Tenda Atacado

O Jornal Oi ganha nesta semana um reforço para o time de articulistas, trata-se de Alexandre Padilha, que é atualmente deputado federal pelo Partidos dos Trabalhadores e durante o mandato de Dilma foi ministro da saúde, quando desempenhou trabalhos de extrema relevância para o país e ficou nacionalmente a popularmente conhecido.

Semanalmente Alexandre Padilha deve ceder aos leitores do Jornal Oi um artigo na qual opina sobre um teme específico da política nacional, com uma análise técnica e respeitosa.

Alexandre Padilha, é formado em medicina pela Universidade Estadual de Campinas, entre os anos de 1991 e 1993, foi membro do diretório estadual do PT. Padilha também fez parte coordenação nacional das campanhas de 1989 e em 1994. Foi ministro da saúde no governo de Dilma Rousseff e em 2014, candidato ao governo do estado de São Paulo, quando ficou em terceiro lugar e saiu derrotado nas eleições.

Em 2018, foi eleito deputado federal por São Paulo com 87.576 votos.

O Jornal Oi, já destaca nesta matéria o primeiro artigo de Alexandre Padilha (PT).

Porque o programa Farmácia Popular não pode acabar

Por Alexandre Padilha

Na maior crise sanitária causada pela pandemia da covid-19 no mundo, o governo brasileiro mostra, mais uma vez, que tem lado e não é aquele dos que mais precisam. Dessa vez, a ideia é extinguir o Farmácia Popular, programa que garante até 90% de descontos em anticoncepcionais, tratamento de Parkinson, glaucoma e osteoporose, e dá de graça remédios de uso continuo para hipertensão, diabetes e asma.

Ao invés de taxar os bilionários que aumentaram ainda mais suas riquezas durante a pandemia da covid-19, reduzir os gastos com as Forças Armadas ou cartões corporativos da Presidência da República, o governo escolhe acabar com o Farmácia Popular, programa que garantiu acesso e atende mais de 20 milhões de brasileiros por ano.

A gratuidade dos medicamentos para hipertensão, asma e diabetes, foi anunciada em 2011, quando era Ministro da Saúde. Também ampliamos o número de unidades credenciadas no país, sua maioria localizada nas regiões com altos índices de vulnerabilidade.

Essa ampliação de acesso aos medicamentos junto com a garantia do atendimento médico
com o Mais Médicos, fortaleceu a Atenção Básica em Saúde. Essa ação integrada foi responsável pela redução da taxa de internação de pacientes com hipertensão, diabetes e
asma, e também de custos para o SUS.

As maldades com o Farmácia Popular iniciaram no governo de Michel Temer, que puxou o
freio de mão na destinação de recursos e também pela Emenda Constitucional (EC) 95/2016, que congelou os investimentos destinados à saúde por 20 anos. Unidades foram fechadas em todo o país e cerca de sete milhões pessoas deixaram de ser atendidas.

Agora, o governo Bolsonaro, além de não investir na recuperação do programa, quer extingui-lo de vez. O que mais impressiona, além da falta de sensibilidade, é a ausência de sensatez para administração pública.

O governo Bolsonaro erra na condução dessa gestão ao querer acabar com um programa que é um importante mecanismo para criação de empregos, expansão do setor e ajuda na
alavancagem da economia e indústria do país. A medida também colabora com a superlotação dos serviços de saúde já que o não acesso a esses medicamentos faz com que as pessoas procurem mais os hospitais em pior estado de saúde, também aumentando os custos para o SUS. E é importante lembrar que os hipertensos, diabéticos e asmáticos são do grupo de risco para covid-19 e deveriam estar sendo protegidos justamente por isso.

Anúncios sobre a defesa da vida e saúde das pessoas deveriam estar sendo feitos pelo governo e não o fim de importantes programas. Isso em meio ao cenário da pandemia que vivemos, onde claramente quem mais sofre são os mais vulneráveis, que precisam do acesso a esses remédios de graça. Ao invés de garantir saúde, o governo genocida de Jair Bolsonaro amplia as desigualdades brasileiras.