Só dois dos 11 feridos no massacre do Raul Brasil já retornaram para a escola
O massacre que terminou com dez mortos, incluindo os assassinos, completa um mês neste sábado/ Foto: Divulgação
Prefeitura de Guararema

Reportagem do G1 destaca que dos 11 estudantes feridos durante o massacre na Escola Estadual Raul Brasil apenas dois retornaram à sala de aula até esta sexta-feira, 12.

O massacre que terminou com dez mortos, incluindo os assassinos, completa um mês neste sábado, 13.  O caso teve repercussão em todo o mundo e neste sábado a Prefeitura de Suzano promove o evento ‘Suzano Pela Paz’ também em homenagem as vítimas do massacre.

Entre os alunos que já voltaram para a Raul Brasil está Samuel Silva Félix, de 14 anos. Ele levou um tiro na perna e correu até um hospital em busca de atendimento, onde ficou internado por três dias.

O adolescente já foi liberado pelos médicos e pode retomar os estudos. A única restrição é para não praticar exercícios físicos por 45 dias.

Apesar de na sala de aula ainda faltar alguns amigos e de a nova cor do prédio não ter apagado as memórias do massacre do dia 13 de março, Samuel disse ter sentido serenidade na última segunda-feira, 8, ao retornar à escola, que foi palco do atentado.

“Ainda quero continuar na escola por tudo, por todos, pelos professores, pelos alunos, mesmo que alguns amigos tenham saído”, diz.

Outro que voltou para a mesma escola é José Vitor Ramos. No dia do ataque, ele foi atingido por um machado. O primeiro dia de volta foi na quarta-feira, 10, segundo a mãe dele, Sandra Regina Ramos.

“Ele está meio receoso ainda. Disse que mudou bastante coisa, tem segurança, fizeram manutenção, mas ele disse que o que foi feito não vai tirar da cabeça”, diz a mãe.

Sandra conta que o filho, que está no 2º ano do ensino médio, ganhou uma bolsa de estudos, mas só deve mudar de escola no próximo ano.

Ela se preocupa se os professores da outra instituição irão compreender tudo que ele viveu. “De repente pode ser totalmente diferente, professores não entenderem o que ele passou”, diz a mãe.

Em busca de uma nova escola

Baleado no ataque, Leonardo Vinícius chegou a contar em entrevista em frente à escola, seis dias após o massacre, que ficaria na unidade porque a união com os amigos daria força para continuarem.

Mas no dia em que foi à aula, não se sentiu bem e decidiu que é melhor estudar em outra unidade. Segundo a família, ele vai passar por uma cirurgia no queixo, onde foi atingido por uma bala e, depois, pedirá a transferência escolar.

Ainda de licença médica

Já Leonardo Martinez Santos machucou o pé enquanto tentava fugir pelos galhos de uma árvore da escola. Ele deverá ficar por 45 dias sem colocar o pé no chão. Neste período, não volta para a escola.

No entanto, de acordo com a família, o jovem pretende retornar a Raul Brasil assim que possível para terminar o terceiro ano do ensino médio e tentar uma bolsa na graduação de administração de empresas. Em casa, ele joga videogame e aprende a tocar violão para passar o tempo, já que ainda não pode andar.

Quem também ainda não tem condições de voltar é Letícia de Mello Nunes, atingida por um tiro na barriga.

De acordo com a mãe, havia um planejamento dela retornar à Escola Raul Brasil na próxima segunda, mas teve uma consulta esta semana e o médico pediu que a adolescente ficasse em casa por mais alguns dias, porque ela não pode permanecer sentada por muito tempo.

Letícia queria voltar para a escola junto com a amiga Beatriz, que a protegeu durante o ataque e acabou baleada também.

“Eu estou indo aos poucos, cada dia melhoro um pouco, mas já acho que está na hora de ir estudar, encontrar os meus amigos. Eu falo todos os dias com a Beatriz. Ela ainda não voltou também, o nosso plano é de voltarmos juntas para uma não sentir a falta da outra lá”, diz a estudante.

A reportagem não conseguiu contato com a Beatriz. Anderson Carrilho foi o último estudante a receber alta médica. Ele precisou passar por uma cirurgia na clavícula.

Segundo a mãe, Solange Viana Carrilho de Brito, o filho está em atestado médico por 30 dias, mas foi até a escola nesta semana encontrar com os amigos e manifestou o interesse de voltar assim que puder.

Sem condições de pensar em voltar

Para Adna Bezerra, de 16 anos, o retorno aos estudos para estar mais distante. A mãe dela, Isabel Bezerra, contou que a filha está em tratamento psicológico e ainda não está preparada para retornar à escola.

Tatiana Gomes Louro é mãe de Murillo Louro e vive uma situação parecida. Ela conta que o filho ainda não conseguiu retomar a rotina, tem dificuldade para se alimentar, não dorme bem por conta dos pesadelos e ainda sente dor na costela fraturada.

O adolescente já recebeu alta médica, mas ainda tem receio de ir para a escola. “Com certeza ele ainda está bastante tocado com tudo o que aconteceu. Eu, como mãe, me sinto insegura de deixar ele ir para a escola, imagine como ele não está também”, afirmou ele ao G1.

Jenifer da Silva Cavalcante, de 16 anos, se fingiu de morta durante o massacre, mas foi pisoteada pelos amigos que fugiam dos assassinos.

Bastante machucada, ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, onde passou por cirurgia para a retirada do apêndice, além de ter sido diagnosticada com inchaço no rim.

Segundo a mãe, Regiane de Jesus Oliveira, ela ainda está passando por exames e não retornou à escola. Ainda não há previsão para isso acontecer, já que a jovem está basante abalada.

O aspecto psicológico também pesa bastante para o retorno de Guilherme Ramos do Amaral aos estudos. Ele sequer fala disso com a família.

O jovem foi encaminhado do Pronto-Socorro Municipal de Suzano, onde passou por cirurgia. Segundo a mãe, Roseli Ramos, o adolescente ainda não recebeu alta médica do tratamento que faz em casa, por isso ainda não retornou à escola. “Ele ainda está meio confuso com a situação de voltar à escola, não quer falar sobre o assunto”, conta a mãe.

Investigação

Um adolescente está apreendido desde o dia 19 de março, sob suspeita de ser um dos mentores do crime.

O advogado de defesa dele, Marcelo Feller, afirma que o cliente apenas “fantasiou o crime, mas não executou”.

Nessa quarta-feira, 10, segundo o G1, um mecânico foi preso na zona rural de Suzano. Para a Polícia Civil, ele participou da negociação da arma e munição que possivelmente foram utilizados no massacre.

Já na manhã dessa quinta-feira, 11, outros dois homens também foram presos também sob suspeita de fornecer arma e munição aos assassinos.

Em entrevista coletiva, o delegado seccional de Mogi das Cruzes, Alexandre Barbosa Ortiz, disse que a negociação foi feita por meio de redes sociais.