Vem ai um clube ‘exclusivo’ para quem é viciado em trabalho e precisa de bem-estar
Spa: "As pessoas estão muito sobrecarregadas pela conexão digital e desesperadas para reorganizar o cérebro"/ Foto: Antonio_Diaz/Thinkstock

Você conhece o sujeito: o executivo do alto escalão que consegue responder a todos os e-mails em 15 minutos — seja do escritório, de uma academia SoulCycle ou pelo buraco de uma mesa de massagem.

Reportagem publicada no site da revista Exame destaca que esse tipo de pessoa que é viciada em trabalho e obcecada pelo bem-estar é um fenômeno relativamente recente — assim como os sucos Juice Press, as academias Barry’s Bootcamp e os estúdios de meditação Mndfl, ele é um produto dos últimos dez anos. Mas essa tendência está virando febre.

Segundo o relatório anual de 2018 do evento Global Wellness Summit, os consumidores agora veem os hábitos holísticos como uma maneira de “ter acesso a diversos ’superpoderes’” como “pensar ’melhor, mais rapidamente e de modo mais inteligente’”. O setor tem um valor estimado de US$ 3,7 trilhões (e também tem seus detratores).

Não surpreende, portanto, que a última novidade no ramo de clube privados se baseie no conceito de “bem-estar 360 graus”.

Quando for inaugurado, no início de 2019, o The Well, um espaço de 1.200 metros quadrados e dois andares na área de Union Square, em Manhattan, pretenderá ser um lugar onde pessoas sobrecarregadas de trabalho poderão relaxar, recarregar as baterias e reinvestir em si mesmas.

“Estúdios de ioga, centros de meditação, bares de suco, acupunturistas — todos os diferentes componentes de um estilo de vida saudável se tornaram, por si só, mercados realmente desenvolvidos e nichos fortes”, diz o cofundador de The Well, Kane Sarhan, ex-chefe de marca do 1 Hotels, da Starwood Capital Group.

“As pessoas já consomem todos esses serviços, nós estamos apenas dando a elas um lugar para fazer tudo isso sob um único e bonito teto”, acrescenta.

Seu grupo de conselheiros inclui Deepak Chopra, o especialista em hotelaria Barry Sternlicht e Keith Pyne, médico esportivo com clientes como os ex-jogadores de basquete Kobe Bryant e de beisebol Alex Rodríguez. A adesão custará cerca de US$ 375 por mês.

Beth McGroarty, diretora de pesquisa do Global Wellness Summit, vê potencial. “Os clubes sociais de bem-estar estão no cerne de uma de nossas principais tendências globais”, diz.

“Devido ao isolamento digital e aos enormes índices de solidão, esses modelos de clube estão mais uma vez encontrando seu lugar no mundo — mas agora estão sendo organizados em torno do bem-estar, e não do gim-tônica”.

Os membros pagantes têm direito a reuniões individuais mensais com um concierge dedicado à saúde; aulas ilimitadas de ioga e meditação; acesso exclusivo a aulas de fitness que abrangem desde treinamento de alta intensidade até qigong; e uso pleno dos espaços comuns, que terão sauna seca, sala de vapor, laconicum (para terapias de calor mais suaves), áreas de relaxamento mistas e estúdio de treinamento privado. (Só não espere um substituto para a academia — as aulas de ginástica não serão tão abrangentes e o estúdio de treinamento será pequeno).

Um restaurante completo e uma cafeteria com um toque ayurvédico estarão abertos ao público na parte do clube que dá para a rua.

O clube oferecerá também aulas teóricas — sobre diversos assuntos, desde cura energética até atenção plena (mindfulness) — sem custo para os sócios.

McGroarty espera que esse aspecto New Age ajude a conquistar clientes. “Há 10 anos, se você conversasse com alguém sobre banhos de som e cura energética, seria considerado um completo hippie”, diz ela. “Agora, todos falam nisso. As pessoas estão muito sobrecarregadas pela conexão digital e desesperadas para reorganizar o cérebro”.