Eu iria escrever sobre a copa, até ver a foto que ilustra essa coluna. A foto dessa menina chorando e olhando pra cima foi tirada perto da meia noite, num dos pontos mais movimentados do fluxo migratório entre o México e os EUA, a região de MacAllen no Texas. A mãe e a filha de dois anos haviam saído de Honduras há um mês. Foram capturadas pela polícia de fronteira no momento que tentavam atravessar ilegalmente do México para os EUA.

O fotojornalista, John Moore, disse: “é algo que já vi muitas vezes, mas desta vez foi mais difícil”. Ele sabia que a menina seria separada da mãe, afinal essa é a nova política migratória dos EUA. Após capturar essas pessoas o governo processa os pais, que vão para uma prisão federal. Como as crianças não podem ser processadas ou irem para a prisão, são levadas à abrigos e ficam longe de suas famílias, num país estrangeiro. Isso é desumano.

Só entre maio e junho, pelo menos 2 mil crianças imigrantes foram separadas de seus pais nos Estados Unidos, segundo dados do governo americano. Oito crianças brasileiras estão nessa situação. A complexidade da questão migratória na qual o mundo está mergulhado é real. O sofrimento dessas famílias por causa dessa política migratória desumana também é tão real quanto.

Eu fui muito impactado em 2015, após ver a foto do corpo menino Sírio, Aylan Curdi, sendo retirado da praia, nos braços de um guarda, depois de morrer tentando atravessar o Mediterrâneo com sua família. Em 2016 vi a imagem do menino Omran, sentando numa ambulância coberto de poeira, com um olhar confuso, após os bombardeios à Aleppo, sua cidade.

As crianças são um grande símbolo de pureza e inocência. Os ricos e poderosos estão maculando essa pureza e acabando com essa inocência no meio de suas ideologias e guerras por poder.