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Maria Osmarina da Silva Vaz de Lima (63 anos), nasceu em Rio Branco, mais precisamente em uma pequena comunidade conhecida como Breu Velho, no Acre. Seus pais, nordestinos, tiveram 11 filhos e três morreram. Quando tinha 15 anos de idade, sua mãe infelizmente faleceu. Com uma vida difícil e inspiradora, Marina Silva é a líder que Inspira desta quarta-feira (10) e você, caro leitor, vai acompanhar um pouco da trajetória de vida da mulher que foi senadora, ministra e candidata três vezes a presidência da república.

“A vida no seringal era difícil. Eu acordava sempre às 4h da manhã, coletava uns gravetos, acendia o fogo, fazia o café e uma farofa de banana perriá com ovo. Esse era o nosso café da manhã” Declara Marina Silva.

Logo depois do café, Marina juntamente com suas seis irmãs e o único irmão, percorriam aproximadamente cinco quilômetros na estrada de seringa fazendo o corte das seringueiras e colocando as tigelinhas. No final da tarde, realizavam o mesmo percurso e retiravam a boa recompensa, o látex.

Marina detalha, em sua biografia, que durante a adolescência sonhava em ser freira, entretanto na época, sua avó sempre afirmou que as beatas tinham que saber ler, algo que Marina, não possuía conhecimento.

Aos 16 anos, Marina Silva contraiu hepatite. Seu histórico de saúde, ainda inclui diversas complicações, como, cinco malárias e uma leishmaniose. Com a permissão de seu pai, Marina Silva foi a Rio Branco, em busca de tratamento médico e aproveitou a oportunidade para se dedicar à vida religiosa e, também, aos estudos.

Na capital do Acre, passou a trabalhar como doméstica para se sustentar. Marina Silva, superou-se e foi uma simples estudante de Mobral, no qual aprendeu a ler e escrever, até a graduação em licenciatura em História pela Universidade Federal do Acre.

Mesmo com muitas dificuldades, Marina se formou em duas pós-graduações, a primeira em Teoria Psicanalítica e Psicopedagogia. A vocação social de Marina se revelou após o fim de sua adolescência, quando um dia, ao ser incentivada por um cartaz afixado na igreja em que frequentava, decidiu fazer um curso de liderança sindical rural, ministrado pelo teólogo Clodovis Boff e pelo líder seringueiro Chico Mendes. Sua dedicação ao curso foi admirável, e deste modo, ela conseguiu aproximação com Chico Mendes, que passou a lhe enviar publicações de sindicatos dos trabalhadores rurais.

A partir deste momento Marina Silva abandona o sonho de ser freira e passa a se dedicar à luta social. Próxima de Chico Mendes, ela participou dos chamados “empates”, que eram táticas de resistência contra o desmatamento do qual participavam os seringueiros, suas mulheres, seus filhos, todos os que vivem nos seringais. De mãos dadas, eles entravam na mata e faziam uma corrente que impedia a destruição da floresta.

Durante o ano de 1984, Marina Silva ajudou a fundar a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Acre. Marina disputou seu primeiro cargopúblico em 1986, concorrendo a uma vaga na Câmara dos Deputados. Ficou entre os cinco mais votados, mas o partido não atingiu o quociente eleitoral mínimo exigido.

Dois anos depois iniciaram-se os sucessos eleitorais de Marina, ao se eleger vereadora, sendo a mais votada de Rio Branco. Entre suas medidas de destaque durante o mandato, foi o devolver o dinheiro de gratificações e outras mordomias que os demais vereadores recebiam sem questionamento. E pela primeira vez na história, divulgava nos jornais o valor de seus vencimentos, a partir daquele momento a população soube quanto recebia um parlamentar de Rio Branco.

Em 1990, Marina se elegeu Deputada Estadual pelo Acre, novamente com uma votação recorde. Em Janeiro de 1994, aos 35 anos, chegou a Brasília como a senadora mais jovem da história da República. Foi reeleita em 2002, com votação quase três vezes superior à anterior.

No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina Silva foi escolhida para ser ministra do meio ambiente, ela procurou transformar a questão ambiental em um política de governo, que quebrasse o tradicional isolamento da área. Marina conseguiu impor diversas medidas para defender o Meio Ambiente durante sua passagem pelo ministério.

Em 13 de maio de 2008, pediu demissão do ministério. Em carta ao presidente Lula (PT), afirmou que deixava o cargo por conta das dificuldade que enfrentava dentro do governo.

“Esta difícil decisão, Sr. Presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal”, Declarou Marina Silva em carta ao ex-presidente.

Em 19 de agosto de 2009, Marina Silva decidiu deixar o PT. Onze dias depois, anunciou sua filiação ao Partido Verde (PV). Em 2010, Marina Silva disputou a Presidência da República pelo PV, com Guilherme Leal como vice.

Marina relata que o principal objetivo de sua candidatura era promover um acordo social no Brasil que integrasse avanços dos governos passados e apontasse para uma economia de baixo carbono.

Marina enfrentou diversas dificuldades nas eleições de 2010, entre elas o pouquíssimo tempo de propaganda eleitoral, somente 1 minuto e 23 segundos, muito abaixo de seus principais adversários. Foi quando a candidata decidiu fazer uso das redes sociais, algo primordial para ela conseguir alcançar 19,6 milhões de votos. Ela ficou em terceiro lugar.

Em 2013, Marina Silva teve negado o registro da Rede Sustentabilidade como partido pelo TSE e ex-senadora e ministra surpreendeu então a todos, quando anunciou uma aliança programática com o governador Eduardo Campos, pré-candidato a presidente pelo PSB. Em 28 de Junho de 2014, as convenções realizadas pelo PSB e dos outros partidos da coligação oficializaram então a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República e de Marina Silva como vice.

Eduardo Campos e Marina Silva se dedicam nas semanas seguintes a apresentar aos brasileiros as propostas da coligação para a criação de um Brasil mais justo, próspero e sustentável. Em 13 de agosto de 2014, ocorre uma tragédia que chocou o Brasil. O avião que conduzia Eduardo Campos para um evento de campanha cai na cidade paulista de Santos.

Morrem o candidato a presidente da República e seus assessores Pedro Valadares, Carlos Percol, Alexandre Severo Gomes e Marcelo Lyra, além dos pilotos Geraldo da Cunha e Marcos Martins.

Em 20 de agosto, a Executiva Nacional do PSB confirma Marina Silva como candidata à Presidência da República. O candidato a vice-presidente é o deputado federal Beto Albuquerque.

Durante a campanha de 2014, com chances reais de vencer as eleições, Marina Silva passa a sofrer um bombardeio de mentiras e ofensas em escla raramente vista na história da República brasileira. Apesar de alvo principal dos ataques realizados por Dilma e Aécio, e com um tempo muito curto de propagando eleitoral na TV, Marina Silva consegue obter 22 milhões de votos e fica em terceiro lugar.

Depois das eleições de 2014, Marina voltou à sala de aula para trabalhar e “ganhar o pão de cada dia”, como costuma dizer: “sou uma professora, fui convidada pra dar aula na Fundação Dom Cabral, porque um político que não tem nenhum envolvimento em casos de corrupção, depois que termina o mandato tem que voltar a trabalhar, e foi isso que eu fiz”.

Em 22 de setembro de 2015, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) defere o registro da Rede Sustentabilidade por unanimidade. No período em que Marina foi porta-voz da REDE, o partido ajudou a cassar os mandatos de Eduardo Cunha (PMDB), Delcídio do Amaral (PT) e pediu a cassação de Aécio Neves (PSDB), Paulo Maluf (PP) e vários políticos envolvidos em corrupção. Além disso, lutou para impedir a anistia do caixa dois e entrou Supremo Tribunal Federal (STF) para proibir réus na linha sucessória da Presidência.

Além das atividades partidárias, Marina fez quase 600 palestras passando por todos os estados brasileiros e em quase todos os países da América Latina. Foi convidada para palestrar em universidades de prestígio internacional como Sorbonne,

Columbia, Harvard, MIT, Chicago e Brown. Também esteve na Europa e na Ásia, conhecendo iniciativas inovadoras voltadas para o desenvolvimento sustentável.

Em 2018 Marina Silva foi pela terceira vez candidata a presidência da república e obteve um pouco mais de 1 milhão de votos.

Inspiradora, Marina Silva completou 63 anos na última segunda-feira e mesmo com as dificuldades impostas pela sua vida no início de sua trajetória a ex-senadora demosntrou que é possível criar uma agenda sustentável para o país. O futuro de Marina Silva nas eleições de 2022, segue sendo uma incógnita.