Mesmo os politiqueiros, deveriam respeitar as crianças. Nem as crianças estão sendo poupadas da politicagem eleitoreira. É para vacinar ou não é para vacinar?
Em nota, o governo de São Paulo diz lamentar a decisão do Ministério da Saúde por dizer que ela vai na contramão de autoridades sanitárias de outros países/ Foto: Divulgação
Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde

A politicagem brasileira (especialmente aquela promovida pelo desgoverno Bolsonaro e municiada e retroalimentada pelo governo de SP) decidiu seguir além do fundo do poço nos últimos dias com o inacreditável bate cabeça entre o desgoverno federal, os governos estaduais e os municipais e em relação à vacinação contra a Covid dos jovens com 12 anos ou mais.

Não faz muito tempo as crianças eram poupadas dos horrores da politicagem eleitoral e eleitoreira, mas o Brasil afundou em um nível de degradação tão bizarro que políticos e grupos políticos não tiram mais as ‘crianças da sala’ para promoverem as suas baixarias mais asquerosas.

É o que temos escrito com alguma frequência neste espaço, no Brasil de Bolsonaro tudo o que está ruim pode piorar e tudo o que piora pode ficar péssimo de forma assustadora e paralisante.

O fato é que do nada o Ministério da Saúde recomendou a suspensão da vacinação contra Covid-19 de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades no país.

A recomendação surgiu em uma nota técnica divulgada na quarta-feira, 15.

Passa a ser recomendada a vacinação nesta faixa etária somente em adolescentes que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade.

Na quinta-feira, 16, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro informaram que não vão aderir à recomendação neste primeiro momento, e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conasens (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) enviaram um ofício à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pedindo um posicionamento da agência sobre a recomendação.

Isso porque a Anvisa autorizou o uso da vacina Cominarty (Pfizer/Biontech) nesta faixa etária, mesmo em pessoas sem comorbidades.

A nota técnica não informa uma diretriz para a segunda dose dos adolescentes que já foram vacinados e não dá detalhes de como os adolescentes terão que comprovar que estão elegíveis para se vacinarem.

“Destacamos que a orientação da NOTA TÉCNICA 36/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS estabelecia que os adolescentes sem comorbidades seria o último subgrupo elegível para vacinação e somente vigoraria a partir do dia 15 de setembro. Outrossim, reafirmamos que Estados e Municípios sigam as orientações do Programa Nacional de Operacionalização da Covid-19”, descreveu a nota.

Em nota, o governo de São Paulo diz lamentar a decisão do Ministério da Saúde por dizer que ela vai na contramão de autoridades sanitárias de outros países.

E por insistir em praticar e naturalizar aberrações como essa e outras é que o Brasil acelera na contramão da civilidade. Tudo isso é inacreditável e inaceitável.