A prefeitura de Arujá vai contratar a empresa que ficou em terceiro lugar no processo licitatório para a compra de uniformes escolares, com uma proposta no valor de mais de R$ 1 milhão de diferença que a primeira colocada no certame.

O prejuízo que a cidade deverá sofrer com essa decisão foi revelado na sessão da Câmara Municipal da cidade na semana passada pelo vereador Renato Caroba (PT). Em janeiro deste ano o Jornal Oi denunciou a possível ação de uma máfia dos uniformes em várias cidades do Alto Tietê e da Grande São Paulo, sendo que Arujá (comandada pelo prefeito José Luiz Monteiro – PMDB) estava entre as cidades onde a empresa autora da melhor proposta financeira poderia ser desqualificada do certame em benefício da 2ª ou 3ª colocada na disputa.

Inmetro poderá avaliar peças 

O parlamentar sugeriu aos demais vereadores, sobretudo os da Comissão de Educação, que façam um movimento para que as peças, tanto da primeira colocada quanto da terceira, sejam encaminhadas para avaliação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

“Precisamos entender o que há de tão melhor entre um uniforme e outro que justifique uma diferença tão grande de valores. A empresa que será contratada foi reprovada no processo licitatório justamente por apresentar uma proposta com um valor muito além que a primeira e a segunda colocada. Uma diferença tão exorbitante assim não pode ser vantajosa para nossa cidade”, destacou o vereador.

A empresa vencedora da licitação foi desclassificada sob a alegação de que o produto oferecido, no caso os uniformes, era de má qualidade. Misteriosamente, a segunda colocada desistiu do processo abrindo precedente para que a terceira colocada fosse chamada pela prefeitura.

“O que chama atenção é que a diferença de valores entre a primeira e a segunda colocada é de cerca de R$ 10 mil, ou seja, algo justificável. Já a terceira propôs R$ 1,3 milhão para fornecer os produtos, uma variação de mais de R$ 1 milhão acima da primeira”, reforçou.

Vice-prefeito descarta irregularidades 

Quando o Oi denunciou e alertou as autoridades sobre possíveis irregularidades na licitação dos uniformes em Arujá, o vice-prefeito e secretário de Educação do município, Marcio Oliveira (PRB), assegurou que não existiam irregularidades na atuação de máfias nos processos de compras de uniformes e kits escolares para cerca de dez mil alunos da rede municipal.

Ele afirmou que a direção da empresa que tinha apresentado o menor custo dos uniformes à prefeitura (agora desclassificada segundo o vereador Caroba) poderia promover perícias para comprovar que o seu material era (é) de qualidade e dessa forma se manter no certame.