A reportagem do Jornal Oi questionou, nesta quinta-feira, 12, o governo de Itaquá sobre operação realizada pela Polícia Federal com o objetivo de investigar fraudes em institutos de previdência em diversos municípios do Brasil, sendo que Itaquá foi uma das cidades onde a investigação foi colocada em prática ainda nas primeiras horas deste dia 12. A seguir os esclarecimentos do governo do prefeito Mamoru Nakashima (PSDB).

“A Prefeitura de Itaquaquecetuba informa que não há mandado de prisão, apenas de busca e apreensão de documentos, a investigação está focada em irregularidades em fundos de investimento e seus gestores e administradores. Considerando que a autarquia Instituto de Previdência Social do Município de Itaquaquecetuba (IPSMI) possui uma carteira de investimentos  diversificada, há um investimento que está sob análise nessa investigação. O IPSMI disponibilizou todos os documentos e informações que dispunha para auxiliar as investigações. O próximo passo é aguardar as investigações e punições que forem pertinentes para que o mercado financeiro seja o ambiente mais seguro para preservar o investimento de todos os servidores. Desconhecemos o envolvimento de qualquer servidor de Itaquaquecetuba nessas irregularidades.”

IPMSI é uma caixa preta?

Apesar de a reportagem do Jornal Oi ter solicitado (cobrado), o governo do prefeito Mamoru Nakashima optou por não revelar nenhuma informação sobre o funcionamento do instituto de previdência da cidade e nem sobre o montante de recursos que o IPSMI movimenta por mês. A prefeitura poderá esclarecer essas questões nas próximas horas.

Entenda a fraude 

A Polícia Federal executou na manhã desta quinta-feira, 12, a Operação Encilhamento para apurar fraudes envolvendo a aplicação de recursos de Institutos de Previdência Municipais em fundos de investimento com debêntures sem lastro emitidas por empresas de fachada que podem ultrapassar o valor de R$ 1,3 bilhão. A debênture é um título de dívida que gera um direito de crédito ao investidor.

A operação foi nomeada como Encilhamento e é a segunda fase da Operação Papel Fantasma. Policiais Federais e auditores-fiscais da Receita Federal cumprem 60 mandados de busca e apreensão e 20 mandados de prisão temporária expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Goiás.

Pelo esquema, os administradores criavam empresas de fachada e aplicavam o dinheiro dos trabalhadores de organizações públicas. Só que as empresas não possuíam capital e o trabalhador, que esperava o dinheiro para a aposentadoria, acabava com prejuízo, já que as empresas iam à falência sem ter recursos para o pagamento.

“Emitida a debênture pela empresa de fachada, entrava em cena um consultor de investimento, que se aproximava do instituto de previdência de alguma prefeitura alegando rentabilidade maior dos seus recursos, se trata de regime próprio dos servidores municipais”, explica o delegado Vitor Rodrigues Alves, chefe da delegacia de combate à corrupção e crimes financeiros da PF de SP.