Por que Guilherme e Luiz Henrique fizeram um massacre em Suzano? Eles queriam ‘reconhecimento’
Algumas vítimas da dupla insana foram veladas ontem na Arena Suzano /Foto: Glaucia Paulino/Oi Diário
Prefeitura de Mogi das Cruzes

O delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, falou neste dia 14 sobre qual seria a principal motivação de Guilherme Taucci, de 17 anos, Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, para cometerem o massacre de alunos e funcionários na Escola Estadual Raul Brasil em Suzano.

Na manhã de quarta-feira os dois invadiram a escola e mataram sete alunos e funcionários, além de um tio de Guilherme que foi executado momentos antes de a dupla invadir a unidade escolar.

Depois de cometer o crime, Taucci teria matado o comparsa para depois cometer o suicídio. Os dois criminosos foram sepultados nesta quinta-feira em Suzano, bem como a maioria de suas vítimas.

De acordo com fontes, a investigação aponta que os autores do massacre esperavam reconhecimento. “Esse foi o principal objetivo, não tinha outro”, diz delegado Ruy Ferraz Fontes.

“Não se sentiam reconhecidos, queriam demonstrar que podiam agir como [o massacre em] Columbine, nos Estados Unidos, com crueldade e com um caráter trágico, para que fossem mais reconhecidos do que eles eram”, afirmou.

Tal informação foi relatada à polícia por testemunhas próximas de um dos assassinos. “Pessoas que estavam próximas dele e obtiveram essa informação diretamente dele”.

Para o delegado, a questão do bullying é pouco representativa, pois foi citada em apenas uma parte da investigação. A polícia trabalha com a questão do reconhecimento e vingança na motivação da morte do tio.

“Na realidade, ele estava se sentido não reconhecido pelo tio, apesar de o tio ter contratado ele para trabalhar na empresa, mas ter que demitir posteriormente, porque ele estava praticando pequenos furtos”, explicou o delegado Fontes ao site G1.

Segundo a polícia, a investigação indica que eles não pretendiam fazer ataques em outras escolas. “Todo material colhido não demonstra que eles fariam ou tentariam fazer outros ataques em outras escolas”, afirmou.

Organização criminosa

“No momento não vamos revelar como era feita a comunicação [entre os criminosos]. O que posso indicar é que a maioria das conversas deles eram pessoais, travaram poucas conversas através da internet. Não tenho nenhuma evidência, até o presente momento, de que eles estivessem consultando a ‘deep web’, para poder ter material suficiente para executar o que executaram”, disse o delegado.

O Ministério Público (MP) apura se uma organização criminosa na internet está por trás do massacre na Escola Estadual Raul Brasil em Suzano. Outras linhas de investigação também são verificadas.

Um promotor do júri e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ambos do MP, querem saber se os assassinos foram incitados ao crime por membros de um fórum na “deep web”, um segmento da internet que não pode ser encontrado por buscadores como o Google e onde podem estar redes e sistemas anônimos.

O MP atuará diretamente com ao Polícia Civil, que já investiga o caso e busca saber qual foi à motivação do crime. Se os órgãos apontarem alguém que tenha incitado os assassinos a cometerem o crime, essa pessoa ou grupo de pessoas poderão responder por organização criminosa ou até por participação na chacina.