O Brasil num rascunho digital
Nada menos que 50 países já rejeitaram a oferta das urnas eletrônicas brasileiras, tido pelo ufanismo tupiniquim como a revolução na democracia da Era Digital
Prefeitura de Mogi

Desde 1996 o Brasil se utiliza das urnas eletrônicas e promove sua democracia com a infalibilidade da vontade popular por meio desta ferramenta eletrônica. Só a justiça eleitoral continua cega para o fato de cada vez mais especialistas apontarem falhas no sistema e a própria fabricante do equipamento ser investigada e condenada nos Estados Unidos por crimes cibernéticos, inclusive em caixas eletrônicos de bancos (esses bem mais seguros e confiáveis).

Nada menos que 50 países já rejeitaram a oferta das urnas eletrônicas brasileiras, tido pelo ufanismo tupiniquim como a revolução na democracia da Era Digital. A negativa para o aparelho é simples, não se pode confirmar se o voto foi mesmo para o candidato escolhido e muito menos o eleitor consegue ter uma comprovação eficiente.

O que mais preocupa, num país com a moral pública esgarçada, como um trapo de chão, é que a mesma oligarquia, tanto a banda endinheirada como a decadente, que se apoderou do poder a muito tempo se posiciona sobre o caso.

Nem mesmo grande parte da imprensa, que sequer se esforça para raciocinar sobre o óbvio. Ninguém investiga nada, pois não somos uma república. Não há o público como interesse superior, mas sim o poder nas mãos de castas e no imobilismo social.

Cabe aqui uma reflexão simples. Como surgem votações espetaculares para ilustre desconhecidos, mas geralmente bilionários e originários de Estados brasileiros onde o dinheiro está muito concentrado, como do agronegócio?

O sujeito nunca foi homem público, mas de repente ingressa no cenário político com centenas de milhares de votos. Mágica? Nossas urnas podem explicar isso, sem dúvida.