Para além do PT e do MDB, a Lava Jato vai chegar nos maus juízes?
Fontes de diversas linhagens afirmam que estão em andamento duas delações premiadas bombásticas que podem jogar alguma luz na faixa obscura e patrimonialista do lado podre da magistratura brasileira/Foto: Divulgação
Prefeitura de Mogi das Cruzes

A Lava Jato e o mensalão já revelaram medonhas falcatruas praticadas pelas cúpulas de várias empresas assim como de todos os partidos cartelizados no Brasil, que representam a velha ordem patrimonialista mafiosa. Para a cadeia já foram membros do PT e do MDB e um ou outro dos demais partidos envolvidos.

De acordo com o advogado, Luiz Flávio Gomes, criador do Movimento Quero Um Brasil Ético, o povo nas urnas de 2018 fez uma boa faxina e eliminou da política uma parte considerável dos inimigos da honestidade pública.

Na fila lenta do Judiciário encontram-se próceres da política, do mercado financeiro assim como da mídia. Mas a pergunta que a sociedade faz é se a Lava Jato chegará nos juízes, sobretudo dos Tribunais Superiores.

Fontes de diversas linhagens afirmam que estão em andamento duas delações premiadas bombásticas que podem jogar alguma luz na faixa obscura e patrimonialista do lado podre da magistratura brasileira. São as delações de Sérgio Cabral, ex-governador do RJ e Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio também do RJ.

O CNJ já eliminou ou puniu mais de uma centena de maus juízes. Agora chegaria a vez dos que se enriqueceram indevidamente no cargo.

Cabral já foi condenado a 198 anos de prisão. Não vejo sua eventual delação como um escárnio ou uma desmoralização para a Justiça. Tudo depende dos termos do acordo. Se suas informações e provas forem muito relevantes, poderia ser premiado por isso e ajudaria a sociedade.

Cabral, por mais mafioso que seja, não ocupa o posto máximo na hierarquia das redes criminosas instaladas dentro da estrutura de poder no Brasil. Escárnio maior é não contar com provas para poder condenar os “chefões” da corrupção, os barões, assegurando-lhes a odiosa impunidade.

O acordo com Cabral não teria que ser necessariamente “generoso”, senão justo (equilibrado, sensato, prudente), precisamente o que faltou naquela transação desequilibrada com os donos da JBS, que logo após a negociação foram para o aeroporto e entraram em avião próprio dando “tchauzinho” para o povo brasileiro”. Ficamos todos atônitos e estarrecidos.

Aquilo se tornou intragável para todos os brasileiros. Felizes só ficaram Temer e Aécio, que tinham acabado de ser gravados pelo dono da JBS. Um mandando manter um esquema de propina para alguns presos (“Mantenha isso aí, viu”) e o outro pedindo R$ 2 milhões para o empresário. Ambos seguramente já estariam na cadeia se não fosse a grave falha citada.