O fim do velho sistema político
O maior derrotado foi o PSDB. O partido teve o pior resultado de sua história numa corrida presidencial/ Foto: Divulgação

Antes do início do período eleitoral era praticamente consenso entre os cientistas políticos e outros analistas que a renovação do Congresso seria pequena. Não poderiam estar mais errados.

A Câmara dos Deputados terá metade de novatos e as cadeiras do Senado em disputa foram renovadas em 85%. A vontade da sociedade foi avassaladora. Os velhos políticos fizeram de tudo, mas não foi o suficiente.

Toda a organização do sistema político vigente desde a redemocratização foi explodida pela força do voto. Esse sistema que foi construído sobre a polarização PSDB-PT, tendo o PMDB e outros partidos satélites como fiéis da balança acabou.

Naquele sistema quem ganhasse a eleição, entre PSDB e PT, levaria o bloco PMDB e satélites como base de governo e assim conseguiria ter estabilidade para governar.

A eleição de 2018 foi um trator que passou por cima disso tudo. O PT se apoiando na força da candidatura de Haddad-Lula foi quem menos perdeu, mas ainda sim teve grandes reveses.

Apesar de eleger menos deputados fez a maior bancada. As maiores perdas são a do Senador carioca Lidebergh Farias e dos favoritos Dilma em Minas e Suplicy em São Paulo.

O PMDB deixou de ser a maior bancada da Câmara e caiu de 66 eleitos para 34. No Senado, grandes figurões como Romero Jucá e Eunício Oliveira, ficaram de foram.

Mas o maior derrotado foi o PSDB. O partido teve o pior resultado de sua história numa corrida presidencial, a bancada da Câmara foi da 3ª maior para o 9º lugar e ainda saiu cheio de rachas internos. Nomes como Beto Richa e Marconi Perilo ficaram de fora do Senado. Este último ainda deve uma prisão decretada dias após a eleição.

Me parece claro que o velho sistema ruiu. A sociedade deu um claro sinal do esgotamento por completo da organização política vigente. A antipolítica foi a grande vencedora desta eleição.

Agora, sobre os escombros de um velho sistema, precisamos observar a reorganização das forças política e a partir daí construirmos algo melhor do que o que era antes. Algo que seja construído com base no diálogo, na tolerância e no respeito. Se não for assim, tudo terá mudado pra pior.