Nos tempos atuais há uma nova onda defendendo as “privatizações” como um remédio universal e imediato para todos os problemas. Não há qualquer debate minimamente qualificado que defenda privatizações do ponto de vista operacional, ou quais seriam as vantagens disso para a população – certas pessoas simplesmente enfiaram na cabeça que o Estado deve ser demolido e, como consequência, tudo deve ser privatizado.

Com a recente crise dos combustíveis, não demorou para que surgissem aqueles que defendem a privatização da Petrobras. Pense que você tem uma empresa, e essa empresa não está dando lucros, ou que o gerente dela está desviando recursos. O que você faz? Troca à gerência e procura entender o que deu errado, muda o funcionamento da empresa? Segundo os defensores da privatização, nada disso: você deveria vender sua empresa, às pressas, e pela oferta mais baixa que aparecer. Trata-se de uma proposta obscena e execrável.

O mais espantoso é que tais teses ganharam força entre os próprios agentes políticos. Há inúmeros candidatos alegando a incompetência do Estado e a necessidade de se privatizar tudo. Muitos desses, inclusive, são gestores públicos. Como interpretar isso? Se determinado recurso pode gerar lucro sob a gestão da iniciativa privada, por que não poderia gerar lucro sob a gestão pública? A meu ver, um político que defende o leilão daquilo que está sob sua responsabilidade está assinando um atestado de incompetência.