Otimismo
Congresso nacional foi tomado pelo povo/ Foto: Divulgação

Sempre me defini como um otimista. Acreditava que se o amanhã não fosse melhor que hoje, depois de amanhã certamente seria. Essa eleição me mudou, e ela ainda nem acabou. Essa eleição é muito diferente para quem, como eu, nasceu num país democrático e sem hiperinflação.

Eu não sei o que é viver na loucura dos preços dos anos 80 e início dos anos 90. Também não sei o que é estar num sistema de governo no qual você não pode dizer o que pensa para não correr o risco de ser torturado e morto.

Cresci com a proteção da constituição de 88 e a estabilidade monetária. Esse momento de incerteza e instabilidade é algo fora daquilo que me acostumei a ver. Um país tão hostil e dividido em uma crise econômica tão profunda e prolongada como essa.

Tudo isso me mudou. Eu continuo um “utopista” e, de certa forma, um “romântico” que acredita num país mais justo, solidário e pacífico.

A visão e a missão de lutar por um país assim não foi me tirada por esse processo. O que me foi tirado foi o otimismo infantil de achar que a democracia, por si só, nos levaria para esse futuro. A democracia nos da a possibilidade de chegarmos lá, mas o caminho é trilhado com muita luta democrática de pessoas que como eu, se dispõem em resistir e lutar por isso.

Portanto eu continuo sentindo que um dia o país de um futuro de justiça, solidariedade e paz se tornará um país do presente. Mas diferente do “otimista infantil” que acreditava no desencadear automático dos acontecimentos para esse futuro generoso, hoje acredito que isso acontecerá se, e somente “se”, partimos para a luta democrática da conquista desse futuro.

A frase mais exata sobre meu sentimento veio do grande nordestino Ariano Suassuna que disse: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança”.