Os donos do Brasil e de seu povo
O incêndio no Museu Nacional, que incinerou o que se guardou e pesquisou sobre esse país, é uma mostra do desprezo imenso que somos tratados como povo, como nação/ Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil
Prefeitura de Mogi

O arremedo republicano que vivemos fica cada dia mais evidente para quem se esforça minimamente para perceber o quanto somos enganados neste país.

O incêndio do Museu Nacional, que incinerou o que se guardou e pesquisou sobre esse país, é uma mostra do desprezo imenso que somos tratados como povo, como nação.

Há uma classe dominante, que se tornou locatária do poder e que concede a altíssimos custos a possibilidade de participar do comando da nação.

Quando falo desta oligarquia, para ser mais didático, falo dos barões do poder, de gente que de uma maneira ou de outra fizeram enormes concessões para se aninhar no poder e em suas benesses. Uma vez dentro, fazendo parte do jogo, tudo pode e tudo é concedido. Mas que se mantenha dentro das regras criadas pelos donos do poder, perpétuo e, por vezes, hereditário.

Veja o discurso dos pretendentes ao posto republicano mais alto, o de presidente. Quantas vezes há citações sobre a estruturação de nossa república, pouquíssimas para não cair na tentação de cravar nenhuma. Entretanto, a democracia, essa sim uma ferramenta que consegue dar tons legalistas e populares ao pleito e a chegada ao poder, essa sim é elencada pelo menos uma vez a cada 50 palavras.

Entre as formas de governo, a república (coisa pública) é sem dúvida a melhor. Nosso sistema de governo é presidencialista, um tanto centralizador no poder executivo e que afasta em muito a participação popular em suas decisões. Nosso regime de governo é democrático, apesar de nunca ter se desvencilhado plenamente de seu antagônico, a ditadura.

E no Brasil ainda temos uma forma de Estado federativa, apesar da baixa autonomia do que seriam suas províncias e erroneamente chamados de Estados, como nos Estados Unidos da América.

Ainda hoje estamos longe de nos consagramos como uma república federativa democrática plena. Mas voltaremos ao tema no próximo artigo.

Adair Loredo, advogado, cientista social e doutorando em ciências sociais na PUC-SP