Coordenadora denuncia calote e esquema de caixa 2 na campanha de Caio Cunha
O que mais indignou a coordenadora Roberta foi a súbita mudança no comportamento de Caio Cunha, o jovem ex-vereador que criticava o governo e que prometia novos rumos para Mogi das Cruzes/ Foto: Divulgação
Tenda Atacado
Por: Márcia Dias 
MTB: 30.362

A coordenadora Roberta Jaques Vieira Cordeiro de Siqueira, de 37 anos, denuncia a formação de caixa 2, calote e ofensas que ocorreram na campanha do candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (Podemos), onde ela trabalhou supervisionando o trabalho de 10 pessoas (incluindo a própria família) nas ruas e no galpão.

Cada um receberia R$ 300 para trabalhar de segunda a segunda. Segundo Roberta, as irregularidades surgiram quando houve atraso nos pagamentos para o pessoal de campanha.

Devido às cobranças para receber o valor e pagar sua equipe, Roberta conta que Caio Cunha se distanciou e designou seu assessor Eric para atendê-la.

Em áudios gravados via whatsapp, o parlamentar impunha à Roberta que dispensasse o pessoal de campanha chamando-o de “bandidos”, e que faria o “acerto” do próprio bolso com a coordenadora.

“Roberta, pode dispensar este pessoal da campanha porque daqui em diante, vou tratar somente com você. Vou pagar com o dinheiro do meu bolso, e não quero mais saber deste pessoal trabalhando na campanha. São bandidos!”, esbravejava o rapaz no áudio guardado com a coordenadora.

“Não somos bandidos, somos pessoas honestas e trabalhadoras. Só queríamos receber o que era nosso. Sabe o que mais me estranhou? Foi ele afirmar que haveria segundo turno, e que nós poderíamos negociar. Como ele sabe que haveria segundo turno? É claro que recusei porque não estou à venda”,  respondeu estranhando a forma de pagamento “por fora” já que existe verba de campanha suficiente para pagar as equipes e posteriormente prestar contas com a Justiça Eleitoral.

De acordo com Roberta, o pagamento acabou sendo realizado por Eric, após muitas discussões que se estenderam até nas redes sociais. Até lá, a coordenadora sofreu muitos aborrecimentos.

“Minha mãe, uma pessoa de idade, caminhava comigo trabalhando nas ruas. Tinha gente que deixava os filhos com vizinhos para poder trabalhar comigo na campanha do Caio Cunha”, lamentou, entre lágrimas.

Indignação

O que mais indignou a coordenadora Roberta foi a súbita mudança no comportamento de Caio Cunha, o jovem ex-vereador que criticava o governo e que prometia novos rumos para Mogi das Cruzes.

“Quando eu estava acompanhando o problema da entrega da merenda escolar, o Caio Cunha quis se aproveitar da situação e eu fui à Câmara para cobrar satisfações com ele, mas não estava lá. Um assessor disse que ele iria me procurar. Depois, ele veio em casa como sendo a “melhor pessoa do mundo”.

Ele disse “eu sei que vocês estão precisando, assim como eu também estou precisando. Preciso de gente na minha campanha, e vocês precisam de serviço”, comentou Roberta, esclarecendo que por meio do próprio esforço, conseguiu resolver a questão junto à Secretaria Municipal de Educação.

“Quer conhecer alguém, dê poder a ele. Se o Caio e seus assessores já tratam a população assim, chamando trabalhadores de “bandidos” e não honram seus compromissos , imaginem quando estiverem no poder! Aí vai ser difícil tirá-los de lá! Então, precisamos abrir os olhos e combater esta hipocrisia”, concluiu.

Confira o depoimento da coordenadora da campanha de Caio Cunha