“Exposição Hiroshima e Nagasaki – Do Fim ao Renascimento, uma Travessia de Perdão e Cultura de Paz”
Ao lado do presidente da Casa, Rodrigo Maia, Junji Abe e outros integrantes do Grupo Parlamentar Brasil-Japão cortaram a fita inaugural da exposição, que prossegue até 15 de junho no Espaço Mário Covas / Foto: Divulgação

A abertura da “Exposição Hiroshima e Nagasaki – Do Fim ao Renascimento, uma Travessia de Perdão e Cultura de Paz” marcou o início das comemorações, no Congresso Nacional, pelos 110 anos da imigração japonesa no Brasil. “Muito mais que a superação de ordem econômica, evidencia-se a inestimável lição de perdoar, praticada pelo Japão em relação aos seus algozes, que devastaram as duas cidades com bombas atômicas”, interpretou o deputado federal Junji Abe (MDB-SP) no evento realizado na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 5, com a participação do embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada.

Ao lado do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Junji e outros integrantes do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, presidido pela deputada federal Keiko Ota (PSB-SP) e organizador dos festejos, recepcionaram o embaixador, sua assessoria e dirigentes de entidades parceiras do evento, na Sala da Presidência.

Na sequência, houve o corte da fita inaugural da exposição, que prossegue até 15 de junho no Espaço Mário Covas. Yamada destacou a firme disposição do Japão de ampliar o relacionamento amistoso e próspero entre os dois países. Rodrigo Maia enalteceu “o momento precioso que alicerça cada vez mais a relação bilateral Brasil-Japão”. Igual manifestação marcou os discursos de Keiko e de Renato Casagrande, presidente nacional da FJM – Fundação João Mangabeira, entidade colaboradora da mostra.

As considerações ficaram centralizadas no renascimento do Japão e na inabalável capacidade de superação do povo japonês, que fez do País do Sol Nascente, de dimensões territoriais bem modestas, a terceira potência econômica mundial. “A tragédia atômica que dizimou Hiroshima e Nakasaki não bloqueou o crescimento econômico japonês e, principalmente, brindou o mundo com um manifesto vivo de perdão, inspirando um exemplo a ser seguido”, definiu Junji.

Ao longo da solenidade, Junji também falou sobre a irmandade entre Brasil e Japão, e dos “frutos polpudos que produz para aqueles que se permitem ensinar e aprender”. Ele rememorou que a generosa acolhida dos imigrantes japoneses pelos brasileiros semeou a eterna gratidão daquele país aos brasileiros. Por sua vez, prosseguiu, a Nação Brasileira deve muito do seu desenvolvimento ao trabalho e iniciativas pioneiras implantadas pelos nipônicos e descendentes.

O governo japonês financiou o desenvolvimento do Cerrado, que revolucionou a produção nacional, alicerçando o agronegócio brasileiro como o celeiro do mundo, como exemplificou Junji, ao ressaltar que a Jica, agência japonesa de cooperação internacional, também viabilizou tecnologias para autossuficiência na produção de maçãs em Santa Catarina.

Ainda para mostrar a próspera parceria, Junji citou os megafinanciamentos concedidos para despoluição do Rio Tietê e da Baía da Guanabara, além do impulso à produção siderúrgica na Usiminas, que contribuiu com o avanço tecnológico da Siderbras, aumentando a qualidade do ferro, aço e derivados, insumos para a indústria nacional.

Como a cooperação é uma via de mão dupla, ponderou o deputado, o Brasil fornece aos japoneses minérios e produtos agrícolas como soja, café, algodão, suco de laranja, carne bovina e aves, além de etanol. “Tudo isso decorre do alicerce fundamental que é a amizade cultivada pelos dois países há 110 anos, quando aqui chegaram os primeiros imigrantes japoneses. O relacionamento que se estabeleceu e avança é um modelo a ser seguido para consolidar a paz, a solidariedade e o amor no mundo inteiro”, analisou Junji.

Programação

Após a abertura da exposição, a programação seguiu com a exibição de filmes sobre a história das bombas atômicas lançadas sobre as duas cidades japonesas. A sessão solene, alusiva aos 110 anos da imigração japonesa no Brasil, será no próximo dia 21, às 9h55, no Plenário Ulysses Guimarães. Os primeiros imigrantes chegaram ao País em 18 de junho de 1908, a bordo do Navio Kasato Maru.

Valorizando a culinária japonesa, já incorporada pelos brasileiros, a Semana Internacional Gastronômica trará pratos elaborados pelo chef da Embaixada do Japão no Brasil para os frequentadores dos restaurantes da Câmara e do Senado. O evento será realizado de 9 a 13 de julho.

Também como parte das comemorações, o Congresso Nacional ganhará iluminação especial ao longo do período entre 9 e 22 julho. As luzes trarão as cores da bandeira do Japão.

Junji é filho e neto de imigrantes japoneses e, em 2014, ocupou a presidência do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, do qual fez parte durante seu primeiro mandato (fev-2011 a jan-2015) na Casa. Ele reassumiu o cargo na atual legislatura em 21 de fevereiro último.