Essa geração, à qual me incluo, nascida pós Guerra Fria, crescida em meio à grande aceleração tecnológica tem sido uma mistura perigosa para os poderosos que se habituaram a exercer o poder para si próprios.

Os jovens estão derrubando governos e causando grandes abalos nos sistemas políticos ao redor do mundo. É uma geração inquieta, desierarquizada e extremamente habituada às transformações tecnológicas.

Lembremos como 2013 balançou o Brasil. Até hoje vivemos diretamente as consequências daquela série de protestos gigantescos que foram, e muito, potencializados pelas redes sociais e pela participação da juventude.

Dois anos antes o mundo viu uma série de protestos em diversos países do Oriente Médio e norte da África que abalaram e/ou derrubaram uma série de governos autoritários.

Começou na Tunísia e se alastrou por Egito, Líbia, Síria, Iêmen, Bahrein, Marrocos e Jordânia. A primavera Árabe aconteceu com uma participação determinante de jovens usando tecnologia para organizar, divulgar e fiscalizar todos os atos e protestos.

Algo similar aconteceu recentemente na Armênia. Com a ajuda fundamental dos jovens trabalhadores do setor de tecnologia tanto para se mobilizar para ir aos protestos quanto para criar ferramentas tecnológicas para potencializar as manifestações, o povo ameno conseguiu derrubar a hegemonia de um partido único que governava o país desde a independência do Bloco Soviético.

Essa foi uma revolução desses jovens que não conheceram a União Soviética, a Guerra Fria e nem Stalin. É inevitável para mim, não sentir empatia por eles. Eu também nasci depois do fim da ditadura brasileira, não conheci a hiperinflação dos anos 80 e nem vi a queda do muro de Berlin. É necessário acreditar numa revolução em terras tupiniquins e tenho fé na juventude brasileira para realizar isso.