Prefeitura de Guararema

É impossível não ter tido a humanidade ferida com os acontecimentos da última quarta-feira na escola Raul Brasil. Estudei ali. Um espaço de muitas risadas, amizades feitas e aprendizados era violentamente ferido pelas marcas do ódio.

A primeira escola fundada após a emancipação da cidade ficou conhecida no Brasil inteiro por momentos de tristeza e morte.

A reação da cidade de profunda solidariedade. Logo após os acontecimentos já havia muita gente lá na porta para ajudar como pudesse.

Psicólogos têm atendido voluntariamente as famílias e os jovens. A uma reportagem do El País uma das vítimas disse que “estava desestruturada até conversar com o psicólogo”. A colaboração dada faz toda a diferença.

Essa semana foi preenchida por atos constantes em frente à escola. Como diz o grande Rubem Alves: “os que bebem juntos da mesma fonte de tristeza descobrem, surpresos, que a tristeza partilhada se transmuta em comunhão”.

Durante todos os acontecimentos o poder público foi eficiente e eficaz: fez as coisas certas da maneira certa. A polícia foi fundamental para que a tragédia não fosse ainda maior, chegando com grande rapidez à escola.

A Prefeitura atuou acertadamente e com muita sensibilidade no atendimento às famílias. É importante ressaltar quando o poder público age tão bem como agiu.

O que eu não vi e me deixa profundamente preocupado é a ausência de um debate sério das lideranças públicas do país sobre os aspectos dessa tragédia: segurança nas escolas, radicalização de jovem na internet, o papel da família e da escola no desenvolvimento juvenil, acesso a arma de fogo e armas brancas.

Essa não é a primeira tragédia do tipo no Brasil e a omissão das lideranças do país para mitigar os riscos e tratar a origem do problema nos deixa vulneráveis para que essa não seja a última.

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É importante destacar alguns dentre os muitos que vi agindo com solidariedade desde quarta da semana passada.

Já no dia da tragédia o pastor Rogério Quadra, da Primeira Igreja Batista de Suzano convocou uma vigília de corações e canções para aquela noite. Muita gente compareceu, dente elas o pastor Valter Oliveira da Comunidade da Graça de Suzano. Os dois desde então tem estado junto aos estudantes e às famílias.

De São Paulo vieram ao longo dos dias os pastores Davi Lago, capelão da Convenção Batista Brasileira; Felipe dos Anjos, pastor da Igreja Batista da Água Branca; e Pastor Daniel Checcio da Rede Social do Centro.

Também presente ao longo dos dias esteve o Bispo Júlio Vertullo da Igreja Cristã Mundial de Suzano, pastor de Kaio Lucas, uma das jovens vítimas. Como cristão e evangélico tenho o coração tocado pelas iniciativas desses irmãos de fé.