Por uma fé cidadã
No último domingo, 26, a igreja Comunidade da Graça, da qual Carlos Bezerra Junior faz parte, por meio da sua unidade de Suzano, promoveu uma passeata pela paz que entoou orações pela promoção da justiça social plena, pelo fim da violência e pela dignidade dos mais pobres/ Foto: Rodrigo Mendes da Silva
Prefeitura de Suzano

Existe uma transformação em curso. Há um movimento dentro do meio evangélico brasileiro que quer ressinificar o que é a atuação cristã na política e na vida pública de forma a preservar a democracia brasileira e a laicidade do estado.

Recentemente tive contato com três livros que são, ao mesmo tempo, causa e consequência desse movimento. São eles: “O Brasil Polifônico” de Davi Lago; “Uma Fé Pública” do croata Miroslav Volf; e a obra “Fé Cidadã: quando a espiritualidade e a política se encontram”, do deputado estadual e médico, Carlos Bezerra Junior.

Em vez de defender o interesse corporativista de certos segmentos religiosos, essa ideia de como a fé cristã atua no mundo entende que a participação pública e cidadã precisam promover o bem público da sociedade.

O que é uma diferença fundamental da forma com que os grandes grupos religiosos de “interesse privado” lidam com a política e a sociedade. Um princípio basilar desse novo olhar está na promoção do cuidado aos mais pobres, na defesa da dignidade da pessoa humana e na busca pela efetivação do acesso aos direitos mais elementares: os direitos humanos.

Essa visão não nasceu no século 21, mas tem ganhado cada vez mais espaço. Nela existe uma profunda potencialidade de impactar a sociedade brasileira de forma significativa dada o crescimento dos evangélicos no Brasil em quantidade e em diversidade.

Isso também contribui para desistigmatizar esse grupo social e também para a sua descaricaturização.

No livro Fé Pública, citado anteriormente, Carlos Bezerra Junior diz sonhar com “o dia em que os cristãos farão marchas pelas mulheres e pelos jovens vítimas da violência” e se pergunta: “Quando marcharemos pela erradicação da miséria, da exploração sexual de crianças e do trabalho escravo, em solidariedade aos mortos, em defesa da vida plena para todos e todas?”.

Eu fui testemunha da materialização de uma resposta a essa pergunta aqui na cidade de Suzano. No último domingo, 26, a igreja Comunidade da Graça, da qual Carlos Bezerra Junior faz parte, por meio da sua unidade de Suzano, promoveu uma passeata pela paz que entoou orações pela promoção da justiça social plena, pelo fim da violência e pela dignidade dos mais pobres.

A marcha cortou o centro da cidade debaixo de chuva e frio. Parabéns ao pastor Valter Oliveira pela iniciativa. Carlos Bezerra Junior deve ter ficado feliz. Evangélicos assim fazem bem ao Brasil.