das Cruzes foi a cidade que de forma disparada foi a que melhor surfou essa onda) ao custo do aumento absurdo da divida pública, os governo do PT garantiram que Mogi, cidade conservadora e liderada por políticos conservadores, subisse de patamar de forma consistente no que se refere a investimentos dos governos federal e estadual.

Isso ocorreu porque Junji e Bertiaolli fizeram a lição de casa, ou seja, entenderam rapidamente que se elaborassem bons projetos (isso foi feito pelo ex-secretário João Francisco Chavedar e sua equipe) poderia conseguir grandes investimentos do governo federal.

Isso deu muito certo, mas o fato é que a fase dos grandes investimentos dos governos do PT passou, a ex-presidente Dilma foi afastada do poder em 2016 e o Brasil literalmente ‘parou’ no que se trata de investimentos do governo federal.

A ‘tempestade perfeita’ atingiu o governo do prefeito Marcus Melo logo em seu início. Melo teve de enfrentar duas missões impossíveis a partir de janeiro de 2017.

A primeira foi manter a grande quantidade de serviços públicos criados por Junji e Bertaiolli (exatamente por conta dos investimentos dos governos federal e estadual realizados até 2015 na cidade) e a segunda (missão impossível) foi a necessidade de o novo prefeito ter de ‘se virar’ para que Mogi continuasse a investir em sua infraestrutura (sem o dinheiro dos governos federal e estadual).

Isso em meio à crise que acabou sendo agravada neste ano pela pandemia de Covid-19.

Desde 2018 nas diversas vezes em que conversou com o Jornal Oi, o prefeito Marcus Melo alertou para o fato de que não iria contar e nem esperar por investimentos do governo federal (liderado primeiro por Temer e agora por Bolsonaro) e por isso todos os esforços da administração foram aplicados na obtenção desse financiamento que garantirá à Mogi, mais uma vez, avançar rapidamente para o seu futuro.

Neste contexto e em um cenário de nenhuma perspectiva de o governo federal fazer os investimentos de que tem obrigação (afinal fica com a maior fatia do bolo tributário), o governo do prefeito Marcus Melo está se virando para garantir o futuro de Mogi e dos mogianos.

As iniciativas, ações e resultados do governo do prefeito Marcus Melo não é o que os velhos políticos chamavam (sem praticar) de boa gestão?

De não ficar dependendo de recursos públicos quando eles não estão disponíveis?

O fato é que a velha Mogi continuará avançando e gerando novas cidades dentro da velha e histórica cidade.