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As faculdades de Direito do Brasil não atendem as demandas sociais do povo e formam cada dia mais profissionais sem capacidade de representar o Estado brasileiro. Nota-se ao ver a manifestação em redes sociais da magistrada Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio, sobre a Marielle, morta em um atendado, na semana passada, informando que Marielle era engajada com bandidos, não obstante ao erro grosseiro de se pautar num fake News que logo foi desmentida.

O gesto da desembargadora revela que ela está em descompasso com a realidade social do Brasil e do mundo, vez que os organismos internacionais de direitos humanos estão empenhados a obter esclarecimentos sobre o que motivou o assassinato de Marielle, quem a matou e o seu mandante.

As faculdades de Direito do Brasil elaboraram suas grades curriculares com foco apenas na formação técnico operacional. Não estão ensinando aos estudantes conceitos de sociologia, filosofia e ética profissional, compromisso social que permitisse à eles uma análise razoável dos casos concretos. Conhecer a ter sua conduta pautada na declaração universal dos direitos humanos é um bom começo.

As grades curriculares das faculdades de Direito precisam passar por adaptações, principalmente para ensinar aos seus alunos o que está escrito no artigo 6º da Constituição Brasileira: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados..”.

O caso Marielle confirma o flagelo da Segurança Pública do Rio e a ineficiência do Judiciário para auxiliar o Estado a combater os diversos crimes praticados contra a vida e as garantias sociais e individuais. Talvez esse fosse o desejo da mulher Marielle, diante de tantas as omissões dos órgãos públicos.