O escândalo do Rio Tietê
Só na Região Metropolitana de São Paulo, com 20 milhões de habitantes, 41% do esgoto é despejado em rios como o Tietê sem nenhum tipo de tratamento. A despoluição de um rio é, acima de tudo, uma questão de planejamento urbano/ Foto: Divulgação
Prefeitura de Mogi das Cruzes

Em 1993, o então governador do Estado de São Paulo, Luís Antônio Fleury Filho, lançou o programa de despoluição do Rio Tietê. A promessa era que em até 2005 seria possível beber a água do rio. De lá para cá, passaram-se 25 anos, e foram gastos 8 bilhões e 800 milhões de reais.

O resultado todos nós conhecemos – um absoluto fracasso do ponto de vista financeiro e ambiental; o rio não foi despoluído e uma quantidade imensa de verba pública foi gasta inutilmente.

O programa fracassou porque todos os governadores que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes ignoraram políticas sérias de despoluição do Rio.

Não adianta só retirar a sujeira que está no rio, é preciso garantir que o ciclo de poluição não recomece. É preciso tratar o esgoto doméstico, ou o Rio Tietê nunca será despoluído.

Só na Região Metropolitana de São Paulo, com 20 milhões de habitantes, 41% do esgoto é despejado em rios como o Tietê sem nenhum tipo de tratamento. A despoluição de um rio é, acima de tudo, uma questão de planejamento urbano.

O ex-governador Geraldo Alckmin, que hoje pleiteia a presidência do país apesar da imensa impopularidade de sua candidatura, foi eleito quatro vezes para governar o Estado de São Paulo e, portanto, deve ser apontado como o principal responsável pelo fracasso dessa política.

Precisamos de um programa sério de despoluição do Rio Tietê, de preservação e recuperação ambiental, de proteção da Mata Atlântica; é preciso estabelecer uma nova lógica nas relações entre a sociedade e a natureza. Mas, infelizmente, se dependermos dos tucanos que há tanto tempo governam o Estado, isso não vai acontecer.