Moradores do Jardim São José em Poá, revoltados com morte de uma jovem, ateiam fogo em ônibus
Ônibus foram queimados após protesto por assassinato de jovem por policial militar em Poá/ Foto: Divulgação
Prefeitura de Mogi

Na manhã desta segunda-feira, 2, uma jovem de 20 anos foi assassinada por um policial militar no Jardim São José, em Poá. Revoltados com a morte da jovem, moradores do bairro incendiaram e apedrejaram dois ônibus. De acordo com o portal G1 de Mogi das Cruzes, os veículos foram incendiados depois de uma manifestação que fechou algumas ruas do bairro. As linhas suspensas foram as municipais 12 e 13 e as intermunicipais 589, 481, 026, 337 E 328.

Brenda Lima de Oliveira, de 20 anos, foi baleada no peito quando estava na garupa do namorado, que também foi alvejado. O rapaz de 19 anos foi atingido nas costas e sobreviveu.

PM confessa que atirou na jovem

Um policial militar de 21 anos, segundo a polícia, confessou que atirou da varanda de sua casa porque estava sendo ameaçado. Ele informou que horas antes uma bomba havia sido jogada na varanda de sua casa e que desde que uma operação foi feita, com a prisão de várias pessoas, em um condomínio perto de sua casa, um casal rondava o imóvel da família.

Durante a manhã de domingo, 1º, o policial chegou a ligar para o 190, que abordou o casal, que estava sentado na frente da casa. Os dois conversaram com policiais e depois saíram do local.

O policial ainda disse que à tarde ouviu gritos de “vai morrer policial cagueta”. Quase às 22 horas ouviu o barulho de uma bomba que caiu na sua sacada.

O PM disse ter visto pelas imagens do circuito de monitoramento da sua residência uma pessoa jogando o objeto. Ele ligou novamente para o 190. Policiais se deslocaram para o local e passaram a fazer rondas para encontrar alguém com as mesmas características e, por isso, não tinham ido ainda registrar o caso na delegacia.

O policial relatou que ficou na sala, atento ao que acontecia na rua. Ele ouviu barulho de moto e foi olhar na sacada. De acordo com a PM, uma moto fazia o retorno no meio da rua e voltou sentido sua residência. “Neste momento, a garupa fez um movimento brusco com as mãos (não sabe informar exatamente qual foi o movimento), para se resguardar efetuou disparos no sentido da motocicleta”, informou, segundo relato no boletim de ocorrência. Ainda de acordo com o documento, o policial não soube informar quantos disparos fez porque estava nervoso.

O policial relatou que logo em seguida foi até a rua e viu os dois no chão e que pediu para populares chamarem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a polícia.

Na delegacia, a Polícia Civil pediu informações sobre o casal que foi abordado durante a manhã de domingo na frente da casa e “os dados daquelas pessoas não correspondem aos das vítimas desta ocorrência”.

A perícia esteve no local e fez fotos, inclusive da casa do PM onde estavam fragmentos de bomba.

O namorado estava no hospital e, por isso, não foi ouvido durante o registro da ocorrência. Nenhuma arma foi encontrada com o casal.

A delegada Wanessa Miranda Ferreira, que registrou o caso, afirmou que “não há dúvidas de autoria e legitimidade, mas não é possível afirmar se agiu em legítima defesa.” Como o policial pediu que chamassem socorro para as vítimas, se apresentou à polícia e entregou a arma, ele vai responder em liberdade.

A delegada ainda afirmou que viu as imagens que mostram a bomba sendo jogada e que aparece “uma pessoa aparentemente do sexo feminino colocando fogo em um objeto e disparando em direção à casa.” De acordo com o boletim de ocorrência, uma perita analisou e disse que “a vítima fatal aparenta ser a mesma pessoa que arremessou o objeto na residência.”

A tia de Brenda, a berçarista Geilza Maria de Lima Silva, contou que a sobrinha mora em Guarulhos, mas vinha para a casa da avó para encontrar o namorado, que trabalha em uma empresa de bijouterias e, aos fins de semana, é entregador de pizza.

Os dois tinham ido comprar um lanche e, na volta, entraram na rua do policial para ver uma casa que queriam alugar para morar juntos.

“Ele queria mostrar a casa que ele já tinha visto. Esse infeliz, eu não sei de onde ele tirou essa ideia, de que os dois tinham ameaçado ele. Como acha que foi eles da varanda de uma casa? Por que não desceu e não abordou a moto? Ele não estava nem de serviço. Ele estava na varanda, ouviu barulho de moto. Falou que achava que era o casal que estava ameaçando”, desabafa a tia.