STF é retrato vergonhoso da elite sem compromisso com os pobres e o país
A decisão do STF tira autoridade do Judiciário para ser o farol ético do país, como pretendem magistrados e procuradores que entoam seus feitos de combate à corrupção/ Foto: Divulgação
Prefeitura de Mogi das Cruzes

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de propor um aumento de 16,38% para os salários de seus 11 ministros a partir de 2019 é um retrato da elite brasileira.

Em artigo parcialmente reproduzido pelo Jornal Oi o jornalista e articulista Kennedy Alencar destaca a falta de compromisso da elite e do STF com os mais pobres e com o próprio país.

Haverá um efeito cascata, com elevação de salários no Judiciário, no Ministério Público, no Legislativo e no Executivo. O impacto variará dos R$ 3 bilhões aos R$ 4 bilhões anuais, de acordo com estimativas de técnicos do Congresso Nacional. A diferença se deve à incerteza sobre o efeito nas contas de Estados e municípios.

Como a remuneração de um ministro do STF é o teto constitucional do serviço público, a cada subida, os demais salários do funcionalismo do país são puxados para cima. Se o STF dá um mau exemplo, por que senadores, deputados federais e estaduais e vereadores deixarão de elevar os seus vencimentos? 

Aliás, o padrão no Judiciário e no Ministério é ganhar acima do teto de R$ 33,7 mil. Não há dúvida de que esses salários continuarão a superar o novo teto salarial quando aprovado.

O valor será de R$ 39,3 mil, mas o céu sempre é o limite para magistrados e integrantes do Ministério Público que dizem ser insuportável tocar a vida com os ganhos atuais. Eles deveriam refletir sobre quão privilegiados são no país real em que vivem.

Detalhe: não foi dada ontem uma palavra do STF a respeito do fim do auxílio-moradia. A Suprema Corte vai empurrando o tema com a barriga. O aumento salarial e a manutenção de penduricalhos são uma imoralidade chapada, para usar expressão cara ao ministro Luiz Fux, pai da liminar que criou a farra do auxílio-moradia.

A decisão do STF tira autoridade do Judiciário para ser o farol ético do país, como pretendem magistrados e procuradores que entoam seus feitos de combate à corrupção.

Só o egoísmo social e o encastelamento num mundo de privilégios explicam propor um reajuste numa hora de grave crise fiscal, com a volta de doenças do século 20, com cortes na saúde e na educação e com desemprego na Lua. A História vai julgar. Que composição! Que colegiado!