Suspeito de estuprar e matar a menina Rayane poderá ser condenado a 40 anos de cadeia
Por conta desse covarde pacote de crimes, o acusado poderá ser condenado a até 40 anos de cadeia/ Foto: Divulgação
Prefeitura de Mogi

O homem preso pela Polícia Civil de Mogi das Cruzes, em São Paulo, na madrugada de quarta-feira, 31, suspeito de ter matado a estudante Rayane Paulino Alves, de 16 anos, responderá à Justiça por homicídio quadruplamente qualificado: motivo torpe, recurso que dificulta defesa, asfixia e execução pra ocultar crime de estupro.

Por conta desse covarde pacote de crimes, o acusado poderá ser condenado a até 40 anos de cadeia.

De acordo com o advogado criminalista e professor de Direito Penal da Faculdade Piaget, Dario Reisinger, pelo crime de homicídio qualificado o acusado poderá ser condenado até 30 anos e pelo crime de estupro a pena máxima é de 10 anos.

“A pena máxima para o homicídio qualificado é de 30 anos e pena limite para estupro é de 10 anos.  Se for condenado a pena máxima por esses dois crimes, ele poderá cumprir uma pena de 40 anos. Por outro lado, se a Justiça entender que ele deve pegar a pena mínima para esses dois crimes ele ficará pelo menos 18 anos na prisão”, destacou o advogado criminalista e professor.

Ele observou, entretanto, que pela gravidade e repercussão do caso, é grande a possibilidade de o acusado pegar a pena máxima e neste caso ficará atrás das grades por 30 anos, que o tempo máximo que uma pessoa pode ficar presa, isso independente de as penas somadas serem maiores.

Nessa quarta-feira o delegado responsável pelo caso, Rubens José Ângelo, revelou detalhes da prisão do suspeito. “Investigadores bateram na porta da casa do suspeito por volta de 1h. Ele estava em casa, no sofá. Sua mulher que atendeu a porta. Os investigadores perguntaram dele e a mulher respondeu: é sobre o caso Rayane? Ele aparece em seguida”, afirmou o delegado Rubens.

Com essas informações, a polícia trabalha com a hipótese de que a mulher já suspeitasse dos fatos. O delegado afirmou ainda que o homem se apresentou à polícia sem esboçar reação. “Não tentou fugir, nem nada. Estava tranquilo. Não chorou”, disse.

O suspeito de ter executado Rayane não tinha passagem pela polícia e se mostrou um homem frio e calculista. “Ele não é um assassino profissional, pois deixou pistas nas cenas do crime”, conta. “Encontramos uma caneta próxima ao corpo igual a uma (caneta) que tinha em sua casa”. De acordo com a polícia, o suspeito trabalhava como segurança e é capoeirista há 12 anos.

Detalhes do crime  

De acordo com a polícia, após uma festa, a jovem foi abordada pelo suspeito na rodoviária de Guararema, por volta de 2h30 da madrugada, quando esperava um ônibus para voltar para casa. O suspeito teria sentado ao lado dela e perguntado sobre que estava acontecendo. O delegado afirma que o suspeito ofereceu a jaqueta dele para a adolescente se aquecer, além de água.

“Foi conversando tentando convencê-la. Ofereceu carona para Mogi das Cruzes e ela disse que aceitaria. Ele passa, ela entra no carro dele e vem sentido Mogi das Cruzes. [O suspeito] diz que em dado momento ela falou para ele que queria curtir. Ele disse para ir para Jacareí. […] A intenção dele era ter relações sexuais com ela, consentido ou não”, detalha o delegado.

“Na rodovia D. Pedro, eles pararam no acostamento e trocaram beijos. Começaram a se beijar e teve o ato sexual. Passados dado momento, segundo o suspeito, a Rayane teria se defendido. Você me estuprou, vou chamar a polícia”, diz. O delegado afirmou que a garota “deu um chute nele”.

O suspeito, então, teria dado um golpe chamado mata-leão nela — ele é capoeirista. A garota desmaiou e foi levada ao banco do passageiro. O rapaz foi para outro local, para a entrada do Miracatu, e parou o veículo ali.

“Ele tem curso de pequenos socorros. Ele afere a pulsação dela pelo pulso e, pela jugular, vê que ela está viva. Com receio de ser acusado pelo crime de estupro, ele pega a bota dela, pega o cadarço e amarra o pescoço dela. E pressiona até a morte”, afirma. “A bota estava no assoalho do carro”, acrescenta.

Investigação minuciosa  

O delegado Jair Barbosa, que também faz parte do grupo de investigação do caso, afirmou que a apuração “absolutamente detalhada” permitiu que a polícia chegasse a minúcias do crime.

“Juntamos provas materiais que nos levassem à conclusão de que ela [Rayane] foi friamente assassinada por um sujeito que a estuprou. Ele não é um estuprador contumaz, não era estuprador, mas a oportunidade se apresentou”, diz. “A garota estava na rodoviária de Guararema esperando o primeiro ônibus para voltar para casa, por volta das 2h30 da manhã. Ele era o segurança da rodoviária. Ele não estava bêbado e nem drogado. Ele se aproximou, tentou seduzi-la, ela não aceitou. Ele então ofereceu carona a ela. Ela aceitou. Aí os ânimos se acirraram dentro do carro. Ele a estuprou, estrangulou e abandonou o corpo”, resumiu.