República destroçada, democracia virtual
Temos um país polarizado, com a cara colada na tela do computador e dos smartphones, com trocas de ofensas e desatinos
Prefeitura de Mogi

Dentro da pior crise republicana da história do país, quando essa forma de governo está às vésperas de completar 130 anos de existência, temos uma das piores e mais ultrajadas campanhas eleitorais desta trajetória.

A justiça eleitoral, insensível às necessidades democráticas do país, mas como fiel cão de guarda dos locatários do poder joga o debate político para um tempo ridículo, que só tem servido para surgir militâncias virtuais nas redes sociais pregando ódio, preconceito e notícias falsas (fake News).

Se determinou a campanha entre 16 de agosto a 6 de outubro, exatos 52 dias, período esse que estamos assistindo não a uma debate de ideias e propostas para o Brasil, mas uma guerra fraticida, algo que feriu mortalmente a harmonia nacional.

Temos um país polarizado, com a cara colada na tela do computador e dos smartphones, com trocas de ofensas e desatinos. Esse é o Brasil virtual ocupando com brutalidades o que deveria ser comemorado como um clima democrático e saudável, como ocorre nos países civilizados.

Como eleitores, enfrentamos hoje uma avalanche de mentiras sendo pregadas por estrategistas de partidos políticos como verdades absolutas, que chegam ao ponto de lançar e manter em evidência um preso comum, impedido pela lei da ficha limpa, como candidato.

Ou pior, usar um atentado contra a vida de um candidato para fazer apologia ao crime e estimular uma relação de ódio e rancor contra qualquer ideia oposta, num esforço não apenas para marginalizar o diferente, mas para lança-lo como um criminoso que deve ser banido da sociedade. Esse é o terrorismo virtual !

Estão novamente, mesmo sob um cenário tétrico, enganando os eleitores, desprezando a cidadania. Temos uma campanha e candidatos virtuais, a realidade está passando longe deste pleito.

Adair Loredo, advogado, cientista social e doutorando em ciências sociais na PUC-SP