Massacre na escola Raul Brasil deixa 10 mortos: 13 março entra para história como o dia mais triste e violento de Suzano
Depoimentos de alunos que conseguiram escapar do massacre revelam que os dois pistoleiros queriam fazer o maior número de vítimas/ Foto: Maiara Barbosa/ G1
Prefeitura de Mogi das Cruzes

O dia 13 de março de 2019 já entrou para a história de Suzano como o dia mais triste e violento da cidade que no próximo dia 2 de abril vai completar 70 anos de emancipação política e administrativa. Chega a ser inacreditável, mas, lamentavelmente, o massacre na tradicional Escola Estadual Raul Brasil aconteceu por volta das 9h30 dessa quarta-feira, 13.

Dois criminosos invadiram a unidade escolar que fica na área central de Suzano e atende mais de mil alunos. Armados até os dentes Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Henrique de Castro, de 25 anos, dispararam dezenas de tiros e distribuíram golpes de machado em alunos e funcionários.

Guilherme e Henrique teriam se assustado com a chegada da polícia na escola e só por isso interromperam a carnificina e, para não serem presos, cometeram suicídio em um dos corredores da escola.

Além dos dez mortos, mais de 20 pessoas foram atendidas em hospitais da cidade em decorrência do ataque dentro do estabelecimento de ensino, sendo que houve o registro de pessoas que passaram mal quando ficaram sabendo do massacre. A maior tragédia da história de Suzano (e o maior massacre registrado em uma escola do Estado) repercutiu no Brasil e em todo o mundo.

Até a noite dessa quarta-feira não foi divulgado o motivo exato que levou os dois ex-alunos a promoverem uma matança que enlutou os suzanenses e todos os brasileiros. Extremamente abatido, o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), afirmou que o massacre representa um pesadelo para a cidade.

O governo suzanense colocou à disposição dos familiares das vítimas, a Arena do Parque Max Feffer, onde deverá acontecer um velório coletivo nesta quinta-feira que também será mais um dia de sofrimento para toda a família suzanense.

Aluno ficou com machado cravado no ombro. Assassinos psicopatas tocaram o terror na escola

O médico angiologista Austelino Vieira Mattos disse aos jornalistas que recebeu no Hospital Santa Maria, em Suzano, um dos alunos da Escola Estadual Raul Brasil que tinha recebido um golpe de machado no ombro direito.
O adolescente foi operado e, segundo o cirurgião vascular, passa bem.

“Ele recebeu um golpe de machado no ombro direito e veio com o machado pendurado no braço. Levamos ele direto ao centro cirúrgico e fizemos a cirurgia para remover o machado e ver se não tinha nenhuma lesão em algum vaso. Graças a Deus não chegou a pegar braço. Ele vai evoluir bem”, disse Mattos.

A cirurgia levou mais ou menos uma hora e meia, explicou médico. “Ele me disse que estava sentado recebeu um golpe de machado e nem viu de onde veio”.

Menina manda mensagem: ‘Mamãe está tendo tiroteio, mamãe está tendo tiroteio”

A mãe de uma aluna ferida afirmou que a filha viu uma amiga ser morta na sua frente. A estudante Letícia Melo, de 15 anos, enviou uma mensagem de voz para sua mãe, Valéria Melo, logo após o ataque. “Eu estava em casa e minha filha mandou uma mensagem dizendo ‘mamãe está tendo tiroteio, mamãe está tendo tiroteio’. Ela disse que estava muita confusão e que viu a amiguinha caindo morta”, afirmou. Segundo ela, a filha levou um tiro de raspão na lombar, mas passa bem, após ser atendida no Hospital Santa Maria.

Jovem foi atingido por uma flechada

De acordo com a coordenadora do Pronto Socorro do Hospital Santa Maria, Debora Nogueira, sete vítimas foram atendidas no local.

Foram quatro garotos e três meninas, com idades entre 15 e 19 anos.
Segundo ela, o primeiro atendimento foi um adolescente de 18 anos, que chegou caminhando sozinho pedindo ajuda.

Ele foi atingido por uma flecha de besta.

“Foi o primeiro atendimento cirúrgico. O ferimento estava com uma arma branca, parecia uma machadinha fixada, com sangramento importante”, disse.
De acordo com a médica, ele estava agitado e reclamava de dor. Por volta das 14 horas, o hospital ainda atendia dois adolescentes. Os demais foram transferidos, de acordo com a necessidade.

Depoimentos de alunos que conseguiram escapar do massacre revelam que os dois pistoleiros queriam fazer o maior número de vítimas. “Eles diziam que iam matar todo o mundo, que iam jogar uma bomba”, afirmou uma aluna. Dezenas de alunos conseguiram escapar da matança pois se trancaram no refeitório ou em outras salas, assim que os tiros começaram a ser disparados.

Matadores estudaram na escola; neste dia 13 eles voltaram ao local para provar que nada aprenderam

Na tarde dessa quarta-feira o secretário de Segurança Pública de São Paulo, João Camilo Pires de Campos informou que os dois autores do massacre (e que se mataram depois) foram alunos da tradicional escola pública estadual de Suzano.
Segundo o secretário, ainda não se sabe a motivação do crime. “É a grande busca: qual foi a motivação dos antigos alunos”, disse. Ele disse que foram feitas buscas na casa dos assassinos, e a polícia recolheu pertences dos dois. Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Henrique de Castro, de 25 anos também deverão ser sepultados nesta quinta-feira, 14, mas até a noite de ontem não se tinha informações sobre um eventual velório e também do funeral dos dois homicidas que antes de tirar a vida de alunos e funcionários da escola Raul Brasil, balearam e mataram Jorge Antonio de Moraes, comerciante. Ele é tio de Guilherme, um dos assassinos.

Assassino postou fotos com arma minutos antes de praticar o massacre

Minutos antes de entrar na escola e matar oito alunos e funcionários, um dos matadores publicou no Facebook fotos com uma máscara de caveira e com uma arma. Em post feito às 9h34, Guilherme Taucci de Monteiro, de 17 anos, postou cerca de 20 fotos na rede social em que aparece fazendo gestos obscenos, segurando um revólver e usando no rosto um lenço com um desenho de caveira — item semelhante foi encontrado no local do crime.

Matador mais jovem teria matado o comparsa antes de tirar a própria vida

No início da tarde dessa quarta-feira, a polícia informou que um dos assassinos dos alunos e funcionários da Escola Estadual Professor Raul Brasil matou o comparsa e depois se matou, segundo informações da polícia.

A investigação aponta que Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, matou Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, e depois se suicidou. Segundo a polícia, os dois tinham um pacto de que fariam o ataque e depois se matariam. E que andavam pesquisando na internet massacres em escolas dos Estados Unidos. De acordo com imagens obtidas pela polícia, os dois assassinos chegaram diante de escola para iniciar o massacre, por volta das 9h30, em um carro branco.