Será que para os brasileiros, refugiado bom é refugiado longe?
Prefeitura de Guararema 360º

Muitos brasileiros ficaram comovidos com os refugiados sírios tentando entrar em alguns países da Europa enquanto fugiam da guerra, e se indignavam com o fato de alguns deles se negarem a receber essas pessoas, porém, o que parece é que esse discurso só vale quando o assunto é do outro lado do globo, pois, os refugiados venezuelanos que buscam ajudam aqui no Brasil, estão encontrando opressão e violência, principalmente na últimas semanas.

A Venezuela vem passando por uma gigantesca crise econômica nos últimos anos, que vem fazendo com que insumos básicos não cheguem as prateleiras dos mercados, e mesmo quando chegam os preços vão as alturas. Isso fez com que os venezuelanos em situação de miséria começassem a migrar para os países vizinhos, com o objetivo de fugir da fome e violência que tomou o país.

O Brasil não é o principal destino, mas ainda assim tem recebido em média 500 pessoas por dia, principalmente na cidade de Pacaraima, em Roraima, que passou por um aumento de 10% da população nos últimos três anos.

A chegada em massa dessas pessoas tem incomodado os moradores de Pacaraima. No auge de sua fúria, movidos por boatos de um possível assalto realizado por um venezuelano, os brasileiros atearam fogo no acampamento que abrigava centenas de famílias refugiadas, que acabaram voltando para o seu país no último sábado, com medo de mais violência.

Alguns governantes locais se demonstraram favoráveis ao fechamento das fronteiras, e até fizeram solicitações formais para que de fato ocorresse, entretanto, o pedido não pode ser acatado, pois, segundo juristas, viola o direito internacional, além de descumprir um dos princípios básicos dos direitos humanos.

Esse tipo de situação, deixa claro o quanto o Brasil não está preparado para essa condição, pois em relação a outros países que fazem fronteira com a Venezuela, foi o que menos recebeu refugiados e o que mais teve dificuldade em fazê-lo. A partir disso, o governo tem que pensar em uma atitude coerente com seus deveres internacionais e que não comprometa a vida dos brasileiros em questão.