PR e Costa Neto deverão sofrer ‘como nunca’ com o governo de Bolsonaro. ‘Rusgas do passado’
No governo do capitão Bolsonaro, PR e Costa Neto, deverão (pelo menos no início do mandato) passar a pão e água/ Foto: Divulgação
Guararema Mirante Novembro

Foi-se o tempo em que PR e seu todo poderoso comandante, o ex-deputado federal por Mogi das Cruzes, Valdemar Costa Neto nadavam de braçadas no governo federal, ou seja, tinham direito ao Ministério dos Transportes com ‘porteira fechada e tudo’.

No governo do capitão Bolsonaro, PR e Costa Neto, deverão (pelo menos no início do mandato) passar a pão e água. Essas são as avaliações de lideranças do próprio PR em Suzano e Mogi e que conversaram com a reportagem do Jornal Oi sobre  qual deverá ser a relação entre Costa Neto e Bolsonaro.

Além do discurso de combate a corrupção que obviamente impediria uma relação mais próxima entre o novo presidente e o dono do PR, existiriam, também algumas pendências políticas e até pessoais surgidas nas tentativas que o PSL fez para ter o PR como vice na chapa de Bolsonaro.

O desacordo, ou melhor, o ‘desacerto’ teria ocorrido em razão de exigências feitas pelo PR que o capitão teria considerado absurdas e exageradas. Importante destacar que lá em 2002 o PR indicou o vice de Lula que precisava de uma liderança ‘mais de direita’ para ser melhor aceito pelo eleitorado ‘conservador’.

Obviamente que o PR obteve as devidas contrapartidas por ter indicado o vice de Lula, incluindo o tão ‘visado’ Ministério dos Transportes. O poder do PR se manteve intacto nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, mas ao que tudo indica o reinado do PR no governo federal está com os dias contados. Ou não?

Será preciso aguardar alguns meses do novo governo para sabermos se Bolsonaro poderá mesmo descartar Costa Neto e o PR ou, em nome da governabilidade, irá manter forte o poderoso PR de Costa Neto. O comando do PR na região do Alto Tietê, em São Paulo ou em Brasília poderá se manifestar sobre o assunto nas próximas horas.

Saiba como foi o convite do PSL que o PR ‘recusou’    

Em março deste ano, o então pré-candidato à Presidência pelo PSL, o deputado federal Jair Bolsonaro ofereceu ao PR a vaga de candidato à vice-presidente em sua chapa. O presidenciável buscava uma aliança com o partido para aumentar seu tempo na propaganda eleitoral no rádio e na TV. O PR poderia agregar cerca de 45 segundos ao tempo de Bolsonaro.

Sozinho pelo PSL, ele teria menos de 10 segundos. A oferta para dividir a chapa foi feita ao senador Magno Malta (PR).

“Tenho conversado com o Magno não é de hoje. Acho um excelente parlamentar. E logicamente, se prosperar nossa ideia de disputar a convenção agora para presidente da República, o Magno Malta, se quiser somar conosco, da minha parte está fechado”, afirmou Bolsonaro ao Estadão/Broadcast. “Já conversei com ele, mas não aprofundamos detalhes”, disse ele.

O senador é o principal interlocutor de Bolsonaro no PR. O presidenciável, contudo, também tem boa relação com o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), que, na prática, é quem comanda o partido.

Os dois assumiram o primeiro mandato na Câmara na mesma época, em 1991, e foram colegas até 2005, quando Costa Neto renunciou ao mandato em razão do envolvimento no escândalo do mensalão, no qual foi condenado anos depois por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Se não for o Magno, a ideia é que seja alguém do PR do Nordeste”, disse o deputado Delegado Fernando Francischini (PSL-PR), um dos coordenadores da pré-campanha de Bolsonaro.

Segundo ele, o PR tem muitos filiados na região com perfil parecido com o que Bolsonaro procura. O parlamentar, porém, não quis citar nomes.

Em troca do tempo de TV, Bolsonaro acenava ao PR com coligações nas eleições proporcionais de deputados nos Estados. Para o PSL, a popularidade do presidenciável poderia ajudar o PR a eleger o maior número de deputados federais, aumentando sua influência política e sua participação no Fundo Partidário – cuja maior parte é dividida proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara.

Depois desse ‘namoro’ a conversa esfriou e agora surgem nos bastidores informações de supostas exigências exageradas feitas pelo PR.