Assessor estratégico da Fiesp fala dos desafios da indústria e destaca: “Nesse momento temos de comemorar a vida”
O economista André Rebelo falou sobre os desafios da indústria e do setor produtivo em geral que sofre (como todo Brasil) em meio a uma crise inédita provocada pela pandemia de Covid-19/ Foto: Divulgação
Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde

O economista André Rebelo, assessor para assuntos estratégicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), conversou com a reportagem do Jornal Oi sobre os desafios da indústria e do setor produtivo em geral que sofre (como todo Brasil) em meio a uma crise inédita provocada pela pandemia de Covid-19 e a quarentena estabelecida por governos estaduais e municipais como forma de impedir o avanço do coronavírus.

Jornal Oi – Em 25 de maio comemorou-se o Dia da Indústria. Em meio a tudo que estamos vivenciando em razão da pandemia do Covid-19, da quarentena, do isolamento social, da crise econômica, o senhor afirmaria que o setor da indústria seja em São Paulo ou no Brasil tem algo para comemorar?

André Rebelo: Avalio que temos sim o que comemorar. Sem dúvida que o momento é de enormes dificuldades, de imprevisibilidades, de novos desafios; mas devemos comemorar o fato de estarmos vivos, de estarmos lutando para continuar produzindo e contribuindo para que as pessoas possam passar por esse momento de dificuldades imposto por essa pandemia.

Não é o momento para se pensar ou falar em investimentos ou em novos negócios. Esse é um momento de resistência e de trabalho. Já tivemos outras crises que foram superadas com  resiliência, trabalho e estratégia.

Jornal Oi – O governo federal liberou recursos emergenciais para as pessoas (trabalhadores informais) que ficaram sem renda por causa da pandemia. Em relação aos empresários pequenos, médios e grandes, a Fiesp está satisfeita com as iniciativas do Ministério da Economia e do governo federal no sentido de impedir que as empresas fechem e os empregos sejam eliminados?

André Rebelo: Em nossa avaliação o governo federal tem procurado, dentro de suas possibilidades, ajudar o setor produtivo ao assumir, por exemplo, parte do pagamento dos salários dos trabalhadores e várias outras medidas .

Existe sim um gargalo na liberação de recursos pelos bancos em razão do excesso de burocracia e isso tem afetado as empresas que estão enfrentando dificuldades e precisam de apoio neste momento e neste sentido a Fiesp tem feito gestões no sentido de que o acesso aos recursos dos bancos públicos e privados sejam mais acessíveis.

Jornal Oi – Existem avaliações de que os empresários estão esperando apoio dos governos e não querem se arriscar em fazer investimentos, mesmo em momentos menos delicados que atual. Para o senhor e a Fiesp essas avaliações fazem sentido?

André Rebelo: Não se pode dizer que falta coragem aos empresários e que eles ficam esperando por recursos financeiros, benefícios fiscais ou isenções.

O empresário, o industrial e quem produz no Brasil é corajoso e não medroso. É só olhar a quantidade de adversidades que os empresários enfrentam no Brasil; são lutadores que pagam muitos impostos, sofrem em alguns setores com concorrência desleal e superam diversos outros desafios para continuar gerando empregos e desenvolvimento ao Brasil.

Jornal Oi – Existe alguma receita, ou caminho a ser seguido pelos empresários continuarem com seus negócios ou mesmo crescer depois que essa pandemia de Covid-19 passar?

André Rebelo: Não existe uma receita ou uma solução mágica, será preciso muita persistência, muito trabalho, muita resiliência e foco em inovação e qualidade.

É importante destacar que antes da chegada dessa pandemia tínhamos um cenário bem interessante para o setor produtivo e para a indústria.

Havia a expectativa para um bom período para a construção civil, com retomada forte especialmente no Sudeste.

Chegamos a considerar pelos indicadores do ano passado que 2020 seria um ano para a recuperação o tempo perdido, gerando competitividade no produto nacional e com uma boa estrutura fiscal.

Estamos apostando em um novo período na economia, que não acontecia desde o plano real.

É fato que a pandemia de Covid-19  afetou intensamente os cenários que se mostravam muito interessantes, mas sou um otimista por convicção e acredito que depois que voltarmos ao novo normal haverá espaço e oportunidades para que as empresas consigam se manter e buscarem crescimento.

No momento, conforme destacamos no início dessa entrevista temos de comemorar a vida, a possibilidade de continuar lutando e continuarmos trabalhando.