Dicas para manter a saúde mental em dia
Durante a pandemia de covid-19, metade dos jovens sentiu impactos na saúde mental, segundo pesquisa do laboratório Pfizer/ Foto: Divulgação
PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI DAS CRUZES

Por: Carlos Fernando Foganholi

Falar nos dias de hoje sobre “saúde mental” ainda causa estranhamento e reações inusitadas, pois, infelizmente há um certo preconceito estrutural que estigmatiza o portador de qualquer distúrbio ou síndrome dessa ordem de “louco ou maluco”, criando neles uma reação de imediata negação.

Esse processo de estigmatização gera, além da negação, outros tipos de reação. Faz com que, por exemplo, mesmo aqueles que buscam uma ajuda especializada, o façam de forma retraída, omitindo fatos, emoções e sentimentos, sem se falar naqueles que cultivam a mentalidade de que saúde mental é luxo, possível apenas aos mais afortunados.

Ledo engano. Saúde mental é um fato. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do IBGE, apontam um crescimento significativo do número de casos de depressão no Brasil.

Segundo a pesquisa, 16,3 milhões de pessoas com mais de 18 anos sofrem da doença, um aumento de 34,2%, de 2013 para 2019.

Em alguns Estados, como Rondônia, o incremento foi de 70%. Na Paraíba já são mais de 220 mil diagnosticados. No Espírito Santo, 350 mil. São índices assustadores.

No atual contexto a coisa só piora. Durante a pandemia de covid-19, metade dos jovens sentiu impactos na saúde mental, segundo pesquisa do laboratório Pfizer.

Segundo o estudo, 39% das pessoas na faixa de idade entre 18 e 24 anos disse que a saúde mental ficou ruim no período e 11% responderam que ficou muito ruim. Na amostra total, 5% disseram que a saúde mental está muito ruim e 25% ruim, totalizando 30%.

Mas, independentemente da área, se faz necessário compreender “saúde” do ponto de vista conceitual.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o termo é utilizado para descrever um estado de “COMPLETO BEM-ESTAR FÍSICO, MENTAL E SOCIAL”, um conceito bem mais amplo e complexo que a ausência de afecções e enfermidades.

Já quando se trata especificamente do tema saúde mental, a OMS diz que “A SAÚDE MENTAL É DETERMINADA POR UMA SÉRIE DE FATORES SOCIOECONÔMICOS, BIOLÓGICOS E AMBIENTAIS”.

Vivemos hoje num mundo bastante conturbado e estamos inseridos num contexto onde a velocidade das coisas faz com que a sociedade num todo se transforme numa velocidade que nem sempre é acompanhada por nossa mente, acarretando muitas vezes sobrecargas mentais com origens diversas e podendo estar associados tanto a questões sociais, psicológicas e biológicas: estresse, conflitos familiares e afetivos, luto, perdas repentinas ou não, desemprego, violência, medos, fatores genéticos entre outros.

A verdade é que se sua mente, sentimentos e emoções não estão bem, seu corpo físico sofrerá revezes.

Uma vez que a situação não é tratada pode se iniciar um processo chamado de somatização que é justamente a soma das doenças físicas derivadas das mentais, formando uma equação cada vez mais complexa de solucionar.

O (a) paciente vai em busca de ajuda especializada para aquela dor de cabeça constante, ou para aquele descontrole das funções menstruais.

Um simples desconforto estomacal, cansaço, faz exames que nada detectam, pois, a causa não está no corpo e sim na mente.

A ajuda de um profissional qualificado e devidamente habilitado é fundamental, mas, deixaremos aqui algumas pequenas dicas que, embora sejam simples somadas ao tratamento adequado podem dar resultados incríveis.

Olhe para si, tenha tempo para si, busque aceitar-se como é, e viva sua vida, nunca queira ser como outra pessoa. Seja ativo. Faça atividades físicas, caminhe, pedale, faça um esporte. Buscar novas habilidades também é uma dica excelente por exercitam o cérebro.

Aquele curso de línguas que você vem postergando há anos, aquele instrumento musical que você comprou e nunca tirou da caixa ou mesmo uma atividade de cunho social.

Busque estar com aqueles que você ama, reserve sempre um tempo para família e amigos, esqueça o celular em casa e faça aquela visita para aquele amigo que você não vê há um ano, converse, sorria e abrace ele.

Relaxe, assista uma boa série, programe um passeio com os filhos, leia um bom livro ou outra atividade que lhe proporcione prazer e interação.

Durma bem, alimente-se melhor ainda com comida DE VERDADE, fuja dos fast foods e dos alimentos ULTRAPROCESSADOS.

Olhe para si, reflita sobre si. Como estão minha mente, emoções e sentimentos? Busque ajuda PROFISSIONAL sempre que não estiver bem, você não precisa sofrer sozinho, conte com a sua rede de apoio.

Carlos Fernando Foganholi, médico, ativista social e articulista Político.