Tio de um dos assassinos pede perdão às famílias. Professora relata momentos de terror na escola
Américo Castro, de 69 anos é tio de Luiz Henrique de Castro, um dos autores do ataque na escola de Suzano, pediu perdão às famílias das vítimas/Foto: Divulgação
Prefeitura de Mogi das Cruzes

Américo Castro, de 69 anos é tio de Luiz Henrique de Castro, um dos autores do ataque na escola de Suzano, pediu perdão às famílias das vítimas. A declaração aconteceu após o enterro do sobrinho de 25 anos. As informações são do G1.

“Quero pedir perdão público para os pais daquelas crianças. Eu não sei o que aconteceu com o menino. Em nome da família Castro, eu peço perdão. Nós também somos vítimas”, declarou.

Luiz Henrique foi sepultado no Cemitério Municipal São Sebastião, com cerca de 20 pessoas presentes. Uma breve cerimônia na capela do local ocorreu minutos antes do sepultamento.

Não houve velório e o corpo foi enterrado rapidamente, feito pela Prefeitura de Suzano, com poucos presentes e sem a mãe de Luiz, abalada com o caso.

“Não fizemos um velório em respeito às famílias das outras vítimas. A gente respeita a dor dos pais e mães daquelas famílias e é por isso que estou dando esse depoimento. Meu irmão e minha cunhada estão sem condições de falar”, afirmou Américo.

O corpo de Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, foi enterrado no Cemitério São João Batista. Cerca de seis pessoas participaram do sepultamento do outro rapaz que participou do ataque em Suzano, além de policiais militares e guardas civis.

Professora relata segundos de terror e como salvou alunos  

Uma professora de espanhol da escola de idiomas da escola Raul Brasil, em Suzano, pode ter ajudado a salvar vidas durante o ataque a tiros que matou cinco alunos e duas funcionárias, além dos próprios atiradores o tio de um deles, na última quarta-feira, 13.

Ao deixar o velório coletivo na Arena Suzano nesta quinta-feira, 14, Claudete de Oliveira falou sobre os momentos de tensão que viveu na sala de aula.

“Estávamos no fundo da escola, no centro de línguas, que tem horários diferentes da escola regular, por isso não era nosso intervalo. Um aluno me disse que escutou tiros, mas eu pensei que pudessem ser bombinhas, como já ocorreu outras vezes. Então fui até o corredor e vi o que estava acontecendo. Voltei calmamente à sala e pedi aos alunos: fiquem abaixados, vou apagar a luz, e quem estiver com celular, ligue para a polícia”.

Claudete contou que empurrou cadeiras para segurar a porta e conter os atiradores, mas foi surpreendida por gritos de socorro.

“Neste momento, ouvi crianças desesperadas pedindo para abrir. Por instinto, graças a Deus, abri a porta e consegui colocá-los para dentro. Nesse momento, decidi que ninguém mais sairia ou entraria e comecei a rezar”.

O momento mais assustador, no entanto, veio na sequência. “Os atiradores deram duas pancadas na minha porta, mas eu não abri. Daí vieram tiros e um silêncio mortal”, explicou. Ela demorou a acreditar que os homens que a chamavam do lado de fora eram policiais.

“Num primeiro momento, desconfiei. Mas abri uma fresta, vi que era um policial e eles nos pediram para todos saírem sem olhar para o chão. Os corpos dos dois atiradores estavam bem ali.” Passado o choque inicial, Claudete teve uma nova surpresa ao descobrir a identidade de um dos atiradores, Luiz Henrique Castro.

“Ao ver fotos de quando ele era menor, percebi que dei aula para o Luiz na quinta série. Fiquei muito triste, porque me lembrava dele como um menino muito tranquilo, amoroso, estudioso”.

Caso semelhante ao de Claudete ocorreu com as merendeiras Silvana Moraes e Lizete Santos, que colocaram cerca de 60 estudantes dentro da cozinha para protegê-los dos ataques.