Prefeitura de Mogi das Cruzes

O ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Junji Abe (PSD), deve ser empossado nesta quarta-feira, 21, no cargo de deputado federal em Brasília para onde viajou na tarde de ontem após conversar com a imprensa sobre o seu retorno ao Congresso Nacional.

Junji Abe, de 77 anos, vai assumir a cadeira do deputado federal Paulo Maluf (PP) que está preso e foi afastado do mandato parlamentar na segunda-feira pelo presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM).

Junji Abe conversou por mais de uma hora com os jornalistas de Mogi e da região do Alto Tietê e deixou bem claro que a oportunidade de atuar como deputado federal até o final deste ano poderá criar as condições políticas de que ele e seu filho, o atual vice-prefeito mogiano, Juliano Abe (PSD), precisam para disputarem a eleição deste ano – apesar de o PSD de Mogi (comandado pelo ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal Marco Bertaiolli) sustentar nos bastidores que Junji e nem Juliano terão legenda para concorrer e que, no caso de ambos insistirem em serem candidatos, terão de procurar outros partidos.

Questionado pelo Jornal Oi, Junji  afirmou que a partir desta quarta-feira pretende ‘tirar a limpo’ junto à direção do PSD no Congresso Nacional, os eventuais impedimentos à sua eventual candidatura e a participação de Juliano Abe na campanha para deputado estadual.

Junji destacou que seria lógico e natural o PSD de Mogi dar espaço a quem tem interesse em ser candidato e mais que isso – a quem teria condições de representar o partido a partir de 2019, seja em Brasília ou no Congresso Nacional.

Para além das avalições e considerações de Junji Abe que deverá autorizar para Mogi e cidades da região do Alto Tietê nada menos que R$ 14,8 milhões por meio de emendas parlamentares a quem terá direito, o que ficou claro nessa terça-feira em Mogi (e a reportagem do Oi conversou durante a tarde com diversas lideranças políticas da cidade) é que Junji ‘ao renascer das cinzas como uma Fenix’ vai (querendo ele ou não) incendiar aos bastidores da política mogiana neste ano eleitoral.

“Vai ser uma guerra”, resumiu um experiente vereador mogiano que pediu anonimato. Essa ‘guerra’ teria a ver com o fato de que o ex-prefeito Marco Bertaiolli pretendia /pretende ser o único candidato a deputado federal do PSD em Mogi e região, mas terá de ‘engolir’ a família Abe (pai e filho) em uma disputa que vai gerar (no mínimo) desgaste para todos. Confira a seguir outros pontos importantes da entrevista do ex-prefeito Junji Abe.

Ocupar a vaga de Maluf

“Eu me sinto um pouco triste de substituir uma pessoa condenada (o deputado Paulo Maluf). Não entro no mérito, mas me sinto triste porque devo substituir uma pessoa que em épocas passadas, inclusive, contribuiu com o desenvolvimento de Mogi das Cruzes, com o Estado de São Paulo. Estarei lá na vacância do cargo dele. Não me sinto muito alegre neste sentido, mas minha mente está direcionada”, comentou.

Processos e bloqueio de bens

O ex-prefeito de Mogi também falou sobre os processos de improbidade administrativa que responde na Justiça. São 11 citações na Vara de Mogi das Cruzes. Entre elas ações que resultaram em bloqueio de bens pela Justiça, como o processo que apura a contratação de duas empresas concessionárias do transporte público no município e a concorrência pública feita em 2008 para contratar empresa para fornecer refeições e alimentação láctea para o programa Pró-Criança e refeições para o extinto Pró-Parto.

“Estou sendo acusado de superfaturamento na alimentação. Saiu na imprensa que o Junji teria superfaturado a refeição do Pró-Parto porque custam R$ 127 cada refeição. Só que esse valor são cinco refeições para duas pessoas. O caso do Pró-Parto tem quatro vertentes que enfrentamos processo: a questão da lavanderia, que foi arquivado, a questão do lixo hospitalar, que já ganhamos em primeira e segunda instância e agora vamos enfrentar o processo do gerador que, com certeza, vamos superar e depois o que maldosamente utilizaram em termo de acusação vamos provar a licitude”.

Mesmo com os 79.909 votos no Estado de São Paulo, Junji Abe não conseguiu a reeleição para deputado federal, em 5 de outubro de 2014.  Ele ficou na suplência e está assumindo a cadeira de Maluf.

“Vejo estas acusações com uma tristeza enorme para minha pessoa, família, amigos e pessoas que me conhecem. Não que alguém tenha errado ou cometido intencionalmente o dolo, mas um erro de ordem administrativa pode acabar culminando num processo. São denúncias infundadas, mas enquanto o processo estiver correndo na justiça, lamentavelmente sou mais um. Mas estou com consciência tranquila porque nenhum destes processos se enquadram na Lei da Ficha Limpa, porque para se enquadrar precisa ter alguns requisitos básicos e nos meus processos até agora não tive uma condenação por malversação de dinheiro público, enriquecimento ilícito e dolo. Daí a razão de que no transcorrer dos processos tenho certeza de que estaremos sendo absolvidos”, afirmou ele.

Intervenção e reforma da Previdência

O deputado também foi questionado sobre os assuntos polêmicos que terá de enfrentar no Congresso, como a intervenção do governo federal no Rio de Janeiro e a reforma da previdência: “Pelas informações que tive de Brasília, talvez o presidente Michel Temer tenha tomado essa medida de intervenção por não conseguir votos suficientes para a Reforma da Previdência”, disse.

Sobre a reforma, o deputado preferiu não dar a sua opinião. “Não te dizer se hoje eu votaria a favor ou contra, porque o projeto teve muitas alterações e eu preciso analisá-las para avaliar se ainda compensa ou não aprová-la. Mas acho que esta avaliação está vindo na hora errada. O sistema deve ser discutido quando o País está estabilizado”, considerou.

Retomar cerca de 40 projetos

O deputado informou que irá analisar cada uma das mais de 40 propostas apresentadas em sua última legislatura, em 2014, para decidir quais podem ser retomadas. Ele também destacou que deve se reunir com os prefeitos do Alto Tietê para ouvir as demandas regionais e que deve apresentar emendas parlamentares para municípios menores e com dificuldades em manter a receita, como é o caso de Poá, que perdeu cerca de R$ 140 milhões após mudança na lei que regulamenta o repasse de ISS.