Ex-prefeito deixa legado questionável e a Capital de SP nas mãos de um conservador desconhecido
A grande imprensa aponta o fato de o vice ter sido o maior problema de Bruno Covas na campanha do ano passado e destaca também o fato de Ricardo Nunes ser desconhecido e conservador/ Foto: Divulgação
Colégio Eduki

“Bruno Covas deixa legado de luta pela vida como bom político e excelente pai”.

Esse é o título padrão de vários artigos, reportagens e avaliações publicados desde domingo, 16, por vários jornais e sites de informações em relação ao falecimento do político e prefeito de São Paulo, Bruno Covas, aos 41 anos completados em 7 de abril.

Bruno Covas se vai, porém deixa o exemplo de quem lutou, com dignidade, até um fim com muito sofrimento e dor, sobretudo para o filho Tomás, um adolescente de 15 anos, que morava com o pai há três anos.

O exemplo de um bom pai é sempre edificante e nobre. No final de abril, já internado em estado grave, Covas chegou a postar no Twitter que agradecia pela presença constante do filho em seu tratamento.

Frisou que a luta pela vida continuava, porque a vontade de viver era gigantesca. O prefeito teve de suportar, pacientemente, um longo tratamento com quimioterapia e imunoterapia.

Em nenhuma declaração pública, se vitimizou. Apenas demonstrou um inabalável otimismo para o público, mesmo que seu consciente e a realidade de seu quadro clínico lhe dessem todos os motivos para agir de forma contrária.

Formado em Economia e Direito, Bruno Covas foi parlamentar, vice-prefeito de João Doria, prefeito quando o tucano renunciou para disputar o governo estadual e, no ano passado, reeleito para o cargo máximo do executivo municipal paulistano.

Covas sempre foi um conciliador, boa gente, bem humorado, disciplinado no trabalho e que tinha a missão de honrar o legado de seu avô, Mário Covas, senador, governador de São Paulo e um dos fundadores do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que também morreu de câncer.

Bruno Covas até costumava brincar que “não foi uma cegonha que lhe trouxe ao mundo, mas sim um tucano” (ave símbolo do partido).

Destacando a luta de Covas para se manter vivo, qualquer analista que tenha respeito pela inteligência do público tem a obrigação de destacar que em razão do berço e das oportunidades que teve, o legado do ex-prefeito como político é bastante questionável.

Como também é questionável o vice que Covas deixou em seu posto, agora como prefeito.

A grande imprensa aponta o fato de o vice ter sido o maior problema de Bruno Covas na campanha do ano passado e destaca também o fato de Ricardo Nunes (MDB) ser desconhecido e conservador.

O vice e agora prefeito da Capital, conservador, teria sido a estratégia de Covas e do PSDB para atrair os bolsonaristas?