Tenda Atacado

Em uma entrevista exclusiva o diretor-geral da Faculdade Piaget, Marcus Rodrigues, abre o jogo sobre os desafios que a instituição de ensino enfrentou neste primeiro semestre por causa da pandemia de Covid-19.

Na conversa o diretor ressalta que a instituição já está pronta para o retorno das aulas presencias que deverá ocorrer até setembro.

Jornal Oi – Quais foram os principais desafios que a Faculdade Piaget (direção, professores e alunos) teve de enfrentar desde o início dessa pandemia e do isolamento social?

Marcus Rodrigues: A pandemia trouxe desafios para toda a sociedade e também ao ensino superior. Porém, a Faculdade Piaget agiu rapidamente e em duas vertentes, inicialmente: continuidade das aulas sem que houvesse comprometimento da qualidade do ensino e do calendário letivo e medidas no campo financeiro, como a criação de um plano emergencial para auxiliar os estudantes num momento de grande indefinição.

Quanto às aulas, tão logo teve início o isolamento social, professores e estudantes foram comunicados da quarentena e de como seriam as atividades, por meio de avisos pessoalmente, por meio da direção geral e acadêmica, antes mesmo que comunicados fossem publicados nos canais e redes sociais oficiais da instituição.

A comunicação direta foi uma forma de tranquilizar a comunidade acadêmica e manter a garantia da continuidade dos estudos.

Tanto que as aulas presenciais foram suspensas num dia e no outro já estavam acontecendo em ambiente virtual, de forma remota, com a interação em plataformas digitais entre professores e alunos, com a utilização de todas as ferramentas tecnológicas disponíveis.

O corpo docente, fazendo jus à sua alta qualificação, buscou novas metodologias de ensino adequadas para a aprendizagem dos alunos diante da nova realidade e meios digitais.

No aspecto financeiro, a Faculdade Piaget adotou medidas de negociação, como a possibilidade de quitação das mensalidades com parcelamento em 3 vezes no cartão sem juros.

Outra ação foi a criação de um Plano de Parcelamento Piaget – Emergencial (PPP-E), para os meses de abril, maio e junho, que permitiu ao aluno reduzir o valor da mensalidade em até 30% de forma rápida e desburocratizada, sem a necessidade de fiador ou avaliação de crédito, e o residual poderá pagar em seis parcelas iguais e sem juros.

E ainda a possibilidade de negociação flexibilizada, conforme a necessidade individual do estudante, em contato direto com o departamento financeiro.

As medidas trouxeram resultado positivo, com menor inadimplência e baixa taxa de desistência. Ou seja, mais alunos, com a possibilidade de negociação, conseguiram manter os estudos, não precisaram interromper o sonho de conquistar um diploma, uma profissão e um futuro melhor.

Vale ressaltar que, no mesmo período, todos os empregos foram mantidos, de professores e colaboradores. Além disso, a faculdade passou por amplos serviços de manutenção.

No momento, o campus está sendo preparado, fisicamente, para o retorno às aulas. Também foram abertas inscrições do vestibular para o segundo semestre, só que agora com provas totalmente online 24 horas por dia e totalmente gratuitas.

Jornal Oi – Esse primeiro semestre está chegando ao final, qual é o saldo desse período para a Piaget em Suzano?

Marcus Rodrigues: Acreditamos que, apesar das dificuldades encontradas e dos desafios, que foram superados, o semestre chega ao fim com bom resultado no que concerne às atividades letivas, além de toda a experiência e bagagem que a instituição adquiriu diante de tão grande desafio.

Com as aulas remotas com grande adesão dos estudantes foi possível cumprir integralmente o calendário acadêmico proposto no início do semestre, quando ainda tínhamos as aulas presenciais e pactuado com os alunos no inicio das atividades remotas.

Algumas datas finais foram ajustadas ao ritmo necessário, mas a carga horária determinada pelo Ministério da Educação foi cumprida.

Também conseguimos manter atividades importantes nesse período, como a VII Semana Científica, com palestras e debates em diversos cursos com convidados especiais, e o Encontro de Egressos, tudo isso em ambiente virtual e com grande participação dos alunos.

O meio digital nos trouxe novas possibilidades, como, por exemplo, a participação, nesses eventos, de diversos convidados internacionais que não poderiam se deslocar até o campus em condições “normais”. O meio virtual e digital é bastante acessível nesse sentido.

Jornal Oi – Houve avanços ou os prejuízos foram inevitáveis?

Marcus Rodrigues: A experiência adquirida com a superação dos desafios é um avanço importante. E, mais ainda, a preservação da saúde e da vida de todos.

Jornal Oi – Professor, já é possível prever o segundo semestre ou isso é impossível ainda.

Até o início desse ano a Piaget vinha em uma crescente no número de cursos, de matriculas e de participação nos debates sobre o desenvolvimento de Suzano e região. Esse crescimento poderá ser retomado já no segundo semestre ou será necessário mais tempo?

Marcus Rodrigues: Recentemente, o Ministério da Educação publicou portaria que autoriza cursos remotos até o final do ano em razão da pandemia.

Isso permite que as instituições de ensino superior possam se organizar para as atividades letivas do segundo semestre.

Porém, o governo do Estado de São Paulo anunciou nesta quarta-feira, 24 de junho, o plano de retomada da Educação.

Com isso, a previsão para a retomada das atividades de forma presencial é 8 de setembro, a depender das condições de evolução da doença no estado de São Paulo.

A Faculdade Piaget pretende retomar as atividades presenciais o mais rapidamente possível, com toda a segurança para a comunidade acadêmica, tão logo ocorra a autorização oficial por parte das autoridades do Estado e do município de Suzano.

Todas as medidas de segurança já foram planejadas e preparadas para implantação, tais como: controle de acesso com aferição da temperatura com a recente aquisição de termômetros sem contato (Infravermelho), uso de tapetes sanitizantes, uso obrigatório de máscaras em todas as dependências do campus por alunos, professores e colaboradores, distanciamento mínimo obrigatório de 1,5m entre carteiras e outros mobiliários, pontos com álcool em gel, intensificação da limpeza das instalações, reforço na orientação e conscientização sobre medidas de prevenção, novas câmeras HD de vigilância eletrônica para o monitoramento, entre outras ações.

Vale destacar que o campus da Piaget em Suzano foi construído especificamente para o ensino superior, por isso, as salas de aula são amplas, o que favorece o distanciamento necessário, bem como são arejadas e bem ventiladas, com varandas e janelas, além de ventiladores, desta forma a recomendação de manter os alunos em locais de boa circulação de ar está totalmente contemplada.

Segundo o plano de retomada da Educação anunciado pelo governo do Estado de São Paulo as atividades de educação física, artes e correlatas poderão ser realizadas mediante cumprimento do distanciamento de 1,5 metro, preferencialmente ao ar livre, dessa forma a

Faculdade Piaget estará preparada para a retomada com a finalização da sua Quadra Poliesportiva dentro do campus atualmente em fase final de conclusão de obras.

A Faculdade Piaget vem acompanhando e participando de fóruns das entidades brasileiras representativas do setor, bem como mantendo contato com outras unidades do grupo Piaget no mundo para a troca de experiências e medidas para o retorno seguro das aulas.

A instituição também iniciou o processo de seleção para o segundo semestre com vestibular online e gratuito, 24 horas, sem que o candidato precise ir até o campus fazer a prova. Basta entrar no site www.vestibularpiaget.com.br

O candidato pode consultar valores da graduação que deseja fazer. Também pode conversar com a equipe do vestibular pelo WhatsApp e esclarecer todas as dúvidas.

O novo site do vestibular traz ainda detalhes de todos os cursos, disciplinas oferecidas, mercado de trabalho, entre outras informações.

Ainda na página do curso escolhido, o candidato pode fazer a prova na hora. Tudo sem sair de casa, em segurança.

Jornal Oi – Hoje se fala muito que tudo deverá voltar diferente após a pandemia, no caso da Piaget poderemos falar em uma faculdade antes e outra depois da pandemia ou as mudanças não serão tão radicais?

Marcus Rodrigues: O ensino de qualidade, aprovado e comprovado pelo MEC e pelos bons resultados obtidos nos exames realizados como Enade, continua.

E também os planos de expansão. O que muda, certamente, são práticas do dia a dia, hábitos, que, aliás, toda a sociedade passou a incorporar no cotidiano, como o maior distanciamento entre as pessoas, higienização das mãos, entre outras medidas de prevenção ao vírus que manteremos no decorrer das atividades letivas.

Além do fortalecimento da união e trabalho coletivo do grupo de docentes da Faculdade Piaget, as experiências adquiridas com reuniões e encontros com convidados nacionais e internacionais deverão permanecer, pois esta forma mais prática e dinâmica de troca de experiências será um legado pós-pandemia.

Jornal Oi – Fala-se na grande imprensa que no pós-pandemia haverá um ensino híbrido entre presencial e a distância. É isso que irá acontecer?

Marcus Rodrigues: A Família Piaget descobriu que é possível utilizar as tecnologias para algumas interações remotas, certamente estas experiências serão levadas em consideração para novos projetos como, por exemplo, a utilização de convidados externos nacionais e internacionais nas bancas de Trabalhos de Conclusão de Cursos, Simpósios, Jornadas, Seminários e até mesmo para alguma aula especial.

Mas o DNA da Piaget é oferecer ensino 100% presencial, os alunos procuram a Faculdade por isso, pois sentem a diferença quando comparado a outras instituições, pretendemos manter nosso projeto dessa forma, porém utilizando-se das tecnologias para trazer cada vez mais qualidade e diferenciação ao nosso dia-a-dia.

Jornal Oi – Neste momento a Faculdade Piaget e outras instituições de ensino seguem orientações do MEC e do governo federal, cada um toma as suas decisões, estão todos perdidos em relação ao futuro?

Marcus Rodrigues: A Faculdade Piaget tem um plano sólido de desenvolvimento e crescimento em Suzano, que inclui a expansão na oferta de cursos e, futuramente, da estrutura do campus.

A faculdade foi credenciada com nota máxima do MEC quando iniciou as atividades, e eram sete cursos em 2013, hoje são 15 cursos.

A pandemia pode gerar algum atraso, mas não somente para a Piaget, mas para todo o País, com retração da economia e de outros segmentos.

As diretrizes governamentais passadas são e serão sempre seguidas. A Faculdade Piaget tem um norte a seguir e continuará no seu caminho de formação dos melhores profissionais para a cidade e região, muitos deles nos cursos da área da saúde, para também atuar na pandemia e em seus muitos reflexos.

Hoje temos profissionais formados, inclusive, já atuando em centros de atendimento a pacientes com Covid-19 como, por exemplo, na Arena Suzano.

Vale lembrar que os cursos da Piaget contemplam as áreas de Engenharia, Negócios, Saúde e Humanas, com 15 tipos de graduações: Engenharia Civil, Engenharia Ambiental, Administração, Gestão de RH, Logística, Ciências Contábeis, Direito, Pedagogia, Educação Física (bacharelado e licenciatura), Nutrição, Farmácia, Enfermagem, Estética e Cosmética e Fisioterapia.

Jornal Oi – Que tipo de apoio a Faculdade Piaget e eventualmente outras instituições de ensino superior esperam e precisam (em termos de financiamento, crédito e outras formas de apoio) dos governos federal, estadual e municipal?

Marcus Rodrigues: Sabemos que a pandemia não acometerá apenas a saúde da população, como dito pelos especialistas uma onda de desaceleração econômica poderá ser ainda mais grave do que a onda inicial.

É nesse momento que o poder público em todas as esferas deverá cumprir o seu papel aquecendo todos os setores da economia, pois com uma sociedade mais produtiva e todos os setores aquecidos a crise poderá ser menos devastadora.

A Faculdade Piaget atualmente emprega diretamente mais de 100 colaboradores, e alimenta uma cadeia produtiva local de mais uma centena de serviços que vão desde serviços de manutenção até a compra direta de insumos, e para que a Instituição continue funcionando plenamente gerando empregos há uma enorme necessidade de manter a receita através do pagamento das mensalidades dos alunos, uma vez que não há diminuição de renda e perda de emprego poderá ocorrer uma diminuição no número de alunos levando a um desequilíbrio financeiro da instituição, levando assim a quebra de toda uma cadeia produtiva, e isto poderá ocorrer em diversos setores.

O poder público deverá atuar de forma incisiva ampliando largamente a oferta de financiamento de programas educacionais por meio de programas do governo federal, estadual e até municipal para que a máquina produtiva não pare.

Por sua vez a Faculdade Piaget fez a sua parte, renovando a parceria com todos os programas possíveis oferecidos pelos órgãos públicos atualmente como FIES e Programa Escola da Família.

Jornal Oi – Existe alguma entidade ou associação (ativa e efetiva) que defende os interesses das instituições de ensino superior em um momento como este?

Marcus Rodrigues: As instituições de ensino superior têm entidades representativas: Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) e Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), que dão respaldo às instituições.

Neste momento de diversas mudanças as entidades representativas exercem papel fundamental na defesa dos interesses das instituições de ensino superior.

A Faculdade Piaget tem participado de diversas reuniões, fóruns e seminários mediados pelas instituições representativas com participação direta de representantes do MEC e do Conselho Nacional de Educação (CNE) a fim de estar sempre informada a respeito das recomendações de diretrizes dos órgãos oficiais para garantir a legitimidade nas ações adotadas pela Faculdade Piaget em relação a garantia de formação dos seus alunos.

Jornal Oi – A Piaget está instalada em outros países de Língua Portuguesa, nestes outros países os impactos sofridos pela instituição foram semelhantes os sofridos pela Piaget em Suzano por causa da pandemia?

Marcus Rodrigues: Além do campus em Suzano, o Grupo Piaget mantém universidades e centros universitários em Portugal, Moçambique, Guiné Bissau, Angola e Cabo Verde.

Como praticamente todos os países do mundo, estes também sofreram reflexos da pandemia. Cada qual tem lidado conforme orientações médicas e sanitárias, seguindo o que preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as autoridades governamentais de cada região.

O fato de a Piaget de Suzano pertencer a um grupo educacional internacional nos permite trocar experiências exitosas no combate à pandemia, na proteção da vida dos nossos alunos e colaboradores e, neste momento, também sobre as medidas de retorno às atividades presenciais.

Em Portugal, por exemplo, um dos países da Europa com destaque entre os que melhores resultados e controle tiveram sobre o vírus, as aulas já estão sendo retomadas nas universidades, inclusive, nas unidades do Instituto Piaget.

Compartilhamos conhecimentos e assim nos ajudamos mutuamente, em cooperação internacional.

Jornal Oi – Qual é a mensagem que a direção da Piaget deixa aos alunos, corpo docente, às lideranças políticas e a todos aqueles que reconhecem a importância da Piaget para Suzano e região?

Marcus Rodrigues: Neste momento todos estamos na mesma tempestade, porém sabemos que nem todos estão no mesmo barco, nosso objetivo é manter a nossa Família Piaget unida e salvaguardada no mesmo barco para que possamos atravessar esta tempestade juntos e salvos até um porto seguro.

Nosso objetivo está sendo cumprido integralmente, continuamos até o momento garantindo o emprego de todos os colaboradores e honrando todos os compromissos financeiros assumidos, as aulas foram entregues seguindo rigorosamente o calendário acadêmico, dias e horários cumpridos, provas, apresentação de trabalhos, exames finais todos dentro do cronograma, enfim sobrevivemos a esta etapa graças a coragem e a dedicação de todos, aqueles que aceitaram o desafio e se superaram a cada dia.

Aproveito o final desta etapa para agradecer a cada membro da Família Piaget, alunos, professores, coordenadores, e funcionários que incansavelmente não mediram esforços para manter a nossa escola viva, se reinventando todos os dias para manter viva a chama da educação, que nestes momentos de grande dificuldade talvez seja a única esperança de um dia amanhã melhor.

Prédios fechados, mentes abertas. Obrigado mais uma vez. Força Família Piaget, sabemos que a guerra continua, mas esta batalha foi vencida com louvor graças à dedicação de todos.