Teatro da Neura estreia ‘Antígona’ nesta sexta-feira em Suzano
Atores durante o último ensaio geral de Antígona/ Foto: Michel Galiotto

Depois de quase nove meses de ensaio, o Teatro da Neura volta com uma das peças mais políticas do repertório do grupo. “Antígona” é um clássico da dramaturgia mundial, escrita pelo dramaturgo grego Sófocles, há mais de dois mil anos e faz parte da Trilogia Tebana. Segue temporada todo o mês de julho e, estreia sexta-feira, 6, a partir das 20 horas, no Espaço N de arte e Cultura, em Suzano.

O espetáculo teve a primeira versão pelo Teatro da Neura em 2009 e encontra atualmente ligações fortes com a atual situação brasileira: um governo manipulador e autoritário, regido por um líder sem carisma e opressor que usa de força para levar a cabo injustiças e elimina todos aqueles que podem destituí-lo do poder.

“Antígona” faz parte de uma das linguagens do Teatro da Neura – o Teatro e Sociedade – que, como explica o diretor da peça Fernandes Junior, tem como base o Teatro Épico do dramaturgo, poeta e militante alemão, Bertolt Brecht (1898-1956) que propunha como pesquisa um diálogo direto com a plateia e que estimulasse o pensamento crítico através de suas peças. Para Brecht, não será na emoção  que o público vai encontrar a diversão, mas na reflexão sobre os acontecimentos que o espetáculo relaciona com a realidade.

A relação do Teatro da Neura com o Teatro Político faz parte da construção do grupo.  “Diria que o Teatro Sociedade é um elemento típico do Teatro da Neura uma vez que ele usa os temas épicos para além das ferramentas que Brecht usava em suas peças”, comenta Júnior.

PEÇA: 

Ambientada em Tebas, um país em guerra e manipulado por Creonte, um líder autoritário e violento, Antígona luta contra todas as injustiças para enterrar o irmão morto em combate. Ao buscar apoio em sua irmã e no povo, encontra apatia e descaso.

Ao enfrentar todas as leis impostas pelo líder de tebano e sepultar o irmão, enfrenta o fascismo, racismo, homofobia, xenofobia e feminicídio numa jornada que representa a luta coletiva por direitos e vai seguir sua fé pela justiça até o fim.

Tendo como base o poder da mídia como instrumento de tentativa de hegemonização do pensamento conservador, essa montagem de “Antígona” propõe a discussão de um Estado sem legitimidade e direção que, ao usar seu fantasioso poder contra seu povo, pode sucumbir se não perceber a tempo seu lugar na história.

Thaís Fernandes é atriz do Teatro da Neura há três anos e interpreta Antígona nessa remontagem. “Ela (Antígona) é muito combativa, muito justa, ela sai do campo da ideologia e age. E interpretar alguém assim nos dias de hoje, na era da passividade e de uma justiça seletiva, transita entre o encorajador e o necessário”, afirma.

A atriz reforça que mesmo o texto com mais de dois mil anos, está mais atual do que nunca. “O ato mais transformador pra mim ao longo da montagem foi conseguir ver a figura da Antígona na atualidade. No começo eu não conseguia. Hoje eu consigo ver pessoas que agem para mudar a realidade em que vivem. Temos grandes figuras que conseguem chegar ao nosso conhecimento, mas também temos as ‘heroínas’ invisíveis, líderes de bairro, pessoas que estão à frente dos movimentos sociais”.

Antígona: Ao lado da Justiça, onde quer que ela esteja 

  • Temporada: Sextas, sábados e domingos de julho
  • Horário: 20 horas
  • Local: Espaço N de Arte e Cultura  –  rua José Garcia de Sousa, 692, Jardim Imperador – Suzano