É comum ouvir que “os políticos são todos corruptos”. Dizer o que vou dizer é desconfortável, a verdade nem sempre é doce: a política é um grande reflexo da sociedade.

Todos os grandes cargos da nossa república, sem nenhuma exceção, são preenchidos direta ou indiretamente pelo voto. Até mesmo os ministros do STJ, que não passam pelo crivo do voto, são indicados pelo presidente e sabatinados por senadores, que são democraticamente eleitos.

O notório Eduardo Cunha, Demóstenes Torres, ex-senador flagrado no escândalo do bixeiro Carlinhos Cachoeira, o impeachimado Collor, Renan Calheiros: todos eleitos democraticamente. Não é realmente desconfortável se dar conta disso?

Quando praticamente não recebemos instrução sobre política na escolha pública, quando reproduzimos a fala “política não se discute”, vemos como estamos envoltos em um sistema educacional e numa cultura que reforçam nosso desinteresse pelo processo político. Vemos pessoas trocando voto por dinheiro, comida, ajuda para conseguir emprego, medicamento. Os meios de venda de voto são muitos. Nenhum deles compensa as perdas de ter péssimos governantes. Não vale o custo-benefício, além de ser uma prática imoral e ilegal.

Não se engane, eu sou um otimista. Temos melhorado muito em relação à essas coisas, por mais que ainda existam. A política é tema nas mesas de bar e nos jantares em família. As pessoas conhecem os nomes dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Isso mostra o início de uma mudança.

A eleição desse ano reforçará esse caminho ou nos levará de volta a letargia. Ela será determinante para mostrar a cara da sociedade brasileira.
Mudar o Brasil não passa só por mudar os políticos, mas principalmente por mudar atitudes. As nossas atitudes.