Parceiro do ex-prefeito Filló é preso. Justiça também quer Adair Loredo na cadeia 

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Arnaldo Antunes de Souza, ex-secretário municipal de Administração e Segurança de Ferraz de Vasconcelos durante a gestão do ex-prefeito Acir Filló – que está preso desde abril de 2017- foi preso nessa quinta-feira, 8. Antunes que é irmão do ex-presidente da Câmara em Ferraz, Roberto de Souza, é réu em ações civis e criminais que apuram crimes de improbidade administrativa, peculato e falsidade ideológica na licitação do serviço de call center de atendimento ao cidadão “Fala Ferraz”, que nunca funcionou, segundo informações do site G1.

O Poder Judiciário também pediu a prisão preventiva de Adair Loredo, ex-secretário de Governo. Ele também ‘operou’ no governo do ex-prefeito Acir Filló e teve sua prisão decretada em razão de crimes praticados durante o período em que foi parceiro de Filló na prefeitura de Ferraz.

Segundo o Ministério Público, ex-secretários, ex-prefeito e servidores desviaram R$ 502.224,64 dos cofres públicos entre 2013 e 2014.

As prisões preventivas foram decretadas no dia 1 de fevereiro de 2018 pelo juiz Bruno Dello Russo Oliveira. O pedido inclui o ex-prefeito Acir Filló, que foi preso no dia 27 de abril de 2017 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos por suspeita de ter fraudado uma sindicância que apurava desvio em contratação de empresa de informática. Isso quer dizer que se Filló já não estivesse preso em Tremembé, ele seria levado a cadeia por conta desse processo do call center que levou para trás das grades Arnaldo de Souza.

Outros crimes e outros processos

Arnaldo Antunes também é réu em ações civis por improbidade administrativa e investigado em dois inquéritos policiais que apuram crimes de peculato e falsidade ideológica. Já Adair Loredo é réu em ação civil por improbidade administrativa e ação criminal que apura fraudes em licitações para contratação de serviços de informática e jardinagem em Ferraz.

Influência política e atuação organizada

Apesar do histórico de falcatruas em Ferraz, esses dois ex-secretários de Filló passaram por outras prefeituras do Alto Tietê nos últimos três anos. De acordo com o G1, Arnaldo chegou a assumir a Secretaria de Governo de Biritiba Mirim e Adair foi secretário de Administração em Poá, o que, segundo o juiz “indica influência política, atuação organizada e risco concreto de proliferação das práticas ilícitas para outras cidades”.

Segundo a prefeitura de Biritiba Mirim, Arnaldo foi exonerado do cargo no dia 6 de fevereiro (essa data indica que ele só deixou o governo de Biritiba quando soube da decretação de sua prisão). Já a prefeitura de Poá informou que Adair foi exonerado durante a gestão do ex-prefeito Marcos Borges.

Vínculo com organização criminosa

O juiz também justifica a prisão preventiva ressaltando que os ex-secretários são suspeitos de vínculo com uma organização criminosa e laços estreitos com o ex-secretário municipal de Ferraz e Biritiba Mirim, Ronaldo Júlio de Oliveira, vulgo “Ronaldo Porco”, atualmente condenado por crimes de lavagem de dinheiro em ações praticadas pela facção.

Indisponibilidade dos bens

Na mesma decisão, o juiz Bruno Dello Russo Oliveira decreta a indisponilidade dos bens do ex-prefeito Acir Filló, dos ex-secretários e outros cinco réus do processo, até o limite de R$ 675.540,00, valor atualizado do suposto prejuízo ao patrimônio público, que deve ser ressarcido ao final do processo. Segundo denúncia da Procuradoria Municipal, a prefeitura pagou mais de R$ 670 mil por um serviço de atendimento ao cidadão que nunca funcionou.

O “Fala Ferraz” era um serviço do tipo call central da prefeitura que deveria estar em funcionamento desde 2013 para a população fazer reclamações ou sugestões. Os documentos que embasaram a denúncia, levantados pelos procuradores da prefeitura, apontam que Acir Filló criou o serviço e nomeou uma ex-servidora pública para ser “laranja” do suposto esquema.

De acordo com a denúncia, a funcionária comissionada da prefeitura foi exonerada para criar a empresa de serviços de atendimento “Tamires de Brito Souza M.E.” em fevereiro de 2013.

A prefeitura promoveu um pregão – uma forma de licitação que vence quem oferece a menor proposta, mas apenas a empresa aberta para a servidora compareceu e, após quatro lances, venceu com o valor de R$ 672.514,50.

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