Jornal Oi abre a caixa preta do 2º turno em Mogi. Dados mostram que Marcus Melo foi ‘sacrificado’, que Caio Cunha jogou e ganhou ‘parado’ e que até o PT venceria o 2º turno
O jogo bruto da política sacrificou Marcus Melo e fez de Caio Cunha prefeito quatro anos antes do que até ele previa/ Foto: Divulgação
Tenda Atacado

Na disputa pelo 2º turno em Mogi das Cruzes o atual prefeito e candidato à reeleição derrotado, Marcus Melo (PSDB), recebeu 81.714 votos (41,61%) contra 114.656 (58,39%) do vereador Caio Cunha (Podemos) que foi eleito e assumirá o comando da prefeitura no dia 1º de janeiro.

No último dia 15 de novembro  (data do primeiro turno), Marcus Melo venceu com 81.555 votos (42,2%), enquanto Caio recebeu 54.591 (28,31%).

Já nesta reta final das eleições municipais, o atual prefeito obteve 159 votos a mais do que no primeiro turno e o adversário foi levado à vitória por 60.065 eleitores a mais do que na primeira etapa.

Os números deixam claro que faltou pouco para Marcus Melo perder para ele mesmo na comparação dos votos que recebeu entre o primeiro e o segundo turno.

O resultado final da eleição em Mogi revela que no segundo turno o atual prefeito foi parcialmente abandonado pelos eleitores e ficou falando sozinho em relação aos apoios que deveriam garantir-lhe o acréscimo de votos necessário para a vitória no segundo turno.

E em um momento histórico como esse nada como recorrer à história para se ter a certeza de que Marcus Melo foi deixado à beira do caminho no segundo.

Em 2000 a eleição em Mogi foi pela primeira vez para o segundo turno. A disputa foi entre Junji Abe e o ainda vereador Chico Bezerra.

Junji não conseguiu vencer no primeiro turno, mas  o PL que depois virou PR e agora voltou a ser PL não queria Chico Bezerra na prefeitura.

O problema é que a poucos dias da eleição, as pesquisas indicavam que Chico Bezerra seria eleito.

Naquela época o PL do então deputado Valdemar Costa Neto já tinha uma verdadeira máquina de vencer eleições, especialmente em Mogi.

No dia da votação a máquina do PL foi para as ruas e Junji venceu a disputa, sendo que depois ele se reelegeu e garantiu a vitória de Marco Bertaiolli que também se reelegeu e garantiu em 2016 a vitória de Marcus Melo.

No segundo turno deste ano a situação de Marcus Melo era parecida (ou até mais confortável) com a de Junji na virada do século.

E por que, então,  Marcus Melo teve míseros 159 votos a mais no segundo turno em relação ao primeiro?

A máquina de eleger prefeitos do PL emperrou ou simplesmente não foi ativada; ou pior trabalhou em silêncio pela derrota do atual prefeito?

Da parte do grupo político que comanda a prefeitura desde 2000, pode-se ler à seguinte ‘solução’ ou mensagem: ‘vamos sacrificar o atual prefeito agora para retomarmos (nos braços do povo) o comando da cidade dentro de quatro anos’.

Não existe outra explicação plausível para a derrota de Marcus Melo na eleição deste domingo.

Levando-se em consideração que na Capital e em Guarulhos, os candidatos que venceram no primeiro turno confirmaram suas vitórias no segundo turno, no caso Bruno Covas e Guti, respectivamente.

No contexto político de Mogi revelado e analisado acima, coube a Caio Cunha ‘jogar parado’ no segundo turno.  E foi isso que ele fez.

O novo prefeito chegou a se dar ao luxo de flertar com o PT, partido pelo qual os mogianos têm enormes restrições, mas nem isso barrou a vitória histórica de Caio Cunha.

Mas o cenário indica que até Rodrigo Valverde (PT) derrotaria Marcus Melo no segundo turno. Em resumo: o jogo bruto da política sacrificou Marcus Melo e fez de Caio Cunha prefeito quatro anos antes do que até ele previa. Boa sorte Mogi.