Mais renovado desde 1998, novo Congresso terá perfil conservador
Dessa aura de mudança, sobretudo pelos principais focos de alterações na composição, se extrai um avanço do pensamento conservador/ Foto: Divulgação
Vai Encarar ?

O resultado que emergiu das eleições de 2018 mostrou uma forte rejeição aos partidos e políticos tradicionais e impôs uma ampla renovação aos quadros do Congresso Nacional. Na Câmara, 52,54% dos parlamentares não fazem parte da atual legislatura.

No Senado, foi de 85,19%. Nessa toada, ficaram sem mandato caciques que marcaram a política brasileira nas últimas décadas, como Romero Jucá (MDB-RR), líder dos últimos quatro presidentes (FHC, Lula, Dilma e Temer) dentro do legislativo federal e o próprio presidente da Casa, Eunício Oliveira (MDB-CE).

Dessa aura de mudança, sobretudo pelos principais focos de alterações na composição, se extrai um avanço do pensamento conservador, com a disparada do PSL, cujo desempenho superou qualquer expectativa até mesmo da sua direção – que, em seus maiores sonhos, imaginava fazer até 30 deputados.

Fez 52, movimentados por puxadores de voto em vários estados do país, com menção especial para o 1,8 milhão de votos recebido por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), que superou o recorde de Enéas Carneiro, do antigo Prona, e se tornou o deputado federal mais bem votado da história brasileira.

Já o PT foi afetado pelo sentimento anti-petista, sobretudo no Sul e no Sudeste, e despencou em representação no Senado. Em 2010 (as vagas na Casa são renovadas a cada oito anos), o partido elegeu onze senadores.

Nesse domingo 7, foram apenas quatro, com derrotas marcantes de lideranças da legenda, como o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG) e o atual senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Por outro lado, os petistas conseguiram manter uma forte representação na Câmara, com 56 deputados federais (hoje, são 61), sendo a maior bancada com pouco a mais do que a representação da legenda de Bolsonaro.

Com a intensa queda do PSDB e do MDB, agora dividindo posições com as legendas do chamado Centrão, o protagonismo do Legislativo se vira para os partidos dos dois candidatos que conseguiram avançar para o segundo turno das eleições presidenciais, o capitão da reserva e Fernando Haddad (PT).

Apesar de serem as maiores bancadas, as legendas só ocupam cerca de 10% das vagas na Câmara, sendo mais uma vez forçadas a negociações para governar. No caso de Bolsonaro, caso ele seja eleito, a expectativa é de agregar deputados não através de acertos com os comandos partidários, mas sim com acenos às pautas de grupos temáticos, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a Frente Parlamentar Evangélica e a os parlamentares ligados à defesa da flexibilização do porte de armas – as bancadas “do boi, da bala e da bíblia”.

Caso reverta a vantagem, Haddad, por sua vez, teria mais dificuldade em governar, ao que tudo indica. Para o ex-prefeito, seria necessário retomar a estratégia dos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), restabelecendo as relações políticas com os partidos do Centrão, que no primeiro turno apoiaram apenas formalmente Geraldo Alckmin (PSDB) e que desde o início se dividem em dois grandes blocos, fazendo campanha de acordo com conveniências regionais.