O jornal francês Le Monde publicou no sábado, em seu caderno de economia, a terceira reportagem da série desigualdades, enfocando a situação no Brasil e na Rússia. As análises aprofundam os dados do projeto World Wealth and Income Database (base de dados sobre patrimônio e renda), dirigido pelo economista francês Thomas Piketty.

O documento divulgado na quinta-feira aponta que, desde os anos 80, 1% da população mais rica do planeta aproveitou do crescimento econômico duas vezes mais do que os 50% mais pobres. No Brasil, as “esperanças” da era Lula, que tirou da pobreza milhões de pessoas, deram lugar à amargura no país do chamado “racismo cordial”, escreve Le Monde.

As desigualdades voltam a crescer. O economista Marc Morgan, aluno de Piketty, fez o estudo sobre o Brasil e calculou a renda dos mais ricos do país. Segundo os dados, 1% da população, ou seja, 1,4 milhão de pessoas, recebem por ano € 287 mil (cerca de R$ 1,1 milhão). Já os super-ricos, que representam 0,1% da população, ganham por ano 40 vezes mais do que o equivalente à renda média estimada de todos os brasileiros.

A correspondente do Le Monde no Brasil, Claire Gatinois, começa o artigo traçando o perfil de uma empregada doméstica da periferia de São Paulo que acreditou no milagre de “melhorar de vida” e hoje constata que “nada mudou”.

Um dos pilares da permanência da enorme diferença de salários é a política fiscal que faz os mais pobres pagarem proporcionalmente mais impostos do que os mais ricos”. Além disso, as fraudes são uma prática utilizada com frequência pela classe A para escapar do fisco. A manutenção dos privilégios da elite dá ao Brasil “ares de uma sociedade de castas”, denuncia o artigo.

 


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