Técnico do Santos, El loco Sampaoli, comprova que o futebol argentino está muito a frente do praticado pelo Brasil/Neymar
O clássico do final de semana era o parâmetro esperado para analisar o Santos sob o comando de Sampaoli /Foto: Ivan Storti/Santos FC

O DNA do Santos de Jorge Sampaoli é ofensivo, mas o argentino conseguiu também montar uma defesa que tem se mostrado muito segura nesse começo de temporada. Nos três primeiros jogos do Paulista, não levou nenhum gol – e no domingo, na vitória por 2 a 0 sobre o São Paulo, praticamente não foi incomodada.

O clássico do final de semana era o parâmetro esperado para analisar o Santos sob o comando de Sampaoli – afinal, até então, havia enfrentado a Ferroviária (1 a 0, em casa) e o São Bento (4 a 0, fora), equipes de qualidade muito inferior.

Contra o São Paulo, porém, houve domínio completo do Santos, do primeiro ao último minuto. Vanderlei teve pouco trabalho, mesmo contra o time que havia marcado sete gols nos dois primeiros jogos do estadual.

A posse de bola ainda é a característica mais marcante do Santos. Nos 10 primeiros minutos de jogo, o time teve a bola em 72% do tempo. Enquanto a vitória ainda não estava definida, esse número jamais baixou de 58%. No fim, com o placar consolidado desde os 21 minutos do segundo tempo, a estatística foi de 53%.

Ainda não basta para Sampaoli. A defesa é justamente a preocupação dele, com a tese – óbvia e correta – de que manter a bola em seus pés é a melhor forma de proteger sua defesa.

“Estamos buscando que equipe se defenda mais com a bola do que sem. E estamos encaminhando isso. Vamos equilibrar até que a equipe busque um controle de jogo maior. Que o domínio esteja vinculado com a defesa com a bola”, disse ele depois do jogo.

No segundo tempo, quando o técnico são-paulino André Jardine optou por colocar Diego Souza em campo, Sampaoli reagiu com mudança que, de cara, causou estranhamento: colocou Copete no lugar de Orinho e Felipe Aguilar na vaga de Jean Mota.

A partir daí, o Santos passou a se defender com uma linha de cinco jogadores: Victor Ferraz, Luiz Felipe, Aguilar, Gustavo Henrique e Copete. Com a bola, Copete e Ferraz avançavam.

Os números deixam claro: o Santos teve oito chances reais de gols, segundo o scout da TV Globo, enquanto o São Paulo teve apenas duas.

Sampaoli assumiu um elenco enfraquecido com as saídas de Gabigol, Dodô e Bruno Henrique e as chegadas de Soteldo, Aguilar e Everson. Em campo, porém, tem um Santos melhor do que o que terminou o ano passado, mesmo com as baixas. É um trabalho que impressiona no início, não só pela performance, mas pela rapidez com que a equipe conquistou um forma de jogar.

O rival André Jardine concorda: “Estudei bastante o Santos, fiquei bastante impressionado com a qualidade, a velocidade que o Sampaoli já conseguiu dar padrão de jogo. É um mérito dele, tem dedo dele”, disse o treinador adversário.

O Santos volta a campo na próxima quinta-feira, contra o Bragantino, em Bragança Paulista. O time lidera o Grupo A do Paulista com nove pontos.

Brasil precisa de loucos geniais como Sampaoli e Bielsa  

Quem entende de futebol e viu o jogo do Santos com o São Paulo tem a obrigação de reconhecer que a cultura e a mentalidade dos argentinos para o futebol é bem superior a do Brasil  – que praticamente se resume a Neymar e ‘Galvão Bueno’.

Sampaoli é apenas mais um dos ‘loucos geniais’ do futebol argentino que  também reconhece outro técnico (Marcelo Bielsa) como sendo um  ‘louco’ do futebol.

O badalado Guardiola (hoje no Manchester City) já afirmou que se inspirou nos ‘locos’ da Argentina para iniciar sua magistral carreira como treinador de futebol.

Não é o caso de endeusar os ‘hermanos’, mas temos de aprender o máximo possível sobre futebol, sobre esquemas táticos e sobre como motivar um time mediano como é o Santos a jogar com intensidade do começo ao fim de uma partida. Vida longa ao El loco Sampaoli.