Bolsonaro insiste com o auxílio pobreza de R$ 400 e volta a apanhar do mercado. Presidente vai recuar de vez nesta quinta ou na sexta?
O governo federal não deixou claro de onde virá o dinheiro para que o teto não seja furado e em mais um dia os donos da banca voltaram a reclamar/ Foto: Divulgação
Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde

O ministro da Cidadania, João Roma, confirmou nesta quarta-feira que os pagamentos do Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, começarão em novembro com um valor mínimo de R$ 400.

De acordo com reportagem publicada no site o Globo, o valor foi um pedido do presidente Jair Bolsonaro, disse o ministro.

Segundo o ministro, parte desse valor seria “temporário”, até o fim de 2022, ano em que o presidente pretende concorrer à reeleição.

No entanto, ele não deu detalhes sobre como o governo vai pagar o benefício nem a forma de financiamento desse valor, que é mais que o dobro do pagamento médio de R$ 189 do Bolsa Família.

Embora tenha afirmado que o governo está buscando “todas as possibilidades para que o atendimento siga com responsabilidade fiscal”, Roma não esclareceu a composição do benefício nem indicou os recursos que o financiarão.

Também não disse se haverá pagamentos fora do teto de gastos, regra que impede o crescimento das despesas da União acima da inflação.

Roma disse apenas que o Auxílio Brasil começa em novembro com um aumento linear de 20% sobre o valor do Bolsa Família em caráter “permanente”, para o qual não seriam usados “recursos extraordinários”.

Considerando o valor médio atual de R$ 189, isso significaria um pagamento médio de R$ 226,80.

Já destacamos aqui neste espaço que o governo do presidente do Bolsonaro ultrapassa todos os limites na prática da politicagem ao prometer (como fez na manhã de terça-feira para depois recuar) que vai dar um auxílio de R$ 400 só até o final do ano que vem que é eleitoral.

Mas ainda na terça-feira o presidente teve de recuar por causa da reação enfurecida dos ‘mercados’ que  não querem que o governo federal estoure o teto de gastos, pois no caso de esse furo acontecer o andar de cima (os poderosos) poderão ter problemas.

Depois que o pessoal da Faria Lima mandou seu recado por meio da imprensa, de economistas e até de políticos, Bolsonaro deu uma recuada.

Nesta quarta-feira o presidente tentou mostrar que manda alguma coisa ao determinar ao ministro (acima citado) que informasse que o valor do auxílio politiqueiro será de R$ 400 (mais uma vez, porém, o governo federal não deixou claro de onde virá o dinheiro para que o teto não seja furado e em mais um dia os donos da banca voltaram a reclamar).

Vamos ver nesta quinta-feira se o presidente ainda continuará tentando mostrar que manda em alguma coisa ou irá recuar de vez e seguir a regra do que manda quem pode (o mercado), manda quem obedece (o desgoverno) e paga a conta quem não deve (o povo).